Edmond Jabès (3.1)

Mais uma citação do “Livro das Perguntas”, do qual ainda não encontrei tradução em português e nem ouso fazê-la. Que os amigos francófonos aproveitem e, espero, gostem tanto quanto eu gostei:

“Yukel, tu as toujours été mal dans ta peau, tu n’as jamais été là, mais ailleurs; avant toi ou après toi, comme l’hiver au regard de l’automne, comme l’été au regard du printemps; dans le passé ou dans l’avenir comme les syllabes dont le passage de la nuit au jour est si fulgurant qu’il se confond avec le mouvement de la plume.
“Le présent, pour toi, est ce passage trop rapide pour être saisi. Ce qui reste du passage de la plume, c’est le mot avec ses branches et ses feuilles vertes ou déjà mortes, le mot projeté dans le futur pour le traduire.
“Tu lis l’avenir, tu donnes à lire l’avenir et hier tu n’étais pas et demain tu n’es plus.
“Et pourtant, tu as essayé de t’incruster dans le présent, d’être ce moment unique où la plume dispose du mot qui va survivre.
“Tu as essayé.
“Tu ne peux pas dire ce que veulent tes pas, où ils te mènent. On ne sait jamais très bien où commence l’aventure et où elle finit; et, pourtant, elle commence en un certain lieu et finit quelque part plus loin, à un endroit précis;
” à une certaine heure, un certain jour.
” Yukel, tu as traversé le songe et le temps. Pour ceux qui te voient – mais ils ne te voient pas; je te vois – tu es une forme qui se déplace dans le brouillard.
“Qui étais-tu, Yukel ?
“Qui es-tu, Yukel ?
” ‘Tu’, c’est quelquefois “Je”.
” Je dis ‘Je’ et je ne suis pas ‘Je’. ‘Je’ c’est toi et tu vas mourir. Tu es vidé.
” Désormais, je serai seul.” (…) .

+++++
Fonte:  JABÈS, Edmond. “Le Livre des Questions (1)”. Paris, Gallimard, 1964, p.37-38.
Alguns amigos não-francófonos reclamaram não entender nada. Já os adverti que saber Francês não os faz ganhar mais dinheiro, senão que um pouco de alegria com a Literatura. E como a França se transformou num país dominado por ‘bárbaros’, em que a tradição católica abdicou de dirigir o país, eu pouco volto lá e pouco tomo seus vinhos (é minha forma de punir os cristãos que abdicaram de seu próprio país e praticaram a ‘Oikophobia’ – Scruton 2011), enfim. Tento abaixo traduzir livremente e sem academicismo o que diz o texto acima:

“Yukel, tu te sentes mal em tua própria pele.
É como se nunca te sentisses onde estás, mas alhures. Antes de ti mesma ou depois.
Como se fosses o inverno à espera do outono. Ou o Verão à espera da primavera. Vives no passado ou no futuro, como tu fosses sílabas na passagem da noite ao dia, tão fulgurantes como se confundissem com o movimento da pena no papel.
O presente para ti, Yukel, é passagem tão rápida que não pode ser entendida. Como se fosse o que resta da pena, é a palavra e seus galhos e folhas verdes ou, quem sabe, folhas mortas: a palavra projetada no futuro a ser traduzida.
Tu lês o futuro, Yukel, tu ofereces pra ler o futuro; ontem tu não eras nada e amanhã não será mais.
No entanto, tu tentas te inserir no presente, e ser parte deste momento único onde a pena dispõe da palavra que vai sobrevir.
Tu tentastes, Yukel.
Tu não podes dizer o que queres, onde eles desejam. Não se sabe nunca bem onde começa a aventura e onde ela termina.
No entanto, sabe-se que ela começa num lugar e termina sabe-se Deus aonde, mais um lugar exato…
…numa hora exata e num dia certo.
Yukel, atravestastes o sonho e o tempo.
Para aqueles que te veem – mas é certo que não te veem de fato – tu és uma forma que se desloca na neblina.
Quem fostes tu, Yukel ?
Quem és tu, Yukel ?
Tu, de vez em quando, sou Eu.
Eu digo “Eu” e não sou eu mesmo.
Eu sou o que vai morrer. E tu estás sem nada dentro de Ti. Tu estás Vazia.
Doravante, eu ficarei sozinho. (…)

Edmond Jabès (3.1)

Mais uma citação do “Livro das Perguntas”, do qual ainda não encontrei tradução em português e nem ouso fazê-la. Que os amigos francófonos aproveitem e, espero, gostem tanto quanto eu gostei:

