O Exílio de T.S. ElioT (1)

Caros amigos do blog:
Capa de TSEliot_Russell KirkT.S. ELIOT é o tema do tijolaço do Russel Kirk, intitulado “A Era de T.S. Eliot: a Imaginação Moral do séc. XX – da É Editora, SP, 2011, 655 páginas).
Entre uma e outra parte dos posts que pretendo dedicar à Escola de Frankfurt, permitam-me algumas anotações sobre ELIOT.
A primeira diz respeito ao capítulo 2, seção “O Exílio”.
Na primavera de 1914, Eliot partiu para descobrir “a diversidade européia”, que Kirk atribui ter-lhe sido comunicada por Santayanna, isto é, a partir da “limitação da Inglaterra”.
Eliot havia feito uma pós-graduação em Harvard (veja cronologia na obs. #1), onde fora aluno de Bertrand Russel, Irving Babbit e George Santayana – estes dois últimos os que mais o influenciaram, diz Kirk.

Depois, passara uma temporada em Paris e deixando para trás uma tese em andamento – só finalizada anos depois, de um doutorado do qual o poeta jamais sequer foi buscar o título…
”E assim, Eliot se dirigiu à bela e antiga Marburg, na primavera de 1914. Então, sem perceber o Velho Mundo o solicitava.” (pág. 172).

A estada em Marburg não permite a Eliot sequer desfazer a mala que o amigo Aiken lhe despachara, porque os acontecimentos de Saraievo colocaram os norte-americanos, às pressas, para fora do continente – diz Russell Kirk.

Na seção “O Exílio”, Russell Kirk mostra as dificuldades por que passou o poeta. Se, como queria Aiken, o incidente da partida de Marburg para a Inglaterra “provaria ser decisivo” é na Inglaterra que Eliot vai comer a “comida detestável dos britânicos” e respirar uma atmosfera de dificuldades financeiras (e diria até emocionais); porém, é na Inglaterra que “permaneceria a explorar e consolidar o novo terreno cultural, iniciando o laborioso trabalho de demarcar aquilo que lá seria o seu domínio” (Aiken, apud R. Kirk, pág. 173, citando carta da mãe do poeta – Charlotte C. Eliot a Bertrand Russell).

Em outubro de 1914, Eliot encontra-se por acaso com Bertrand Russel, que regressava de Harvard. O filósofo ex-professor – considerado por R. Kirk como “filósofo matemático iconoclasta” adota o poeta “solitário jovem norte-americano”, e diria: “duro”. Eliot vai morar,com a sua jovem esposa (Vivienne Haigh-Wood) de favor num quarto da casa de Bertrand Russel.

Os anos de dificuldade financeira levaram o poeta – que não desejava carreira acadêmica como professor universitário. E, ao contrário, foi professor assistente em escolas secundárias – como a Highgate Junior School – “um lugar adverso”, segundo um ex-aluno de Eliot; além de ministrar cursos de literatura para Adultos no Conselho do Condado de Londres.

R. Kirk assinala que o “professor-poeta ensinou francês, latim, matemática elementar, desenho, natação, geografia, história e besebol…”. Depois, ELIOT vai trabalhar no Lloyd’s Bank, no centro financeiro de Londres, onde passou a residir, tornou-se súdito britânico, tendo voltado raramente aos EUA, sendo a primeira vez 17 anos depois de ter deixado a pós-graduação em Harvard.
“…O intelectual norte-americano, hoje, quase não tem oportunidade de se desenvolver em seu país (…) deve ser um exilado”, disse T.S. Eliot em 1920. E mais: “era melhor ser um expatriado em Londres” – mesmo com a sua “detestável comida” – do que em Nova York, “a pior forma de exílio da vida norte-americana”, declarou Eliot (pág. 175).

Sobre a sua experiência como professor, ELIOT deixou frase lapidar que transcrevo em slide, justamente agora que a presidente da República “ameaça” aumentar salários dos professores, mas aguarda o melhor momento deste ano eleitoral…
T.S.Eliot cit.1
© Eliot em “To Criticize the Critic”, 1965, pág. 101 – via Google Books.

Trecho da citação acima, na tradução de Márcia Xavier de Brito:

“Sei com base na experiência que trabalhar em um banco das 9h15 às 17h30, e um sábado inteiro a cada quatro semanas, com duas semanas de férias ao longo do ano, era um descanso reparador se comparado a dar aulas em uma escola.”


