Museu vivo, The Hermitage, prova que o comunismo nem sempre consegue sufocar a Arte

THE HERMITAGE, museu nacional russo em São Petersburgo, berço de jóias das artes plásticas de todo o mundo, museu vivo, sobrevivente da revolução russa de 1917, que o queria destruído ou em chamas…

COMO SE SABE, um dos comissários do governo socialista de Dilma Rousseff, e que ocupou o cargo de ministro de estado da “Educação” no Brasil, teria confessado pasmo sobre os museus e a educação (ou capacitação) de nossos jovens.

Ora, como os museus pertencem à Humanidade, só os contrários à Inteligência e à memória do saber e do fazer artístico, somente os contrários ao Humanismo podem ser contra os Museus. A resposta dada ao ex-Ministro da Educação e hoje Chefe da Casa Civil da Presidência, Sr. Aluísio Mercadante, já se tornou definitiva na voz e na pena de Leonel Katz. Este post tem outra finalidade: mostrar um pouco da riqueza de um museu que os comunistas da extinta URSS, a partir da revolução de 1917 tentaram em vão destruir – The Hermitage.

Madonna Litta
O Filho Pródigo (Rembrant), uma entre milhares de obras da arte européia. Madonna Lita, Obra rara recuperada pelos técnicos do The Hermitage. A Virgem e o Menino Jesus entre os Santos, a arte sacra européia tem lugar de destaque entre as jóias do Hermitage.

O Filho Pródigo_Rembrandt_Hermitage A Virgem e o Menino Jesus Com Santos A Virgem e o Menino Jesus Com Santos2 FATO: os governantes de linha marxista-leninista bem que tentaram, mas não conseguiram matar a Igreja Católica Ortodoxa nem tampouco este paraíso da cultura e das artes chamado “The Hermitage” – apesar de tentar com toda a força. Nascido de uma coleção particular de Catarina, a Grande, passando pelo zelo de Elizabeth, filha do czar Pedro,The Great, o Hermitage é obra arquitetônica do gênio de Bartolomeu Rastrelli, que contratado por Elizabeth, gerou uma obra-referência do barroco russo. A chamada Revolução de 1917 fez uma estrago nas coleções e legou ao abandono o museu, chegando ao limite de vender coleções inteiras em troca de alimento para o povo faminto, quando não para que alguns líderes da troika se locupletassem com a venda. Na 2a.Guerra Mundial de novo The Hermitage se põe em polvorosa – com a evacuação e as grandes perdas. Bruce Lincoln (Sunlight of Midnight) eternizou a evacuação do grande museu do leste europeu.
São Petersburgo retorna à normalidade com Gorbatchev e o museu sobrevive trazendo à luz e à visitação de seus mais de 300 espaços. Devemos a preservação e a recuperação de diversas obras a muitos mecenas – destacadamente, a Calouste Gulbenkian, da Iraq Petroleum Company, a Andrew Mellon, Secretário do Tesouro Norte-Americano e a Armand Hammer. Os mecenas e negociadores de quadros compravam os que os dirigente comunistas e “mercadantes” de quadros vendiam para alimentar a população faminta…

Asia Minor. City of Kizik  Stater  410 - 330s b.c.
Asia Minor. City of Kizik Stater 410 – 330s b.c.

Até porque o amor à Arte dessa gente é 0.0000001% em relação ao que gostam e procuram (sem cessar) a pecúnia pessoal, encontrando uma forma de se “locupletarem“, sempre em busca de uma boa sinecura….

Monet, Claude  Woman in the Garden. Sainte-Adresse  France, 1867
Monet, Claude Woman in the Garden. Sainte-Adresse France, 1867

Quando o presidente russo Boris Ieltsin, pós-Perestroika, devolveu o Muesu The Hermitage à comunidade, o mundo viu que o amor à Arte sobrevive às piores desgraças – ao fogo e à sanha stalinista-leninista (dos dirigentes
comunistas-oportunistas- e, alguns, mau-caráteres mesmo, que exerciam o Poder na URSS. Portanto, se algum ministro do governo atual disser que “Museu não interessa e nada tem a ver com Educação” (ou idiotice similar), nós os capacitados, os treinados e uns poucos educados nos princípios da Civilização, devemos dizer não à repetição da história – o que dizem só ocorrer como uma tragédia – devotando Amor ao que resta de nossa memória das Artes, evitando perdas irreversíveis para o bom-gosto das novas gerações. Lembro-me de Pietro Maria Bardi e do Masp, lembro-me de Assis Chateaubriand e isso me faz pensar num novo post sobre o tema. Até lá.

