Félix the cat ou: repouse em paz, grande goleiro!

Eu era um adolescente nos anos 70, quando o Fluminense me conquistou como equipe vibrante, bonita e charmosa. E conquistou títulos. Na minha memória afetiva, o Flu era campeão todo ano ímpar…
Não estou certo sobre isso. O de que tenho certeza é que as pessoas de opinião e charmosas torciam pro FLU, inclusive a minha paixão recôndita no Científico (segundo grau da época), que me fez amar o Pasquim e o Flu, uma carioca de pele de porcelana e mente de fibras.

O mais importante é que a pessoa decisiva da crônica de O Globo, meu jornal por excelência, o sr. Nélson Rodrigues, era um fluminense doente. Nélson Motta mostrou tudo o que era essa paixão em “Breve e gloriosa história de uma máquina de jogar bola”, de resto já relatado em Flu, passado de glórias.


Mas agora estamos diante da tristeza da perda de um de nosso “guerreiros do passado”. Félix, o goleiro do Flu e da Seleção de ´70.
Será que cabe aqui pensar: “A torcida do Fluminense é a mais doce, a mais iluminada de todas as torcidas do Brasil e do mundo!” (como dizia o tricolor Nélson Rodrigues)?

– Pois acho que sim, digo eu; e cabe pensar… A doçura passa por reconhecer o mérito do Outro e dar ao homenageado todos os louros da vitória. Até porque sabemos que Félix não era o melhor goleiro do Brasil, mas sempre foi o mais querido.

O ex-goleiro Félix Mielli Venerando, foi ídolo da torcida tricolor e do Brasil; ex-goleiro da Seleção Brasileira de Futebol campeã mundial de 1970, ele estava internado no Hospital Vitória, em São Paulo, e morreu, aos 74 anos, vítima de pneumonia. Segundo boletim médico do hospital, Félix estava internado desde o último dia 18 de agosto, por conta de uma doença pulmonar obstrutiva crônica. Félix o goleiro.

EU, quando menino em Anápolis, fui goleiro em minhas experiências frustradas de ser jogador de futebol. E, na época, aos 16/17, não queria saber se o Félix tinha ou não categoria para ser o goleiro da Seleção. Só sabia que nós éramos melhores que o Flamengo e que o goleiro do Brasil era do Fluminense… Ainda não havia o bordão do Galvão “pega que é sua,Tafarel”. Só se ouvia, Félix defende com segurança…o rádio era nossa mídia e eu sabia que a ´cidadela` do Flu ou da Seleção estava bem guardada porque tínhamos Félix, o goleiro. E ponto.
O time que ele jogava era esse, nosso glorioso e humilde FLU.

Escalação do campeão (até hoje questionado pelo Botafogo): Félix – Oliveira – Galhardo – Assis – Marco Antônio – Denílson – Didi – Wilton ( Cafuringa ) – Flávio – Ivair e Lula.


(escalação da equipe campeã de 1973. Em pé da esquerda para a direita: Parreira ( preparador físico ) – Toninho – Félix – Brunel – Pintinho – Assis – Marco Antônio e Duque ( técnico ). Agachados: Marquinhos – Kléber – Dionísio – Manfrini e Lula.

E na Seleção…assim se compunha o Félix, o goleiro. E Carlos Alberto, o capitão relembra do goleiro como “extraordinário e criticado” (pela imprensa). Félix, goleiro de 1970, extraordinario e criticado.

E antes de fechar este post com a foto da Seleção Tri-Campeã de 70, permitam-me brincar com a memória do nosso Goleiro tri-Campeão, porque me lembra sempre um personagem de quadrinhos de minha infância:

Encerro, pois, essas notas dizendo: Deus proteja a alma de Félix Mielli Venerando e nos ajude a ter um goleiro com a grandeza desse tricolor inesquecível.

O tango e o fado

Essas duas formas de expressão musical tem algo a ver entre si ?

“A ligação entre tango e fado é algo verdadeiramente original que jamais se deverá perder.” (Antonio Chainho).
Palavra para Tango e Fado. Uma coisa é certa: se os musicólogos persistem em recusar a existência de raízes comuns entre fado e tango, os intérpretes de ambos os gêneros se esforçam por provar exatamente o contrário, ressalta Carlos B. Oliveira em seu blog “Puro Tango”.
Duas amostras para que o leitor faça seu próprio juízo dessa conexão.