(#1) A cronologia dos anos dos estudos formais do poeta Eliot é a seguinte:
Eliot Meia_Idade1906-1909 – Faz o “College” (faculdade) de Harvard, onde obtém o título de Bacharel;
1909-1910 (outonos) – Pós-Graduação em Harvard, onde obtém o grau de Mestre;
out/1910-jul/1911 – Estuda Literatura Francesa e Filosofia na Sorbonne em Paris;
Verão de 1911 – Munique (?)
1911-1913 – Harvard Graduate School – Estudos e Filosofias Hinduístas;
1913-1914 – Professor-Assistente de Filosofia em Harvard.
1914 – bolsista para Universidade em Marburg, Alemanha
(verão 14). “O Exílio” é seção do livro que se ocupa do tempo Eliotiano na Inglaterra.
(*) “Embora tivesse completado a dissertação sobre Francis Herbert Bradley em 1916, Eliot nunca requereu o título de doutor por Harvard nem buscou uma colocação profissional na Universidade” (Nota #36, pág. 168).
OBS.: A frase destacada na tradução de Márcia X. de Brito é o melhor trecho da citação de R. Kirk, mas há uma antecedente no slide que montei acima (pág.101 da obra citada), que é genial também, confira – tradução minha, portanto, sujeita a erros (aceito correções, s.v.p.):
(…) antes de preocuparmos em (contratar e) treinar mais professores, prefiro perguntar se estamos remunerando-os adequadamente. Eu nunca trabalhei numa mina de carvão, ou de urânio, nem como pescador de arenque, mas eu sei por experiência própria que, trabalhando num banco…” etc.

Saudades de Merquior (i)

RETIRO da estante meu exemplar de “ARTE E SOCIEDADE EM Marcuse, Adorno e Benjamin”, jose_guilherme_merquiorde José Guilherme Merquior (1).
O livro é datado de julho de 1979, Porto Alegre. Reabrir o volume me transporta aos estudos de Comunicação, na URGS. Lembro-me de muitos professores de ideologia marxista, mas me lembro de alguns poucos conservadores. Livro JGMerquior
Um deles foi fundamental em minha vida acadêmica, ao me emprestar um livro definitivo (“Castelo Interior e Moradas”, de Sta. Teresa d’Ávila), o qual nunca tive a chance de devevolver ao proprietário – professor Silvio Duncan, de saudosa memória. Na Fabico (Fac. de Bibliot. e Comunicação) e pela mão de outra professora de quem esqueço o nome, mas não o agateado dos olhos, conheci J.G.Merquior e a necessidade da arte.
Bem, mas agora é hora de falar um pouco sobre o livro em epígrafe e não da doutora da Igreja…
O contexto dessas notas é que comecei a seguir o Seminário de Filosofia do professor Olavo de Carvalho, justamente na aula 232, justamente referente ao estudo da escola de Frankfurt.

A discussão começa com um texto de Robin-Philips sobre Herbert Marcuse,  ‘o renegado’ se olharmos a escola do ponto de vista de um “retorno ao futuro” – , mas “o membro mais conhecido do movimento por causa de sua capacidade de se comunicar com a juventude de forma eficaz. O movimento hippie o adotou como seu guru intelectual, e Marcuse, por sua vez, abasteceu a geração mais jovem com um fluxo constante de propaganda destinada a santificar os impulsos rebeldes da juventude. (Foi ele quem inventou o slogan ‘Faça amor, não guerra’)”.

SE Marcuse teve o maior sucesso entre os jovens dos tardios ‘60, e logo depois sua teoria meio que virou pó, outro é o caso de Walter Benjamin e mesmo de Theodor Adorno permaneceram e diversificaram suas abordagens (música para Adorno; a presença do transcendental – os anjos em Benjamin(1), p.ex.) .
Eu, como todo bom aluno (submetido ao treinamento universitário de esquerdismo) dos anos ‘70, escrevi um trabalho de curso sobre as relações entre Capital e Trabalho, a partir da perspectiva Marcusiana da dicotomia “Eros x Tânatos” – princípio do prazer x princípio de realidade. Uau!  Coisa mesmo para ser rasgada, como o fez tanta gente com os poemas cometidos em sua juventude.