Veja mais nos links abaixo – Aqui:
Pinturas e desenhos do acervo do Hermitage

Ali: <a href=”http://www.hermitagemuseum.org/…/digi…/01.+paintings/29262/…http://www.hermitagemuseum.org/…/digi…/01.+paintings/29262/

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Hosemann, Teodor  Cavalcade of Princes and Knights. Quadrille 6  Germany, 1829
Hosemann, Teodor Cavalcade of Princes and Knights. Quadrille 6 Germany, 1829

Alguns números do The Hermitage:
– ~6mil visitantes/dia; ~3milhões visitantes/ano (2013); 500 quadros da arte Holandesa (140 artistas); 150 obras de Pintores Espanhóis; “O Filho Pródigo”, Rembrandt. 120 salas de arte européia…

ENFIM, um paraíso da Arte que a sanha destruidora dos idiotas ‘revolucionários’ foi incapaz de destruir, graças a Deus! E para quem um dia puder visitar são petersburgo, fica a dica de viagem.

O Direito ao Tédio reeditado ou: como uma crônica pode reviver…

EM UMA CRÔNICA que bem poderia ser classificada como aguda, Otto Lara Resende dizia que todos temos “Direito ao Tédio“.

Seu argumento – se isso é matéria de preocupação do cronista (decisão que deixo para especialistas) – vem de tecer o curto fio da meada com Afonso Arinos, Drummond, até chegar a Paul Valéry (síntese):

Les événements m’ennuient”
(Os acontecimentos me entediam). Ou me chateiam, 
na tradução livre”diz o Otto em sua página de 1991.

– “Outro dia me apanhei bocejando de tédio diante da televisão“, diz o cronista que era do tipo insone. É o bastante em matéria da Razão para me fazer refletir sobre como outro grande – o poeta gaúcho Mário Quintana traduzia esse tédio. E sobre a política  (a realidade) o que tens a dizer, poeta? – teria lhe perguntado um jovem repórter.
– Ah, eu nada tenho a ver com ela. Só estou imerso na realidade. É tudo.
E se não foi exatamente isso que disse o poeta gaúcho, assim é que me entrou o dito memória adentro; sendo o caldo que me resta na memória, e com o qual desejo levar o leitor, agora, a pensar sobre o episódio de nosso alcaide contra o humorista (Garcia versus Jorge Braga – prefeito vs. humorista de O Popular).

(…) Ah, sim, agora recuperei os versos do Quintana:

Soneto V

Eu nada entendo da questão social.
Eu faço parte dela, simplesmente…
E sei apenas do meu próprio mal,
Que não é bem o mal de toda a gente,

Nem é deste Planeta… Por sinal
Que o mundo se lhe mostra indiferente!
E o meu Anjo da Guarda, ele somente,
É quem lê os meus versos afinal… 

(…)

E este cronista-blogueiro, poeta-menor, imerso que está nessa coisa chamada realidade política, vê na crônica de Otto uma acuidade, uma agudeza notável, que a faz tornar viva.

Viva no justo momento em que o partido do nosso prefeito municipal tenta impor ao país sua vontade de controlar a imprensa, surge uma polêmica que intitulei “Garcia versus Braga“.

E assim sinto-me como o Quintana (aquele diante da questão social), ou como o Otto Lara Resende (este diante da pena-de-morte). Semelhante a tantos outros, diante da mesmice da discussão sobre censura em nosso país (e alhures): “Dessa discussão não nasce Luz, só perdigotos” (O.L.R.) . E, portanto, a crônica de Otto se reedita, pois, morro de tédio.

