Blogs de Papel e Tinta – Entrevista com Ruy Goiaba

Ruy Goiaba é o cara! Se o Felipão ainda não convocou, é por conta da oposição da “elite branca”

Textos especiais v2.3

Foi  à época da publicação do livro Wunderblogs.com, S.Paulo, Ed. Barracuda, 2004 – 297p –

Olá, Ruy. Eu leio você desde o Blogger/Blogspot. mais ou menos, desde 2001.Você nunca deixou a peteca cair. Era uma espécie de vicio solitário?:-)Antes que surgisse a maçon…digo, os Wunderblogs, vc alguma vez já quis parar?

Ruy: Muito obrigado pelo elogio, Meg. Por não concordar inteiramente com ele é que já pensei em parar inúmeras vezes -sempre que me sinto sem inspiração, sofro com o excesso de trabalho extrablog ou “deixo a peteca cair”. Acontecia antes que eu me juntasse aos Wunderblogs e também aconteceu depois. Acabo voltando a escrever porque o Brasil é, para mim, um país inspirador -a goiabice aqui está por toda a parte.🙂

*É diferente: bom, melhor etc . escrever num ‘condomínio’ de blogs?

Ruy: Em alguns pontos, é diferente para melhor, sem dúvida. A qualidade…

Ver o post original 2.010 mais palavras

Lições da Copa do Mundo 2014

World-Cup-2014-930x521“O que os Gestores
podem aprender
com a
Copa do Mundo
de futebol, 2014”

Este mês marca o início da Copa do Mundo, evento esportivo mais popular do mundo.

As partidas deste torneio mundial de futebol estão em pleno andamento [o artigo original é de uma semana antes, dia 10/06/14*] tendo o (nosso) país anfitrião Brasil enfrentado a Croácia.

Enquanto uma quantidade enorme de colaboradores deve inventar todo tipo de doenças para permanecer em casa, sem trabalhar durante toda esta competição que vai durar um mês, a Copa do Mundo também pode nos ensinar tanto os colaboradores (e seus gerentes de negócios) mais do que apenas formas criativas para sair do escritório mais cedo para assistir aos jogos.

A Copa do Mundo afeta nossas vidas de trabalho de uma forma diferente – ela nos ensina a importância de construir uma equipe de qualidade para alcançar o sucesso em um ambiente de trabalho que está, cada vez mais, se transformando.

Afinal, no campo, os jogadores precisam se adaptar rapidamente aos esquemas de jogos, aos árbitros, aos torcedores, e a outras forças que cercam as partidas- tudo ao mesmo tempo garantindo que eles se comuniquem bem com sua própria equipe. Tudo isso exige a capacidade de mudar de rumo em um instante, e gerar enorme oportunidade de pensar “fora-da-caixa” (no orig. : outside-the-box thinking).

Tudo isso parece um pouco com o seu trabalho?

Então, quais são algumas lições que empregados e suas empresas podem tirar da formação das equipes para a Copa do Mundo deste ano?

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Lições da Copa do Mundo 2014

World-Cup-2014-930x521“O que os Gestores
podem aprender
com a
Copa do Mundo
de futebol, 2014”

Este mês marca o início da Copa do Mundo, evento esportivo mais popular do mundo.

As partidas deste torneio mundial de futebol estão em pleno andamento [o artigo original é de uma semana antes, dia 10/06/14*] tendo o (nosso) país anfitrião Brasil enfrentado a Croácia.

Enquanto uma quantidade enorme de colaboradores deve inventar todo tipo de doenças para permanecer em casa, sem trabalhar durante toda esta competição que vai durar um mês, a Copa do Mundo também pode nos ensinar tanto os colaboradores (e seus gerentes de negócios) mais do que apenas formas criativas para sair do escritório mais cedo para assistir aos jogos.

A Copa do Mundo afeta nossas vidas de trabalho de uma forma diferente – ela nos ensina a importância de construir uma equipe de qualidade para alcançar o sucesso em um ambiente de trabalho que está, cada vez mais, se transformando.

Afinal, no campo, os jogadores precisam se adaptar rapidamente aos esquemas de jogos, aos árbitros, aos torcedores, e a outras forças que cercam as partidas- tudo ao mesmo tempo garantindo que eles se comuniquem bem com sua própria equipe. Tudo isso exige a capacidade de mudar de rumo em um instante, e gerar enorme oportunidade de pensar “fora-da-caixa” (no orig. : outside-the-box thinking).

Tudo isso parece um pouco com o seu trabalho?

Então, quais são algumas lições que empregados e suas empresas podem tirar da formação das equipes para a Copa do Mundo deste ano?

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Um C.E.O. com Humildade e coragem?

NO THE TIMES OF INDIA, jornal online, leio sobre Satya Nadella, novo CEO da Microsoft, empresa que meus amigos (e eventuais leitores) sabem que eu abomino.

EU fico me perguntando: como não gostar desse sujeito chamado Satya Nadella, apesar de desgostar da companhia que ele dirige? 