Folheando o livro, acho um recorte amarelado de um artigo de Merquior, no DM, Goiânia, de 1984, que remete à discussão no seminário, sobre a negatividade nos Frankfurtianos e a influência desses no mundo do trabalho nos EUA e alhures (onde houver um doutrinador acadêmico neo-hegeliano ou marxista, será sempre uma lavagem cerebral contra a ordem estabelecida – e dentro desta contra o Trabalho). No próximo post, vou postar o artigo inteiro, por ora, recorro à citação do trecho abaixo, com destaque para a interpretação mais pontual do trecho em que Merquior  aponta no “revolucionarismo” do nosso tempo uma marca especial – “a peculiaridade da nossa época é que a mentalidade ‘humanística’ da intelligentsia radical sonha pôr a técnica da revolução politica a serviço do ânimo de revolta boêmia”.
Eis uma maneira de compreender os revoltosos do badernaços de classe média, desde a “chienlit” parisiense dos ’68, passando pelos hippies norte-americanos em seu delírio californiano, com seu horror ao trabalho (em geral e, principalmente, em suas formas tradicionais), chegando aos inúmeros professores “hipnotizados” pela teoria da negatividade de Marcuse em escolas de ponta nos EUA.

Mais recentemente, quase 50 anos depois, entre nós brasileiros parece que Marcuse continua a ser o que J.G.M. suspeitava em 1979: “…Marcuse é hoje o nome da moda, o profeta, mais citado do que lido, dos simpatizantes entusiásticos das ‘revoluções culturais’. Pois é…” – e ei-los os hipnotizados por Herbert Marcuse (et caterva) em abundância entre nossos docentes das Universidades públicas brasileiras, capacitando os jovens nas ideologias esquerdizantes do revolucionarismo; passando por parte do clero católico e sua adesão à “Teologia da Libertação”; e, daí, até chegarmos às figurinhas carimbadas dos “black-blocs” – filhos bastardos do revolucionarismo; com o agravante de que estes, recrutados na classe média brasileira e/ou dentro da burocracia estatal, constróem barricadas de  uma espécie de “revolta boêmia”, de modo bem mais etílico, mais destruidor e (aparentemente, bem remunerado) – diferente do que o fizeram Baudelaire e Wagner, em tempos mais românticos.


Na sociedade, cujo horizonte é a progressiva robotizacão de todo trabalho pesado ou meramente rotineiro, muitos jovens e intelectuais clamam contra a ‘civilização repressiva’ e condenam como irremissivelmente alienantes as disciplinas mínimas necessárias ao funcionalismo da produção cao avanço da ciência. Esse paradoxo tem de ultrajar o moralista mas não tem como intrigar o sociólogo, que o compreende sem justificá-lo. A burguesia vitoriana enfrentou dois grandes modos de protesto e dissidência: o revolucionarismo das massas sem conforto nem voto e a revolta boêmia, do artista romântico ou ‘decadente’.
“Wagner e Baudelaire, que participaram das barricadas de 1848, mas depois se tornaram pais fundadores do decadentismo europeu, – 
encarnam perfeitamente esses dois cismas ideológicos.
“A peculiaridade da nossa época é que a mentalidade “humanística” da intelligentsia radical sonha pôr a técnica da revolução politica a serviço do ânimo de revolta boêmia. Porém, o despertar desse sonho é um verdadeiro pesadelo – o tenebroso colapso das liberdades. onde quer que direito ie economia tenham sido arruinados por urna monocracia ideológica.
“Por isso, entre nós, o sentido do progresso não reside mais na poesia apocaliptica das revoluções, mas na prosa das reformas objetivamente equacionadas e democraticamente executadas.


A chamada escola neohegeliana de Frankfurt, segundo J.G.M., foi originariamente composta de Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse e Siegfried Kracauer; a ela se incorporaram depois Erich Fromm [este, uma surpresa pra mim, que senti a falta de Habermas! na lista de Robin-Phillips], Walter Benjamin, Leo Lowenthal, Wilhelm Reich, Georg Lukács e muitos outros.
Estes homens estavam desiludidos com a sociedade ocidental e os valores tradicionais”, diz Robin Phillips, no artigo “O Ilusionista”
(texto-base da aula 233 e seguintes do Seminário de Filosofia do professor O.C.).

Leia mais

De Murilo a S.Domingos

São Domingos

Antes mesmo de nasceres
Já o fogo te formava,
Já o fogo te anunciava:
Sereis a vida toda
Trabalhado pelo Verbo,
Atacando o lado oposto.