Afinal, “le monde est frivole et vain, tant qu’il vous plaira. Pourtant, ce n’est point une mauvaise école pour un homme politique”,   afirmava o escritor Anatole France em outro contexto. Sou forçado a concordar que “Ah, o Mundo – o mundo é frívolo e vão, de tal modo que, se ao político agrada, ao eleitor pode até ao choro nos levar. No entanto, não é de modo algum má escola para um homem político…

Veja, Sr. Prefeito, aonde nos leva a escola do mundo.
E se a algum leitor, a quem a política não tenha destituído ainda o senso de humor (e espero que nunca detenha o direito) de rir ou chorar; se para esse leitor persiste válida a crença de que uma charge não pode nos fazer entrar em choque com a crença maior nos valores da democracia, repito: o tédio não ataca nem por tão pouco o riso se aplaca… Vivamos o direito de sorrir e chorar, sem censura!

E mesmo que pareça ‘off-topic’, finalizo recomendando (re)leitura de um texto famoso (agora reabilitado por Daiana, em administradores.com) intitulado “Mensagem à Garcia” – algo que só um herói (como diz a Daiana no blog linkado – “…o herói é aquele que dá conta do recado: que leva a mensagem a Garcia! – seja humorista ou anônimo portador de u’a mensagem importante.

Porque Braga não é Rowan, o alcaide só tem Garcia no sobrenome, mas a história vale a pena pelo que nos ensina sobre valores hoje tão ausentes – “Mensagem a Garcia” é uma expressão corrente, para designar uma tarefa muito difícil e espinhosa, mas que é absolutamente necessária, e precisa ser realizada de qualquer maneira, sob risco de grandes perdas para a empresa”.

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Post-Post.: Aos advogados do Alcaide, ressalto que, em princípio, trata-se o último de texto não-censurável, pois que corre mundo em diversos idiomas, de autoria de Helbert Habbard (1899). Confira: http://bit.ly/1Jz9Lei

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E quem quiser entender a história, que vá atrás com este link – “Garcia vs. Braga” http://bit.ly/GarciaVsBraga

Outras fontes citadas (links) + Anatole France, em “Le Jardin D’Epicure” (1949); Otto Lara Resende, “Bom dia para nascer”, Cia.das Letras, 1993.

Ercília Macedo-Eckel relê e interpreta os Cadernos de Sizenando

DEVO meu amor à literatura, em grande parte, à escritora Ercília Macedo-eckel, pois foi ela a pessoa que me ensinou muito do que sei de nossa língua portuguesa e sobre a literatura em geral, quando foi minha professora no CCM, em Anápolis,na décADA de 60 do século passado.
eRcília é Mestra em Literatura e escritora de reconhecido talento – membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, sócia da União Brasileira de Escritores – ube/gO e da Academia Petropolitana de Letras – RJ. Mestra em Letras pela UFG. 
Ercília analisa os Cadernos em aprofundada leitura
Curriculum reduzido de Ercília Macedo-Eckel

POIS BEM, através de Anatole Ramos reencontrei Ercília Macedo-Eckel na década de 80 em Goiânia e, agora, ela me brindou com um presente de Natal – um estudo aprofundado dos “Cadernos de Sizenando” que este ex-aluno e para sempre admirador da “professora Ercília“, só tem a agradecer.
O estudo que chegou para o Natal agora virou artigo…

Escritora Ercilia Macedo-Eckel
Lançamento de “Cadernos de Sizenando”, na FNAC Flamboyant, Ercília Macedo-Eckel e o Autor

Como na epígrafe do livro, aqui repito Gilbert Keith Chesterton (GKC):

…a prova de toda felicidade é a Gratidão“, portanto, só me resta dizer:
– Obrigado, amada professora!

Recebo com o coração e a mente em humilde atitude de aluno diante da Mestra, este estudo sobre meu livro de poemas & crônicas hoje publicado no Diário da Manhã – o que me deixa feliz e muito honrado (veja link abaixo). Ercília mostra com este artigo que leu, entendeu e bem decodificou a “mensagem” (o propósito) de seu ex-aluno, sabendo dali tirar, com generosíssima apreciação, muito do que o pupilo lhe servira em letra impressa.

