O texto tem destino?

A provocação me chegou pela pena (ou pelo teclado?) de Vilém Flusser, no livro A Escrita (1):

(…)Etimologicamente, a palavra ‘texto’ quer dizer tecido, e a palavra ‘linha’, um fio de um tecido de linho. Textos são, contudo, tecidos inacabados: são feitos de linhas (da ‘corrente’) e não são unidos, como tecidos acabados, por fios (a ‘trama’) verticais. A literatura (o universo dos textos é um produto semiacabado (2). Ela necessita de acabamento. A literatura dirige-se a um receptor, de quem exige que a complete. Quem escreve tece fios, que devem ser recolhidos pelo receptor para serem urdidos. Só assim o texto ganha significado. O texto tem, pois, tantos significados quanto o número de leitores.

“A famosa frase ‘habent fata libelli’ (os livros tem destinos) corresponde de maneira imprecisa ao que se encontra subentendido aqui. Não se pretende dizer que aquele que escreve transfere forças ao texto, e que essas forças funcionam com uma dinâmica própria. O que se pretende afirmar aqui é que o texto foi conformado para ser concluído. Portanto, o texto não ‘tem’ destino, ele “é” um destino. Em outras palavras: o texto é ‘pleno’de significados, e essa completude é atingida por cada leitor de maneira própria. O texto será, então, tanto mais significativo, quanto maior for o número de modos de leitura…”

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Fonte: FLUSSER, Vilém. “A Escrita: Há futuro para a escrita?”
Trad. do alemão por Murilo J da Costa. SP, Annablume, 2010. (2)No original, “Halbfabrikat”.

O ruído do século

Faz bastante tempo que o sr. H. Taine, de L´Academie Française escreveu palavras sábias sobre livros, viagens e pessoas.
Relendo um volume da 3a. edição de 1903, da editora Hachette (“Derniers Essais/De C|ritique et D´Histoire), encontro esta pérola sobre os franceses (mas podemos dizer o mesmo de nós, brasileiros, sem o charme dos que vivem (viveram) na Cidade-Luz):

Artificiels et agités” ; il a raison, c´est bien ansi que nous sommes. Les rues sont trop pleines, les visages trop affairés. Au soir, le boulevard fourmillant et lumineux, les théatres étincelants et malsains, partouts le luxe, le plaisir et l´esprit outrés aboutissent à la sensation excessive et apprêtée. La machine nerveuse est à la fois surmenée et insatiable. (…)

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Post-Post, em 30.01.13. Na sequência do texto, vem uma citação aos estrangeiros ricos (les étrangers riches) – un Brésilien, un Moldave, un Américain qui ont fait fortune ou qui s’ennuient de vivre parmi leurs esclaves ou leurs paysans, viennent à Paris pour jouir de la vie. (…)
Depois, Taine cita os franceses endinheirados e continua com a descrição do “mal” et du bien que agitava a Cidade-Luz, à época, para concluir: “je me sui dit le mal tout bas; à présent disons le bien tout haut”. Imagine se o crítico do séc. XIX ressuscitasse em pleno XXIème? O que não diria hoje dos hábitos e das artes e costumes da Paris dos dias de hoje…

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Coloquei este livro em minha lista de livros “A ler em 2013”. O Frates in Unun é sempre uma boa fonte de informações para os católicos e demais pessoas de bem que prezam a Verdade. Paz e Bem.

Apostas para 2013

Virando a folhinha, um ano novinho em folha, como se espera, como disse o poeta Drummond em crônica recém republicada aqui:

…novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha…

Então, começo a me perguntar: O que devo fazer? O que desejo fazer?
Achar um
Plano prático para ler a Bíblia Católica em um ano, pareceu-me bem aceitável. Um amigo me enviou uma planilha onde posso facilmente acompanhar minha evolução, lendo em inglês na edição da Oxford University Press, Revised Standard Version, Catholic Edition) e conferindo online (ou em papel) na Bíblia Católica, da ed. Ave Maria.
Como me conheço, sei que sempre começo com entusiasmo, mas hei de precisar de muita persitência para chegar ao final deste novo ano com pelo menos este plano realizado. Santo Tomás de Aquino me ajude nessa jornada.
Talvez também seja uma boa iniciativa voltar a estudar (formalmente). Pesar em uma extensão para 2013 pode ser boa ideia. E, por fim, quem sabe, voltar à terapia…?!
Em tudo, nunca esquecer de unir trabalho e celebração, estudo e diversão. Bons vinhos (com moderação, wow, sempre desejada!), bom papo em boa companhia.

Enfim, desejo um excelente 2013 a todos os leitores deste blog e do diário Sonatas & Cafeína.
Amitiés,
BetoQ.