“Yukel, tu as toujours été mal dans ta peau, tu n’as jamais été là, mais ailleurs; avant toi ou après toi, comme l’hiver au regard de l’automne, comme l’été au regard du printemps; dans le passé ou dans l’avenir comme les syllabes dont le passage de la nuit au jour est si fulgurant qu’il se confond avec le mouvement de la plume.
“Le présent, pour toi, est ce passage trop rapide pour être saisi. Ce qui reste du passage de la plume, c’est le mot avec ses branches et ses feuilles vertes ou déjà mortes, le mot projeté dans le futur pour le traduire.
“Tu lis l’avenir, tu donnes à lire l’avenir et hier tu n’étais pas et demain tu n’es plus.
“Et pourtant, tu as essayé de t’incruster dans le présent, d’être ce moment unique où la plume dispose du mot qui va survivre.
“Tu as essayé.
“Tu ne peux pas dire ce que veulent tes pas, où ils te mènent. On ne sait jamais très bien où commence l’aventure et où elle finit; et, pourtant, elle commence en un certain lieu et finit quelque part plus loin, à un endroit précis;
” à une certaine heure, un certain jour.
” Yukel, tu as traversé le songe et le temps. Pour ceux qui te voient – mais ils ne te voient pas; je te vois – tu es une forme qui se déplace dans le brouillard.
“Qui étais-tu, Yukel ?
“Qui es-tu, Yukel ?
” ‘Tu’, c’est quelquefois “Je”.
” Je dis ‘Je’ et je ne suis pas ‘Je’. ‘Je’ c’est toi et tu vas mourir. Tu es vidé.
” Désormais, je serai seul.” (…) .

+++++
Fonte:  JABÈS, Edmond. “Le Livre des Questions (1)”. Paris, Gallimard, 1964, p.37-38.
Alguns amigos não-francófonos reclamaram não entender nada. Já os adverti que saber Francês não os faz ganhar mais dinheiro, senão que um pouco de alegria com a Literatura. E como a França se transformou num país dominado por ‘bárbaros’, em que a tradição católica abdicou de dirigir o país, eu pouco volto lá e pouco tomo seus vinhos (é minha forma de punir os cristãos que abdicaram de seu próprio país e praticaram a ‘Oikophobia’ – Scruton 2011), enfim. Tento abaixo traduzir livremente e sem academicismo o que diz o texto acima:

“Yukel, tu te sentes mal em tua própria pele.
É como se nunca te sentisses onde estás, mas alhures. Antes de ti mesma ou depois.
Como se fosses o inverno à espera do outono. Ou o Verão à espera da primavera. Vives no passado ou no futuro, como tu fosses sílabas na passagem da noite ao dia, tão fulgurantes como se confundissem com o movimento da pena no papel.
O presente para ti, Yukel, é passagem tão rápida que não pode ser entendida. Como se fosse o que resta da pena, é a palavra e seus galhos e folhas verdes ou, quem sabe, folhas mortas: a palavra projetada no futuro a ser traduzida.
Tu lês o futuro, Yukel, tu ofereces pra ler o futuro; ontem tu não eras nada e amanhã não será mais.
No entanto, tu tentas te inserir no presente, e ser parte deste momento único onde a pena dispõe da palavra que vai sobrevir.
Tu tentastes, Yukel.
Tu não podes dizer o que queres, onde eles desejam. Não se sabe nunca bem onde começa a aventura e onde ela termina.
No entanto, sabe-se que ela começa num lugar e termina sabe-se Deus aonde, mais um lugar exato…
…numa hora exata e num dia certo.
Yukel, atravestastes o sonho e o tempo.
Para aqueles que te veem – mas é certo que não te veem de fato – tu és uma forma que se desloca na neblina.
Quem fostes tu, Yukel ?
Quem és tu, Yukel ?
Tu, de vez em quando, sou Eu.
Eu digo “Eu” e não sou eu mesmo.
Eu sou o que vai morrer. E tu estás sem nada dentro de Ti. Tu estás Vazia.
Doravante, eu ficarei sozinho. (…)