LEIA O ESTUDO CRÍTICO em Diário da Manhã.

 

Adalberto em foto de Mônica Parreira.
O Autor é analisado em “Cadernos de Adalberto de Queiroz (Sizenando)” – DM, 25/01/2015              Foto: Mônica Parreira.

 

 

 

 

 

 

Da tríade dos católicos poetas do Brasil (1)

Schmidt e os Sonetos Completos

AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT , Poeta (1906-1965).

O QUE DIZER DESTE GRANDE POETA, 50 Anos depois?
– Antonio Olinto tenta responder em um artigo notável sobre o poeta-empreendedor-dirigente bota-foguense e católico de renome nas letras pós-modernistas do Brasil.

Do artigo de Antonio Olinto, “Schmidt, o Brasileiro”, retiro um trecho para introduzir este maravilhoso livro de um gigante da poesia feita por um dos mais importantes membros da inteligência católica no Brasil.

“Há que falar de Augusto Frederico Schmidt como poeta. Que o foi, e dos melhores de seu tempo. Seu poema de Natal é citado como típico entre seus versos: “Caminharei em busca do presépio, Senhor./ Não haverá nenhuma estrela/ Para guiar meus passos.// Mas estarei tão atrasado,/ O tempo terá caminhado tão na minha frente.” “Muitos rirão de mim sabendo que te procuro.

"E eis um poema de amor de Schmidt: "Meu amor, a noite cai aos poucos/ Sobre mim, aos poucos sobre mim / E é como terra/ Sobre corpo de morto". O ensaísta belga Karel Jonkheere diz que os poetas flamengos desconfiam do grito, da falta da medida. Jamais se exaltam. O brasileiro Augusto Frederico Schmidt, ao contrário, aos gritos e na maior falta de medida, como que desnuda o nervo de sua canção e de seu ritmo.
Daí a força de sua poesia e o tom doloroso de seus poemas de amor. Seus versos se alongam, estabanados, turbadamente límpidos, no instável domínio do grito que não se contém. É, a sua, uma poesia inconsutilmente ligada ao pensamento brasileiro. Poesia, por isto, permanente, enquanto houver memória da cultura dos que vivem em nossa terra." 
(Se desejar, leia o artigo completo no Jornal de Poesia, mas volte para ler o resto deste post).

 

Augusto Frederico Schmidt, "Sonetos"
Do livro de Augusto Frederico Schmidt, “Sonetos”, Rio Gráfica Editora, RJ, 1965.

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Grande entre os grandes Poetas do Brasil. Gigante entres os Católicos poetas do Brasil, de um Brasil que tinha, teve e tem a graça da poesia de Jorge de Lima, Murilo Mendes e Augusto – a tríade sagrada da nossa Poesia.

Feliz com a aquisição desta raridade em um sebo de minha cidade, vou explorando os sonetos, dentre tantos outros livros encontrados na “mina de ouro” do Sr. Joari, o sebo “Feira Cultural” (Rua 4 quase esq. c/ Rua 8 – Centro), Goiânia.

(*) Eis um exemplar em que se mostram a boa poesia e a grande arte da ilustração.

A morte de Augusto Frederico Schmidt.  Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de fevereiro de 1965
JB Notícia: morte do poeta Augusto Frederico Schmidt,1965
Augusto Frederico Schmidt e os Sonetos ilustrados num volume primoroso, 1965.
Nota dos Editores do importante volume do que seria “Sonetos Completos de A. F. Schmidt” – o livro que bem ilustrado não chegou a ser visto pelo poeta em sua versão final

