Aprendendo o ofício de ‘curador’…

Literatura – Assunto para crianças, sim!
Venha e traga seus pais.
ESPECIAL LITERATURA INFANTO JUVENIL

Oficina para crianças alfabetizadasCapa do livro do PauloLima.jpg

EMBARQUE NESSA COM A GENTE

Quando? Dia 30 de julho/2015, das 09h às 11h. Apenas 10 vagas!

Quem? Crianças alfabetizadas de todas as idades. Jovens e adultos.
Quem mais? Os pais (se ficarem bem comportados, também poder vir!)

Como assim? Serão duas horas de muita literatura e troca de ideias.
Como assim (em detalhes):
O Beto e o Paulo pretendem levar os participantes desta oficina a uma viagem.

Primeiro ao mundo do goiano José J. Veiga, cujo Centenário de nascimento (ele nasceu aos 2 de fevereiro de 1915) comemoramos neste 2015.
Vamos levá-lo à ILHA DOS GATOS PINGADOS… Depois de lá mesmo, sem pagar outro “bilhete” pegaremos um barco para ver uma “Cara de Paisagem”.

DIVIRTAM-SE!

OS TIMONEIROS DESTE BARCO

  1. O escritor, publicitário e pai de duas meninas Paulo Lima vai falar do processo de criação do livro “Cara de Paisagem”, que será autografado na hora. Crianças leitoras = crianças escritoras. Já pensou em ser um escritor? Sim, você pode!

  2. O moderador: o poeta-empresário Adalberto de Queiroz, avô de dois meninos (o Ben & o Lucas), escritor em tempo integral, membro da UBE – União Brasileira de Escritores, com o centenário José J. Veiga.   O Zé Veiga é o goiano (‘do pé-rachado’) com mais livros publicados nos Estados Unidos, Inglaterra, México, Espanha, Dinamarca, Suécia, Noruega e Portugal, que há 100 anos viria a se tornar um dos maiores expoentes da literatura goiana e brasileira de todos os tempos.

DE VOLTA AO PORTO

Fechando o Workshop, isto é, nossa viagem, teremos a leitura comentada de trechos do conto “A Ilha dos Gatos Pingados”, que também estará disponível em livreto (plaquete) para os participantes da oficina, no final.

The End
(Pra você: um novo começo!)

1ª Semana Cultural Amigos do Setor Jaó

De 27 a 31 de julho 2015

Local: Espaço Cultural Milagres dos Peixes

Av. Pedro Álvares Cabral, Q.156, L 19, St. Jaó

Tel.: 3207-7801

https://www.facebook.com/semanaculturalsetorjao?fref=nf

Peço sua atenção por 5min…

Folha em Branco. Blanche. Blank...Vida!

Desde já, obrigado!

Beto.Ø

Garimpando em “Cinco séculos de poesia”

O poeta Alexei Bueno, tradutor. Em 1/4 de século de traduções, Bueno nos legou um volume que lança o olhar sobre 5 séculos de poesia. Doze poetas que vêm do séc. XVI até ao tempo presente. Bueno é um sonetista de alto calibre e tradutor de não menos importância. Primo, Giacomo Leopardi, na voz poética de Alexei brasileiro Bueno.

Leia Mais...

Walt Whitman, 160 Anos depois…da 1a.edição de Folhas da relva

W Whitman - Cristo Carpinteiro

“Full of Life Now”
Walt Whitman
(1819-1892).

Daguerreótipo (pré-fotografia) de 1854, por Gabriel Harrison.
Gravura Em Metal de Whitman By Samuel Hollyer

walt whitman“A great poem is for ages and ages in common and for all degrees and complexions and all departments and sects and for a woman as much as a man and a man as much as a woman.
A great poem is no finish to a man or woman but rather a beginning.”

∼x∼
“Um grande poema continua por eras e eras em comum e por todos os graus e compleições e todos os departamentos e seitas e tanto por uma mulher quanto para um homem e por um homem quanto para uma mulher.”

