Poemas do autor

Poesia Falada*Poesia Falada_TrechoInsta

 

POESIA FALADA

palavra à noite cantada

co´a manhã se desfaz

em palavra granulada:

matinal achocolatado

já não sente a poesia

tal qual ressoara clara

na madrugada alta

Et pourtant, fala!

Será a escrita fogo fátuo?

marca gravada em gado,

ou cardo na sua pata?

(O poeta-boi rumina,

mas não é vaca sagrada).

Estrela cadente, cabala:

meros fogos de artifício

ruidosos melros da fala:

na calma manhã se calam

E de novo à noite

continua a caça

– Ah! Noite, tu

a guia do vate és,

virtualmente, baça.

Cães dão o alarma:

acordam a sentinela

ansiosos, ladram

nessa guarita alta

do posto de fronteira

entre escrita e fala

entre noite e dia
o poeta (aprisionado)
se cala.

****
Fonte: QUEIROZ, Adalberto. Cadernos de Sizenando: poemas e crônicas, Goiânia: Kelps, 2014. Disponível em Revolução eBook.

Poemas de ocasião (i)

i.i    cidades (i)Anapolis Histórica

Eu me movo
Tu me moves –
It is a

meme 
           moves.


Caliope_MusadaPoesiaψ

i.ii   mulheres
           desejam
ser vistas…
helenas

– Desejo-as!
  por a+b: tenho visto
[contido, entanto!]
todas – em uma…

 

No mínimo…#26

A última palavra

p/r.n.s.

A última palavra a ser dita?
Dimas teria bem dito –
– “Para nós isto é justo…
Ante à cruz e sua desdita.

Das três cruzes fincadas Calvary-Francisco-Ribalta
No Gólgota, castigo havia
A um dos três não merecido.
Se receberam o que mereciam
Dois dos torturados; ao Outro
Mal nenhum se lhe atribuíram.

– Agora, somos só nós dois!
Teria dito Georges no portal,
no limiar inesperado das gentes.
– O que nos restará dizer à Tal?!
./.
25.2.2016.

O que aprendi em 1597 dias à frente de uma editora independente — Medium

https://medium.com/@abolhaeditora/o-que-aprendi-em-1597-dias-%C3%A0-frente-de-uma-editora-independente-9e946a72e08#.awjxjp3jk

No mínimo, dia #25

CINQUENT’ANOS

Autor – Adalberto de Queiroz

p/ u.e.

Agora que o grisalho
Impera e pouco temo
de volta de o malho
do oponente desatento
ao que me vai n’alma.

Aos cinquenta e tantos
pergunto-me: resta o quê?
– a quem fazer o bem,
que mal evitar? De que
modo nesta idade
eu, aquele que imaginara

Morto aos 25, trinta;
embora minha avó viva
até hoje na memória –
ter visto o mundo insano
até os noventa e tantos.

Você que me lê, metade
talvez tenha do tanto
dinossauro tempo vivido;
portanto, d’antes a morte
mostre as garras: escreva versos

Bons ou ruins tanto se me dá:
mas os publique ante que tarde.

Fonte: Cadernos de Sizenando, vol. II, em preparo.

No mínimo…Mil palavras

MIL PALAVRAS.
POEMA DE NELSON ASCHER.

p/ ny

Quanto mais eu, que vi
(digamos) tudo, vejo,
mais vejo que uma imagem
vale por mil palavras.

Quanto mais vejo ( e vi
de tudo), mais provável
parece que uma imagem
(digamos, um avião

rumo a um arranha-céu)
vale por mil palavras.
Por tudo o que já vi,
quanto mais vejo, menos

duvido que uma imagem
(digamos, outro avião
rumo a outro arranha-céu)
vale por mil palavras.

Quanto mais vejo, menos
tenho, pois uma imagem
vale por mil palavras,
a ver (digamos, quando

se cravam dois aviões,
duas facas de obsidiana,
em dois arranha-céus)
com tudo o que já vi.

Agora que vi tudo
(já que, de tudo aquilo
que acabei vendo, nada
mais há para se ver),

quanto mais vejo, menos
tenho a dizer, exceto
(digamos) que uma imagem
vale por mil palavras.

./.
Do livro “PARTE ALGUMA: Poesia (1997-2004)”, Nelson Ascher, S. Paulo : Cia. das Letras, 2005, p.36/7.

A Nacionalidade Desconhecida de C. S. Lewis

Clive Staples Lewis (C.S.Lewis), Belfast, *29.11.1898 – +Oxford, 22.11.1963). Sempre vale saber mais sobre um dos mais lidos entre os escritores cristãos, ao lado de G.K.Chesterton, J.R.R.Tolkien e Bernanos. A uma diletíssima amiga que disse tê-lo lido na juventude, recomendo que releia na idade madura, pois, como Alister McGrath, creio vale a pena voltar a ele (C.S.Lewis) “encontrando muitas coisas que deixei passar da primeira vez; pois, parece que sempre se adicionam camadas de significado à espera de serem descobertas, boas imagens … ou elegantes variações das frases a serem consideradas e saboreadas”.