A obra da Rio Gráfica e Editora é de 1965 publica a maioria dos poemas de Augusto.
Créditos: impressão das ilustrações, fora do texto, sobre papel Kraft, monolúcido, S.M., em processo off-set; clichês de capa e ilustrações dentro do texto, gravadas no papel dos poemas. Ilustrações fora do texto – Iedda Salles, Anna Bella e Laszlo Meitner (também autor da Capa); ilustrações impressas em texto de autoria de Gian e Anna Bella. Este livro é um primor, mesmo a quase 50 anos de seu lançamento, ocorrido em abril de 1965!
A importância deste livro que completa meio-século de vida está em que o poeta havia confiado aos editores (e grandes amigos Alínio de Salles e Fernando de Castro Ferro), duas semanas antes de sua morte um volume de sonetos inéditos e outros anteriormente publicados, com o objetivo de lançar o que seria “Os Sonetos Completos de Augusto Frederico Schmidt”. A escolha dos artistas par ilustrar o livro – diz-nos os editores em nota na página de abertura do volume, “foi aprovada pelo Autor, mas infelizmente o poeta não chegou a ver as ilustrações…”. A encomenda aos artistas, por parte da casa editorial, foi seguida do conselho de que “ilustrassem a obra como um todo e que não procurassem como tema este ou aquele soneto; [ao] que eles [artistas] afirmaram que sentiram profundamente inspirados pelo lirismo melancólico do Poeta e, em nossa opinião, o resultado artístico foi notável” – é o que diz a nota, meio ilegível acima.


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– O tema: “Ilustração de livros de poesia” ou poemas e artes plásticas – veio à pauta num bate-papo com o artista plástico Leonam Nogueira Fleury, de quem tive a autorização para a elaboração da capa do meu livro, recém-lançado de poemas e crônicas (Cadernos de Sizenando).

Em posts futuros, vou publicar alguns poemas e, sempre que possível, com a ilustração que o acompanha na bela edição citada.

“QUERO sentir o grande mar, violento e puro.
Quero sentir o mar noturno e enorme.
Quero sentir o silêncio, o áspero silêncio do mar!
Quero sentir o mar! Quero viver o mar!

Quero receber em mim o grande e escuro mar!
Não o mar-caminho, mas o mar-destino,
O mar, fim de todas as coisas,
O mar, túmulo fechado para o tempo.

Quero o mar! O mar primitivo e antigo,
O mar virgem, despovoado de imagens e de lendas,
O mar sem náufragos e sem história.

Quero o mar, o mar purificado e eterno,
O mar das horas iniciais, o mar primeiro,
Espelho do Espírito de Deus, rude e terrível!.
+++++
*Augusto Frederico Schmidt, obra citada, p.49.

Posts Ligeiros (II)

ONTEM, depois de uma rápida reunião com um amigo, vivi uma tarde de garimpagem nos sebos. O melhor me veio da Feira Cultural da Rua 4. Bamburrei nas raridades do livreiro Sr. Joari, há 40 anos no ramo.

Foto de Adalberto De Queiroz.
Foto de Adalberto De Queiroz.
Foto de Adalberto De Queiroz.

Posts ligeiros (1)

Quase uma legenda: minhas amadas árvores.
Um dia compramos um terreno, minha mulher e eu. Lá havia sete árvores.
Planejamos e projetamos tudo para que nenhuma fosse sacrificada.
Do projeto ao acabamento, às árvores prestamos homenagem e respeito.
Mantivemos as sete – uma delas engastada no beiral da garagem improvisada, pois garagem não havia.
Um dia, nos mudamos.

Tamburil, orelha-de-macaco...
Tamburil, orelha-de-macaco…

O cidadão que a nossa casa comprara, mandou meter a serra-elétrica nas copas frondosas e a tudo destruiu.
Mudança feita, abraçamo-nos às árvores do novo território. Onde há esse tamburil centenário, abraço-me à terra que nos é dada. Felizes, minha mulher e eu; genros e filhas e netos. Um caloroso abraço que não cessa de me dar alegria.

Uma Excursão Aventurosa

“A audácia de um leitor petulante muitas vezes é ajudada…

O poeta gaúcho Augusto Meyer…pela intuição divinatória que dá de graça ao atrevido a mesma revelação poética que só como recompensa de canseiras e pestana queimada o escrupuloso vem a conquistar. “

Augusto Meyer: “Nós somos a sombra de um sonho na sombra”.