(Trad. Rodrigo Garcia Lopes).

(Leaves of grass, edição de 1891-92).

O título deste post é o mesmo de um poema da edição de 1891-92, a última da sempre revisada obra do poeta norte-americano. Aqui se pode constatar a enorme intuição de Whitman, quanto ao poder da poesia que ele lançava ao mundo em seu único e sempre revisado volume de poemas: As Folhas da Relva. Confira, ouvindo e acompanhando o texto em inglês.

Transcrevo o original e a tradução em português (F. Gullar):
Pleno de vida agora (W.Whitman)
***************Trad. Ferreira Gullar.

Pleno de vida agora, consistente, visível,
Eu, quarenta anos vividos, no ano oitenta e três anos dos Estados,
Ao homem que viva daqui a um século, ou dentro de quantos séculos for,
A ti, que ainda não nasceste, dirijo este canto.
Quando leias isto, eu, que agora sou visível, terei me tornado invisível,
Enquanto tu serás consistente e visível, e darás realidade a meus poemas, voltando-te para mim,
Imaginando como seria bom se eu pudesse estar contigo e ser teu camarada:
Faz de conta que eu estou contigo.
(E não o duvides muito, porque eu estou aí nesse momento.)

via blog do Antonio Cícero*
***** FULL of life, now, compact, visible,

I, forty years old the Eighty-third Year of The States,
To one a century hence, or any number of centuries hence,
To you, yet unborn, these seeking you.

When you read these, I, that was visible, am become invisible;
Now it is you, compact, visible, realizing my poems,
seeking me;

Fancying how happy you were, if I could be with you, and
become your comrade;

Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am
now with you.)
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FONTE: Whitman, Walt. Leaves of Grass. 1867. The Walt Whitman Archive. Gen. ed. Ed Folsom and Kenneth M. Price. Accessed 26 May 2015.

D’A parte e o todo, Cris Campos

Minha amiga, poetisa Cris Campos e seus textos sempre muito bem-ilustrados e redigidos…
Também gosto de ser consumido e de consumir assim, amiga.
Curtam a Cris!Featured Image -- 5537

Coisas de Cabeceira, Recife & Sevilha: Tecendo a Manhã

João Cabral de Melo Neto
Capa_Antologia Cabral
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
Que, tecido, se eleva por si: luz balão.

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Coisas de Cabeceira: Recife
Diversas coisas se alinham na memória
numa prateleira com o rótulo: Recife.
Coisas como de cabeceira da memória.
a um tempo coisas e no próprio índice;
e pois que em índice: densas, recortadas,
bem legíveis, em suas formas simples.
2
Algumas delas, e fora as já contadas:
o combogó, cristal do número quatro;
os paralelepípedos de algumas ruas,
de linhas elegantes, mas grão áspero;
a empena dos telhados, quinas agudas
como se também para cortar, telhados;
os sobrados, paginados em romancero,
várias colunas por fólio, imprensados.
(Coisas de cabeceira, firmando módulos:
assim, o do vulto esguio dos sobrados).
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Coisas de cabeceira: Sevilha
Diversas coisas se alinham na memória
Numa prateleira com o rótulo: Sevilha.
Coisas, se na origem apenas expressões
De ciganos dali; mas claras e concisas.
A um ponto de se condensarem em coisas,
Bem concretas, em suas formas nítidas.
2
Algumas delas, e fora as já contadas:
não esparramar-se, fazer na dose certa;
por derecho, fazer qualquer que fazer,
e o do ser, com a incorrupção da reta;
con nervio, dar a tensão ao que se faz
da corda de arco e a retensão da seta;
pies claros, qualidade de quem dança,
se bem pontuada a linguagem da perna.
(Coisas de cabeceira somam: exponerse,
fazer no extremo, onde o risco começa).
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Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

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FONTE: Poemas da Antologia “Poesias Completas: João Cabral de Melo Neto”, Ed. José Olympio, 1979, 3a.ed.