Quarto domingo do tempo comum, 2012

image Vem rezar, não importa onde…
Esta foto é de uma capelinha é em Phoenix, AZ, USA.
Mas pode ir ao lado de casa, num bairro distante ou ao meio do caminho, desde que possas rezar, pela paz no mundo, pela família, dando graças a Deus pelas bençãos recebidas.
No evangelho deste domingo, Jesus se põe a ensinar com autoridade.
O Evangelho deste domingo: (Mc 1, 21-28) – Em Cafarnaum, no sábado, Jesus foi à sinagoga e se pôs a ensinar. Todos ficavam admirados de sua doutrina, pois ele os ensinava como quem possui autoridade e não como os escribas. Havia na sinagoga um homem com um espírito impuro, que gritou: “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!” Mas Jesus o intimou, dizendo: “Cala-te e sai deste homem”. Agitando-o violentamente, o espírito impuro deu um grande grito e saiu. Ficaram todos tão espantados que perguntavam uns aos outros: “O que é isso? Uma doutrina nova, dada com autoridade! Ele manda até nos espíritos impuros e eles lhe obedecem”. E sua fama se espalhou logo por toda parte, em todas as regiões da Galiléia
http://bit.ly/wP1eFY

Alain, seu nome é melancolia

Em meio a uma semana de trabalho (ainda de reconhecimento do novo terreno comercial e de negócios) neste novo território nomeado 2012, evito o BrasilPolicialPermanente – que é o nome do noticiário de TV aberta (já abolida há tempos de minha vida) e até mesmo, de vez em quando, o rádio, tão amado: ouço MP3 e Cd´s no automóvel na longa jornada até o trabalho.
E quem ouço?
– De preferência música francesa e música italiana (ah, les cousins les italiens...) e c´est tout.
Isso quando não estou mal-humorado. Porque, se sim: só valem os eruditos e, assim mesmo, de preferência as sonatas de Mozart; de Bach; as elaborações de Monteverdi e uns poucos músicos que não me causam mal-humor (até admito, meus queridinhos da ópera, se no sangue não me faltar cafeína e se não for muito cedo).
Mas quando volto pra casa num dia bom assim, um pôr-de-sol de um dia assim, – em que não sinto úmido até os ossos – é hora de ouvir SOUCHON.
Eis meu companheiro inseparável, nesta trilha sonora da volta à casa.

Vamos combinar com você que faltou à imersão na Chanson Française, il y a quelques années, RFI ou Radio Universitária Goiânia onde mantive (por 8 anos) o “Conexão França” – o programa que trazia até os ouvintes (poucos mas inteligentes) o melhor da música francesa e européia daquela ´atualidade`.

Mas agora me ocupo de pensar sobre Le Roy de la Mélancolie. Son nom ? Alain.
Souchon, Alain. “Adolescent éternel, toujours aux aguets, toujours prêt à s´étonner, à s´émouvoir devant la beauté du monde et devant les surprises qui sans cesse s´offrent à l´homme. Adolescent il l´est par sa mélancolie, son ironie, son humour, sa façon de ne rien prendre totalement au sérieux.” (1)
E é dentro desse humor do ‘eterno adolescente Alain’ que vamos encontrar as pitadas de ironia, de um humor muito pessoal e da melancolia como traço unificador de suas melodias e letras, em sua maioria com o parceiro inseparável Laurent Voulzy.

Já disse e repito que Souchon não deve ser ouvido nas manhãs de segundas-feiras (frase de resto copiada a um comentarista da rádio Nostalgie/FR), naturalmente, porque para quem é francófono e acompanha a letra, além da melodia (e assim pode entender a tristeza que emana do coração Souchoniano); e, ele próprio (ouvinte) tem o coração sensível; mas agora falo do Souchon pra se ouvir com presteza quando o sol se põe.

Ele tem um humor diferenciado, é criativo, tem o parceiro adequado (Laurent Voulzy) para as letras –  e olha que não é nenhum P.Coelho, sorry Raulzito!).
É um sujeito a se conhecer, mesmo por aquele brasileirinho (a caminho da 5a. economia do mundo e amargando um 126º lugar no ranking do melhor ambiente de negócios no mundo), que acha que a MPB é o centro do universo – e se irrita quando vai aos States e só ouve sua música no elevador.
Souchon é capaz de rir da própria desgraça: a França perdendo espaço para os commerçants etc. Não quis ilustrar cada frase com uma canção, nem quis fazer deste post  (de 4a.-feira futebolística) uma coisa acabada sobre o cantor admirador do Abby Pierre.

Um homem capaz de fazer da Melancolia seu tema recorrente – assim definida pelo Petit Robert:
Mélancolie – n.f. 1. État de tristesse accompagné de rêverie.
Voilà, notre ami Souchon défini par la langue Française.
(trad. Melancolia –  subst. feminino em francês. Estado de alma que se caracteriza pela tristeza acompanhada de devaneios).