  1. Tango com Gardel (El Dia Que Me Quieras – Alfredo Le Pera/C.Gardel). http://www.youtube.com/embed/RmXCVOmOCPU ;
  2. E uma amostra do Fado, com a prima-dona Amália Rodrigues.

E, só pra não esquecer, viva Portugal.

Eu bebo, logo existo (2)

Mais uma dose de bom texto e bom vinho:

Segundo R. Scruton, a famosa descrição de T.S.Eliot de uma “jornada espiritual” (em Little Gidding, 4 Quartetos) pode-se aplicar a nossa “jornada de conhecimento do Vinho”. Será?
“We shall not cease from exploration,
And the end of all our exploring
Will be to arrive where we started
And know the place for the first time.” (T.S.Elliot)
++++
Em português, na tradução de Ivan Junqueira:
“Não cessaremos nunca de explorar
E o fim de toda a nossa exploração
Será chegar ao ponto de partida
E o lugar reconhecer ainda
Como da primeira vez que o vimos.”
(Lido por
Tom O’Bedlam o poema ficou assim: Little Gidding, Four Quartets, Eliot, from 4 Quartetos original inglês, por T.S. Eliot)

A boa cepa desta dose vem de “I Drink Therefore I Am” (A Philosopher’s Guide to Wine), p.54, cap. 3 (Le Tour de France). E a tradução, do vinhedo sempre exuberante do poeta brasileiro Ivan Junqueira em “POESIA, T. S. Eliot”, Nova Fronteira, 1981, pág. 234. Scruton fala do “claret”, vinho popular na Inglaterra de sua infância e quando faz o Tour de France é natural que volte ao pensador inglês, nestes termos:
”T.S.Eliot’s famous description of our spiritual journey applies equally to our journey into wine. Beginning from ‘claret’, we venture out in search of strange fruit, exotic landscapes, curious lifestyles and countries with nothing to recommend them save their wines. And after punishing body and soul wint Australian Shiraz, Argentine Tempranillo, Romanian Cabernet Sauvignon and Greek Retsina, we crawl home like the Prodigal Son and beg forgiveness for our folly. ‘Claret’ extends a warm and indulgent embrace, renewing the ancient bond between English thrist and Gascon refreshment, soothing our penitent thoughts with its quiet and clear aroma, sounding its absolution in the depths of the soul. This is the wine that made us and for which we were made, and it often astonishes me to discover that I drink anything else…” (p.54, op. cit.).
(*) Vinhos Clarete, como se diz hoje, é a forma usada para descrever os vinhos tintos de Bordeaux. Em geral, grafado com o “t” mudo: Claret. O que me lembra dos personagens de Whila Cather sobre o livro “A Morte Vem Buscar o Arcebispo”.

Eu bebo, logo existo ou: Roger Scruton é o filósofo do século XXI

Meu amigos,
Como estou bebendo cerveja (e não vinho, como é o comum de minha prática), este post será bem curto.
Um gole rápido em meio à tarde quente de Goiânia. Bebo, logo existo, buscando a moderação.
Graças ao meu filósofo predileto neste novo séculoRoger Scruton Mr. Roger Scruton, começo a refletir sobre vinhos com uma nova mirada, depois de ler o seu livro em referência: Livro do Scruton_Idrink
I drink, Therefore I Am…
  (o livro desta foto está disponível em todas as boas livrarias americanas).

Prometo trazer trechos do livro em pequenas doses. Bebam da boa fonte de Roger Scruton:

There are two Sr. Augustines – the self-doubting soul revealed in “The Confessions”, and the humble servant of God, weighed down by certainties, who wrote the ‘De Trinitate’ and the ‘City of God’. With the first a glass of the local Carthaginian would be appropriate, but since it is no longer exported you could do worse than to replace it with a Moroccan Cabernet Sauvignon. There is an excellent one grown in Meknès, bottled in France, and sold under the Bonassia label by Oddbins. The ‘City of God’ requires many sittings, and I regard it as one of the rare occasions when a drinking person might have legitimate recourse to a coll glass of lager, putting the book to one side just as sonn as the glass of finished.”

Assim começo a entender porque dizemos: eu ‘bebo uma pro Santo’. E Viva Sto. Agostinho!”.