Assim tua força lúcida
Concentrara-se no Cristo.
Soubeste a linguagen macha
Que mostra o ser todo inteiro;
Enquanto a escrita do herege
Divide o Verbo Castiço,
Ferido na sua essência.
Quiseste comunicar-nos
Teu fogo de alta linhagem.S.DomingosMeditandoMas hoje te rejeitamos,
Duro Domingos domado
Espanhol – intolerante – ,
Considera nosso não:
Que a dimensão atual,
Contrária ao rigor antigo
E à purgação pelo fogo,
Aceita o limite humano
Inscrito no racional.
+++++
Fonte: MENDES, Murilo. Poesia Completa & Prosa, R.Janeiro, Nova Aguilar, 1995, pág.578/9. Para rezar com S. Domingos. Festa celebrada no dia 27.Julho.

IF* by Rudyard Kipling

IF you can keep your head when all about you
   Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,SPL_Poster_If_Rudyard_Kipling
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
   Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
   And yet don’t look too good, nor talk too wise;
If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
   And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken;
   Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build’em up with wornout tools;
If you can make one heap of all your winnings
   And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
   And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
  To serve your turn long after they are gone,Kipling e Eu
And so hold on when there is nothing in you
  Except the Will which says to them: “Hold on”;
If you can talk with crowds and keep your virtue,
  Or walk with kings – nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
  With sixty seconds’ worth of distance run –
Yours is the Earth and everything that’s in it,
  And – which is more – you’ll be a Man, my son!

+++++
Fonte: KIPLING, Rudyard. (1865-1936). “Poems of Rudyard Kipling”. Random House, N.Jersey, 1995. pág.13/14. Para ler o poema em Português, siga este link.
Mais sobre Kipling: “
Romancista e poeta inglês, Rudyard Kipling nasceu em 1865, em Bombaím, na Índia colonial, filho de um professor de Artes e Ofícios e da cunhada do pintor Edward Burne-Jones, Kipling foi educado por uma aia indiana, que lhe ensinou, pela magia das histórias de encantar, a língua Hindu mesmo antes do Inglês em que viria escrever.
Quando contava seis anos de idade, foi levado pelos seus pais para Inglaterra, que o deixaram, por cinco anos, aos cuidados de um internato em Southsea. O autor, desacostumado das punições físicas tradicionais inglesas, viria mais tarde a exprimir o seu desgosto pelo tratamento em várias partes da sua obra, em particular na sua autobiografia, publicada em 1937”…
Saber Mais Sobre RK.

Venezuela: a Ditadura Bolivariana contra o Povo, em The Devil’s Excrement

Rezemos pelos irmãos latino-americanos, mas sobretudo pelo Venezuelanos. As “veias abertas” da Pobre América agora em mãos de ditadores escondidos atrás de partidos “socializantes”, são na verdade o excremento prático do “Fórum de São Paulo” e não há uma voz senão a do professor Olavo de Carvalho, a denunciar a “degradação republicana” que estão operando no nosso continente.

In Venezuela Opposition Leader Leopoldo Lopez Turns Himself In | The Devil’s Excrement.

T.S.Eliot (ii), 1959, Paris Review

Aos interessados na figura e na pessoa do poeta Thomas Stearns Elioteliot-na-velhice, há hoje um grande acervo para estudo da vida, das idéias e da vida diária do poeta. Muito se escreveu a respeito de T.S. Eliot (1888-1965). A entrevista linkada abaixo, conduzida por Donald Hall, na edição Spring-Summer da Paris Review de 1959 pode ser um bom guia para começar a conhecer Eliot, incluindo até seu senso-de-humor.
Eu próprio já fiz um postzinho bem datado sobre o poeta de “Four Quartets”.
Paris Review – The Art of Poetry No. 1, T. S. Eliot.
(em inglês).

Mas a melhor introdução à vida, às idéias e às obras do poeta norte-americano Capa de TSEliot_Russell Kirk
estão mesmo no livro do conservador Russel Kirk (1918-1994): “A Era de T.S.Eliot: A Imaginação Moral do Século XX”(*).
Este livro pode ser considerado a obra-prima de Russel Kirk, diz o Alex Catharino na apresentação da edição brasileira do livro. Autor do clássico “The Conservative Mind”, Kirk representa para os EUA o que Edmund Burke foi para o conservadorismo na Inglaterra.