Primeiro pela humildade; competência e dedicação que o novo CEO sempre dedicou aos estudos. Depois, por razões outras que, citando outra fonte indiana, talvez, tornem-se claras para você, prezado leitor:
a humildade é a chave para se tornar um líder respeitável, porque isto significa que você é receptivo a ouvir e aprender com todos para crescer profissionalmente” – afirma Govind Iyer, da Egon Zehnder India.

Mais ainda porque Nadella chegou ao posto e demitiu o idiota consumado, que atende pelo nome de Mark Penn (o cara responsável pela campanha publicitária intitulada “Scroogled”), que manchava a biografia da já odiada M$ por ser ironicamente difamatória da concorrente Google. Scroogled foi a malfadada campanha de baixo padrão e apelativa, apoiada pelo ex-CEO Steve Balmer e imediatamente cortada por Nadella.

Saibam quem é o novo CEO do que os analistas estão chamando de Nova Microsoft. Um pouco da história de Nadella, na tradução livre deste blogueiro, usando o The Times of India como fonte.

“É uma excelente momento para o Manipal Instituto de Tecnologia subir no ranking das escolas de ponta…Manipal Institute_India

e, de agora em diante, passar a ser visto lado a lado das mais consagradas instituições de ensino de TI do mundo.

No espaço de 12 semanas, duas das mais famosas marcas de tecnologia do mundo, a Microsoft e a Nokia, nomearam ex-alunos do MIT (não confundir com o MIT americano!) como seus CEOs, respectivamente Nadella e Suri.  É , pois, compreensivel que este campus do litoral indiano esteja pronto para estourar um espumante por seu sucesso.

“Satya Nadella e Suri são fortes testemunhas do fato de que no MIT é acertada a ênfase está no desenvolvimento holístico dos alunos. Duas das maiores empresas da Fortune 500 que estão sendo lideradas por ex-alunos do MIT é de fato um feito digno de nota. Alunos que deixam os portais deste instituto de engenharia são produtos de qualidade. Não é coincidência ou acaso que estes dois MITians atingiram um notável objetivo de sucesso, disse, visivelmente entusiasmdo o professor Vinod V Thomas, diretor, MIT. Suri se formou em 1989, um ano antes do Satya Nadella da Microsoft.

“Lembro-me quando dava aulas para Suri. Ele era um aluno brilhante e sempre parecia entusiasmado”, disse Prabhakar Nayak, HOD, E & C, MIT. Naturalmente, os estudantes estão em êxtase. “O ano de 2014 será talvez o ano mais gratificante com dois MITians (ex-alunos do MIT Indiano), atingindo os zeniths – o ponto mais alto de suas carreiras. Eles criaram um novo objetivo para todos nós”, disse Simantika Mohapatra, um sexto aluno semestre de Eletrônica e Comunicações.

“Eu era companheiro de escola de Suri e ele era um estudante brilhante. Ele era uma pessoa amigável”, disse G Muralidhar Bairy, professor associado do MIT.

BANGALORE:  – “Tornar-se CEO da Microsoft estava muito além dos meus sonhos mais malucos”, disse Nadella numa video-conferência organizada pela gigante de software numa quinta-feira, dois após sua nomeação para o cargo – como indiano, “eu sempre estive mais focado no cricket (esporte nacional) do que em T.I. – brincou um bem-humorado Nadella. Veja o original da frase citada abaixo:

“Having grown up in India, the idea that I would have the opportunity to talk to all of you as CEO of Microsoft was beyond my wildest dreams. Admittedly, my interests at that time were a bit more focused on cricket than on technology,” 

Brincando com os espectadores da video-conferência, Nadella ressalta que é admissível que tendo nascido na India é mais provável que ele estivesse focado em cricket, o jogo mais popular de seu país, do que em tecnologia.

E adicionou logo a seguir:  “É surpreendente, no entanto, pensar nos avanços no campo da tecnologia, nos últimos anos e as oportunidades para desenvolvedores de software na Índia hoje”.
Nadella, que no dia 4 de fevereiro, foi nomeado CEO de uma empresa de US$ 78 bi, falou sobre as enormes oportunidades que surgiram com o chamado cloud computing. Ele crê que a Índia é o primeiro país em termos de cloud e de tecnologias móveis. E mais: que a tecnologi de cloud surge com um grande potencial de mudança do jogo (“game-changer”)  pela capacidade de prover aplicações em smartphones com uma fração dos custos da computação tradicional.

Nós estamos num time de mudança de importância crítica em nossa indústria, vivendo essa experiência e podendo desenvolver para equipamentos móveis e para a nuvem prioritariamente e de forma pioneira.

Mas a vida de Nadella não foi fácil quando resolveu ir para os EUA. Chegando com um curriculum deficiente, do ponto de vista da nova escola, ele foi exigido e para isso fazia mais esforço do que os demais colegas. Um professor afirma que um dia chegou muito cedo ao laboratório da escola e tropeçou com um saco de dormir. Dentro dele, estava o atual CEO da Microsoft, na época um esforçado aluno estrangeiro, tentando dar o máximo de si mesmo para acompanhar seus colegas e superar as “deficiências” que seu CV indiano em Engenharia Elétrica que trazia para a nova escola, em busca de um mestrado em Ciências da Computação, que concluiu na universidade Wisconsin-Milwaukee (UWM) em 1990.