 

Baga (Nigéria)? Hum, bem longe de Paris? – Então, esqueçam…

Ler a realidade atual impõe ao leitor do presente uma alta capacidade de interpretação,
tal como de um leitor de romance de ficção se exige tanta imaginação…

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QUEM QUER que folheie os jornais do mundo inteiro do dia 10 de janeiro 2015 até hoje, verá quão sensacional foi a cobertura à passeata em Paris, como reação à morte de uma dúzia de jornalistas de um semanário de humor.

A marcha em Paris que foi ilustração das capas de diversos jornais ao redor do mundo, escondeu, apagou, “deletou” outro massacre – em Baga (Nigéria), realizado por grupo do mesmo viés e orientação que aquele que atuara em Paris, onde morreram mais de 2000 mil pessoas (na soma do estrago dos sanguinários de um bando intitulado Boko-Haram).
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O silêncio sobre aquele episódio mais sangrento do que o massacre de Paris (e sobre a mortandade de cristãos que exercem seu direito de ir à Missa em países islamitas ao redor do globo) faz o leitor conduzir-se e consigo levar sua “imaginação” para um planeta que se move em torno de interesses e do Leviatã – um novo monstro que é o governo mundial.

A ciência do Marketing – que tomou o lugar da Propaganda – tornou-se o novo “ópio das massas”, e estas “entorpecidas” pela dose diária que lhes é servida pela mídia internacional (web inclusa) parece conduzir-se mais pelas ilustrações de capas digitais ou impressas do que pela sensata orientação à realidade.

As redações, por sua vez, são alimentadas pelo desejo das massas nas chamadas mídias sociais – muito mais ainda do que, em tempo algum, as redações se viram forçadas a não querer calar por teses que são geradas por uma central mundial de amortecimento da dor. Veja o exemplo desta manchete do website G1 do globo.com:

G1 justifica falta de manchete para massacre em Baga, Nigéria!
G1 justifica falta de manchete para massacre em Baga, Nigéria – como se dissesse: “estávamos muito ocupados com os grã-finos de Paris… Dommage!

Isso tudo me faz lembrar de A. François-Poncet, citado por J.-J. Chevallier:

“Achava-se unido a seu povo como que por antenas que o informavam do que a multidão desejava ou temia, aprovava ou censurava, acreditava ou não acreditava. Podia assim dirigir a sua propaganda com tanta segurança quanto cinismo e com descoberto desprezo pelas massas. À violência e à brutalidade, acrescentava uma aptidão para a astúcia, para a hipocrisia, para a mentira, aguçada pelas rivalidades e discórdias que incessantemente grassavam no seu partido. Sabia adormecer o adversário até o momento de poder desembaraçar-se dele e, assinando tratados, refletir na maneira pela qual se lhes furtaria.”

O contexto é outro quando François-Poncet falava (e registrava outro tipo de desvario) em suas “Recordações de uma Embaixada em Berlim” – à época do surgimento de Hitler, o “novo príncipe [de Maquiavel] adaptado ao séc. XX; ao século das Massas e dos Mitos sociais ou nacionais desencadeados; ao século também da insensível ferocidade científica.” (Chevallier).
Entretanto, nada deixa a desejar o momento presente em termos de manipulação das massas – só os agentes mudam, estando travestidos do bom-mocismo típico dos politicamente corretos.

Os próprios jornais e “geradores de conteúdo” (os neo-jornalistas de hoje), estão estarrecidos pelo silêncio que eles próprios geraram em torno da matança de Baga (Nigéria): “Veículos de imprensa e analistas internacionais agora questionam como um caso desse porte teve uma repercussão tão pequena, especialmente em comparação ao ataque terrorista na França, ocorrido menos de uma semana depois.” diz o site G1.

Um menino sobre os cadáveres
Voz isolada contra o massacre em Baga, Nigéria – O Observador (Portugal). Voz dissonante à pauta da Central de Comandos Mundiais?