A apresentação do livro é uma pequena jóia sobre a obra e a vida de Russel Kirk – “A Vida e a Imaginação de Russel Kirk” – e faz o leitor ficar interessado em um livro referência – a autobiografia de Russel Kirk “The Sword of Imagination” (1965); ousaria dizer mesmo que a apresentação de Catharino é um pequeno grande livro dentro de outro. Um bônus para quem gosta da obra de Eliot e aprecia o autor Russel Kirk e de quem pouco sabíamos até então,  além do clássico citado acima.

O desafio de traduzir a obra de Russel Kirk para a língua de Camões é contado por Márcia de Brito, em nota inicial (p.105/6), principalmente, no que respeita às citações de passagens das obras de Eliot (poesia, teatro, ensaios etc.).

Eliot By Ivan JunqueiraCom muita propriedade, Márcia lança mão de traduções anteriores já consagradas e trazidas para o nosso idioma
por gente do peso de Ivan Junqueira, o poeta que nos deu
T.S. Eliot, Obra Completa – vol. 1: Poesia;
bem como lança mão da tradução de outro poeta –
Ivo Barroso – para o vol. 2 da Obra Completa: Teatro. /School

Ao denunciar o vazio de traduções dos ensaios e textos de Eliot, Márcia conseguiu o feito de arrancar da “É Realizações” a promessa de que os amantes de Eliot teremos traduções de “Notes Towards the Definition of Culture”, “The Idea of a Christian Society” e tambem de “The Use of Poetry and the use of Criticism”.  Soube pelo César Miranda que as notas sobre Cultura foi lançado. De fato, vale a pena acompanhar o cumprimento do restante das promessas do Editor da “É Realizações”. Thumbs up

Por ora, deixo-vos com essa pequena introdução, prometendo voltar com Notas sobre “A Era de T.S.Eliot”. Estou de acordo com o sr. Alex Catharino e espero que esta nota leve o leitor a procurar o livro que entusiasticamente recomendo:

Eliot Meia_IdadeA Editora É, ao iniciar a publicação dos livros de Russel Kirk no Brasil com o lançamento (deste) “A Era de T.S.Eliot…”, mais uma vez disponibiliza aos leitores de língua portuguesa uma obra fundamental que recorda as verdades do ‘contrato primitivo da sociedade eterna’. (…) este excelente trabalho editorial, feito por Edson Manoel de Oliveira Filho, reconhece Catharino o faz “patrono das coisas permanentes” por “ter reunido vários remanescentes em uma importante cruzada na tentativa de reverter o processo de ‘desagregação normativa’ no Brasil, o que o torna, de certo modo, companheiro da mesma batalha intelectual de T.S. Eliot e de Russel Kirk…”

++++
(*)Paris Review-59Fontes: KIRK, Russell. “A Era de T.S.Eliot: A Imaginação Moral do Séc. XX”. São Paulo, É Realizações Editora, 2011.
Website da “Paris Review”, acervo, 1959.
Au revoir, chers amis!Note

~O Rabi e o Yoghi: 2 estórias~*

Selecionei duas histórias para você, leitor, nesta manhã de 17 de fevereiro. Outros a lerão à noite, à tarde, numa madrugada qualquer, quando procurarem no Google por rabi, místico yoghi ou meditação.