Professores que conheceram melhor Nadella durante seu tempo na Universidade de Wisconsin-Milwaukee (UWM) o consideram um aluno inspirador para os colegas.

“Eu quero na verdade que outros olhem para ele e digam: ‘Se ele conseguiu, eu também vou ser um profissional de sucesso” – diz o professor Hossein Hosseini, da UW-Milwaukee, departamento de Ciências da Computação (CC).

Nadella, segundo outro professor da UW-Milwaukee (dept. de CC), “dedicava muito tempo ao laboratório de computação, eu diria até muito mais tempo do que o normal”. Relembra este professor:
satyanadellamicrosoft_1
“Um dia, eu vi um saco de dormir no chão do laboratório e perguntei o que aquilo estava fazendo ali; então, outros alunos me disseram que Satya Nadella vinha dormindo lá por várias noites, tentando completar sua tese de pesquisa”,
relata o Professor Emeritus K. Vairavan da UW-Milwaukee.

Ao terminar sua graduação na UWM, Nadella começou a trabalhar na Sun Microsystems, em Chicago, em 1992, quando completou também o seu segundo mestrado, na University of Chicago e foi aceito na Microsoft de Seattle, empresa que agora preside. Nadella também recebeu o título dado pela UWM (Dean’s Award) em 2000, bem como o de “Chancellor’s Innovation Award” em 2013.

Saiba mais sobre esta temporada no site da UWM.

Este CEO junta eseu passado de um denodado aluno de Ciências da Computação e de Mestre em duas respeitáveis Academias, à coragem do profissional de hoje, lado-a-lado com a humildade, para entender que a Microsoft é um gigante de software mas uma “nova entrante” no mercado de web, cloud e smartphones.

Ele acredita, como boa parte dos gestores de T.I. que, com mais de 100 milhões de smartphones contra 12 milhões de PC´s, de acordo com as previsões de venda para 2014, as empresas estão aumentado sua confiança no poder do cloud em prover aplicações modernas a equipamentos móveis conectados à Internet. “As empresas exigem aplicações modernas para prover serviços de cloud escaláveis, e ao mesmo tempo integrados com os sistemas existentes através das capacidades do cloud computing híbrido”, afirma Nadella. O mantra do novo CEO parece ser “mobile-first-cloud-first” …

So far, so good…” diz o mercado sobre o desempenho do novo CEO. Até aqui, o novo CEO só recebe palavras de apreço e reconhecimento ao desempenho elogiável e é elogiado pelos acionistas. Acompanhemos os próximos passos, torcendo para que a humildade e a coragem de Nadella crie mesmo uma nova empresa. Até à próxima.

Beto.

++++
Fontes: WSJ online, The Times India online.

J.G. Merquior: Muriloscopia

[Ou: “O travo agridoce da Saudade.]

J.G.MerquiorJ.G. MERQUIOR escreveu, em maio de 1978,
aquele que considero o prefácio definitivo
e, naturalmente, com um título tipicamente merquioriano:

Notas para uma Muriloscopia“.

Ninguém melhor do que J. Guilherme poderia ter uma visão tão aguçada sobre a poesia de MM (1901-1975).

E se o leitor perguntar-se: porque a mensagem de Murilo Mendes, baseada num catolicismo não militante, traz uma mensagem única e até hoje válida num mundo ?

– “…No legado do cristianismo uma mensagem tão ou mais pertinente ao nosso tempo social de que à época de Jesus de Nazaré.
Ou:  porque “o sentimento básico do poeta Murilo Mendes era [é], segundo Merquior: “…no seio mesmo da sua consciência da finitude do mundo criatural, antes a vibração da esperança, a crença… na regeneração do ser.

MURILOSCOPIA (c)J.G. Merquior

“NA CONSCIÊNCIA do público e da crítica de poesia, a imagem da obra ímpar de Murilo Mendes parece ter passado de tangente a eixo da nossa tradição moderna. Longamente considerado voz solitária e insólita, o poeta figura hoje, e com toda a razão, entre os tetrarcas da lírica modernista. Qual o sentido dessa inusitada parábola na recepção de Murilo? Quais as linhas de força que, na sua produção poética, se responsabilizam por ela?
“Creio que o segredo se prende à própria natureza do modernismo. Como estilo compósito, próprio à primeira fase da nossa ‘modernização’, isto é, a esta transição social que ainda estamos vivendo (e em muitos pontos, sofrendo), o modernismo brasileiro foi um estilo híbrido e heterogêneo, feito da convivência ou fricção de estilemas tipicamente ‘arte moderna’ com vários traços a rigor bem pré-modernos (porque prolongamentos de formações artísticas anteriores) e, no entanto, dotados (como se vê em Cecília, Schmidt, Cornélio Pena) de inegável poder adaptativo e funcionalidade estética. Por isso mesmo é que nosso modernismo literário seria, ainda mais que o plástico, e sem dúvida bem mais que o musical, um complexo estilístico. Não foi por acaso que só pôde ter a unidade de um movimento, jamais a uniformidade de uma escola.


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