Quem primeiro me alertou para as atrocidades que foram praticadas em Baga (Nigéria) sob o silêncio complacente da imprensa mundial, foi O Observador de Portugal – depois de nada ver no jornal que assino – Estadão online. Ao contrário, o Estadão se deu ao “luxo” de dizer que duas meninas (vítimas do sangrento e assassino grupo islamita radical Boko-Haram) eram “Suspeitas” de se fazerem de mulheres-bombas… Detalhe: quando reclamei como assinante, tive o silêncio como resposta e nem sequer minha observação foi aprovada no site.

O Espírito Humano deve se levantar contra as atrocidades.
Sim, é isso que nos dá a pista primeira de que estamos no caminho da Civilização.
Que as pessoas se dêem os braços (como na passeata dos milhares em Paris!) ou as mãos em nome da defesa da liberdade de expressão é algo que não se deve olvidar.
Entretanto, o que dizer quando isso abafa a Piedade, faz silenciar a capacidade de se revoltar contra atrocidades que estão muito além, distante do intra-muros de Paris?

– Por que a cena do menino solitário (na foto de O Observador) é para mim mais tocante do que a dos líderes das Democracias mundiais ao lado do leniente François Hollande marchando pelas ruas de Paris com sua face de típico socialista europeu defensor do bom e justo governo. Eu vos digo:
Porque este menino que vemos caminhando pelas ruas de Baga (Nigéria) é sim o abandonado pelas democracias, é o esquecido pelo governo mundial que quer se instalar entre nós. Este menino é a voz do homem solitário e incapaz contra o Leviatã.
Este menino negro e descalço – sem nenhum cartaz em mãos – que caminha em meio aos cadáveres dos mortos de Baga me diz centenas de vezes mais fortemente a meu espírito e a minha alma:
– Socorrei-me, Senhora Piedade, pois que é difícil ter esperança de um século menos cruel e menos atavicamente obtuso do que foi o século XX – do qual o poeta-profeta Hermann Broch dissera:
“Século da mais turbulenta anarquia, do mais obscuro atavismo, da mais negra crueldade”.  O fantasma de A. Maulraux renasce para os espíritos livres a solitários marcharem junto com este menino de Baga sussurando sua profecia aos nossos ouvidos guiados pela mídia: “o nosso século, em face do passado, parece um renascimento da Fatalidade”.
Aos vivos, à suivre…Se Esperança houver, em meio a tanta Insensatez. (c)Beto Queiroz.

Livros essenciais para o leitor Cristão

DO BLOG “O Camponês”, de meu amigo Sérgio de Sousa.TopoCampones

Meu amigo Sergio de Souza saiu perguntando aqui e ali:

Quais os livros que todo Cristão não PODE deixar de ler?
O resultado da enquete está neste post que republico agora.

As minhas respostas foram incluídas numa lista de eméritos leitores do Camponês, com a ressalva de que são livros que DEVEM ser lidos.
Então, encontro no resultado da enquete uma plêiade de pessoas e a frase lapidar:
“Uma das respostas mais bacanas e perspicazes que recebi foi a do nosso acidentado – e em franca recuperação! – professor Carlos Ramalhete:
– “Não existem. É perfeitamente possível ser santo e analfabeto.”
EU VOS DIGO que esta resposta de outro amigo, Igor Taam foi surpreendente e assino embaixo, embora eu tenha listado a Bíblia Sagrada e o Catecismo – pois que a marioria dos cristãos hoje seguem mais o colunista do jornal diário do que os Pais da sua (de cada um) Igreja.

– “Como outro entrevistado também tocou no assunto – Igor Taam, um amigo ortodoxo, cujo comentário sobre os livros será publicado aqui no blog ainda essa semana – gostaria de deixar bem claro que, quando utilizei o verbo “dever” estava querendo saber dos livros mais importantes, os mais inspiradores, os que provocaram mais “espanto” e impacto na vida de cada entrevistado. Não incluí a Bíblia e o Catecismo de cada denominação na contagem porque entendo que esses são livros constitutivos da religião.”

Leia o Post Completo.