História #1(i)
O Fabricante de Meias

CERTA VEZ, em viagem, parou o Baal Schem numa cidadezinha cujo nome não chegou até nós. Uma manhã, antes das preces, fumava, como de costume, o seu cachimbo e olhava pela janela. Passou então um homem, xale e filactérios na mão, andando com solenidade tão natural,como se estivesse a caminho das portas do céu. O Baal Schem perguntou, ao fiel em cuja casa estava hospedado, quem era aquele homem. Respondeu que era um fabricante de meias que, inverno ou verão, pouco importava, ia todos os dias à sinagoga dizer suas orações, mesmo que não estivesse completo o quórum prescrito de dez crentes. O Baal Schem pediu que o chamassem, mas o dono da casa replicou:
– Esse louco não irá interromper sua caminhada, nem que o próprio Imperador o chame. – Após as orações, o Baal Schem mandou ao homem um recado, para que lhe trouxesse quatro pares de meias. Pouco depois, o fabricante achava-se diante dele, apresentando sua mercadoria, honestamente trabalhada em boa lã de carneiro.
– Quanto queres por um par? – perguntou o Rabi Israel. – Um florim e meio.
–  Suponho que ficarias satisfeito com um florim. – Neste caso, teria pedido esse preço. – O Baal Schem pagou-lhe imediatamente o preço pedido; depois, continuou a inquirir: – Com o que te ocupas? – Faço o meu ofício – respondeu o homem. – E como o fazes? – Trabalho até juntar quarenta ou cinquenta pares de meias. Depois ponho-as numa gamela com água quente e moldo-as até que fiquem como devem ficar. – E como é que as vendes? – Não saio de casa, são os lojistas que vêm até mim e as compram. Também me trazem boa lã, que compram pra mim, e eu lhes dou compensação pelo trabalho. Só em honra ao rabi saí hoje de casa. – Mas quando levantas, de manhã cedo, o que fazes, antes de ir rezar? – Faço meias também. – E como te arranjas te dizer os salmos? – Os salmos que sei de cor – respondeu o homem – recito-os durante o trabalho.
“Depois que o fabricante de meias voltou para casa, disse o Baal Schem aos discípulos que o rodeavam: – Vistes hoje a pedra que sustenta o templo até que venha o redentor.
“Disse o Baal Schem: – Imaginem um homem cujos negócios o precipitem, durante o dia todo, pelas ruas e pelo mercado. Chega quase a esquecer-se de que existe um Criador do mundo. Só à hora de recitar a Min-há(*) é que se embra: Preciso rezar! Então, do fundo do coração, escapa-lhe um suspiro por ter gasto o dia em coisas vãs, e ele corre a uma ruela qualquer, onde pára e reza: caro, muito caro é ele a Deus, e sua oração perfura os firmamentos.”
—-
(*) Min-Há: oferenda. Prece vespertina, antes do pôr-do-sol.

Leia mais

Dom Bertrand de Orleans e Bragança ao Papa Francisco

O Príncipe da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand, ativo participante da vida pública do Brasil, dirige-se ao Papa Francisco, “para lhe externar uma grave preocupação concernente à causa católica no Brasil e na América do Sul em geral.”

Lei a íntegra da Carta

“Quo vadis, Domine?”

Reverente e filial Mensagem  a Sua Santidade o Papa Francisco
do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

“Movimentos que combatem obstinadamente a propriedade privada, inclusive por meio de ações violentas, são convidados a participar de reuniões em importantes organismos da Santa Sé e um deles é recebido pelo Pontífice.”

LEIA a íntegra da Carta.

Martin Vasques acerta As horas de Katharina para o leitor de Bruno Tolentino

Amigo(a)s,

Transcrevo com alegria trechos deste belo ensaio de Martin Vasques da Cunha sobre o livo “As Horas de Katharina“, (B.Toletino). Meus seis leitores sabem da minha descoberta apaixonada da poesia de Bruno.
Um excerto para te dar vontade de ler mais (link ao final):

“(…) Tolentino não é Katharina; ele se incorpora nela, para que o leitor saiba que a experiência da conversão ocorre com todos os que se deixam converter pelo divino. Entretanto, o poeta não quer apenas brincar de mero artífice com relação a essa experiência; seu desejo é agarrá-la em sua essência e, por isso, utiliza um personagem feminino. A razão é simples: ele sabe das ressonâncias profundas que a figura da mulher tem no drama da salvação.
“Ortega y Gasset escreveu em seus Estudos sobre o amor que, enquanto o homem precisa realizar a sua história no mundo através de atos exteriores que são uma extensão de sua personalidade, a mulher não precisa agir de forma alguma porque ela simplesmente é[5]. Sua mera presença torna-se suficiente para a lapidação dos valores, das virtudes e dos ideais humanos, até que estes tenham a exata medida, o equilíbrio correto na ação de cada homem que cria não só sua própria história, mas também a história da humanidade. Ela incentiva o aperfeiçoamento do espírito apenas com uma palavra ou uma pequena escolha – e muitas vezes são estes detalhes que mudam a figura do drama da salvação.
“O exemplo mais concreto é o de Maria, mãe de Jesus, figura recorrente em “As horas” e uma presença constante em toda a obra de Tolentino. Mas Katharina também se aproveita da estratégia do poeta, usando diversas outras “máscaras” de personalidades femininas, como Maria Madalena, Salomé e Medéia, num instigante jogo de “bonecas russas” inter-textuais, com a intenção de separar suas emoções, suas certezas e, principalmente, suas dúvidas. Nenhuma dessas “máscaras” se compara, porém, ao uso que a noviça faz da Virgem Maria.
Siga lendo no blog do Marting Vasques…