E em música e letra por Souchon, esta canção emocionante sobre a perda de um amor e, ainda assim, mantendo a ironia, como quem ri de sua própria desgraça.

Sous mon pull-over, pas tranquille,
Ça fait boumboum, c’est pas docile.
Elle est partie faire du voilier
Avec ce grand crétin frisé.

(Refrain)
J’ai perdu tout c’que j’aimais… (3x)
J’ai perdu tout c’que j’aimais. (2x)

Je traîne en souliers bicolores,
Paille et phosphore dans l’eau du port.
C’est une mélancolie banale,
Vodka orange et Gardénal.

(Refrain)

Tu vas pas rester là si tard,
Assis, à regarder la grande mare.
Laisse les camélias, le revolver,
C’est pas un décor bord de mer.

(Refrain)
E, finalmente, é por conta dessa canção que quase intitulei este post musical de “Vodka orange et Gardénal” – que, convenhamos, não é receita de um cristão para um estado d´alma melancólico(a).
A tout à l´heure. Beto.

+++++
Fontes: (1) CANNAVO, Richard. Alain Souchon. Ed. Club des Stars, 1987. p.5. – em tradução livre: “Eterno adolescente, Souchon está sempre alerta, sempre pronto se surpreender e se emocionar diante da beleza do mundo e diante do surpreendente que com frequência se apresenta ao homem. É adolescente por sua melancolia, por sua ironia e seu humor – sua forma própria de não levar tudo muito a sério.” (Para entender isso, se não conhece bem a música de Souchon, recomendo visitar seu site oficial. Clique sobre esse tópico e este outro que são boas amostras do senso de l’humeur Souchoniano).

Alain, seu nome é melancolia

Em meio a uma semana de trabalho (ainda de reconhecimento do novo terreno comercial e de negócios) neste novo território nomeado 2012, evito o BrasilPolicialPermanente – que é o nome do noticiário de TV aberta (já abolida há tempos de minha vida) e até mesmo, de vez em quando, o rádio, tão amado: ouço MP3 e Cd´s no automóvel na longa jornada até o trabalho.
E quem ouço?
– De preferência música francesa e música italiana (ah, les cousins les italiens...) e c´est tout.
Isso quando não estou mal-humorado. Porque, se sim: só valem os eruditos e, assim mesmo, de preferência as sonatas de Mozart; de Bach; as elaborações de Monteverdi e uns poucos músicos que não me causam mal-humor (até admito, meus queridinhos da ópera, se no sangue não me faltar cafeína e se não for muito cedo).
Mas quando volto pra casa num dia bom assim, um pôr-de-sol de um dia assim, – em que não sinto úmido até os ossos – é hora de ouvir SOUCHON.
Eis meu companheiro inseparável, nesta trilha sonora da volta à casa.

Vamos combinar com você que faltou à imersão na Chanson Française, il y a quelques années, RFI ou Radio Universitária Goiânia onde mantive (por 8 anos) o “Conexão França” – o programa que trazia até os ouvintes (poucos mas inteligentes) o melhor da música francesa e européia daquela ´atualidade`.

Mas agora me ocupo de pensar sobre Le Roy de la Mélancolie. Son nom ? Alain.
Souchon, Alain. “Adolescent éternel, toujours aux aguets, toujours prêt à s´étonner, à s´émouvoir devant la beauté du monde et devant les surprises qui sans cesse s´offrent à l´homme. Adolescent il l´est par sa mélancolie, son ironie, son humour, sa façon de ne rien prendre totalement au sérieux.” (1)
E é dentro desse humor do ‘eterno adolescente Alain’ que vamos encontrar as pitadas de ironia, de um humor muito pessoal e da melancolia como traço unificador de suas melodias e letras, em sua maioria com o parceiro inseparável Laurent Voulzy.

Já disse e repito que Souchon não deve ser ouvido nas manhãs de segundas-feiras (frase de resto copiada a um comentarista da rádio Nostalgie/FR), naturalmente, porque para quem é francófono e acompanha a letra, além da melodia (e assim pode entender a tristeza que emana do coração Souchoniano); e, ele próprio (ouvinte) tem o coração sensível; mas agora falo do Souchon pra se ouvir com presteza quando o sol se põe.

Ele tem um humor diferenciado, é criativo, tem o parceiro adequado (Laurent Voulzy) para as letras –  e olha que não é nenhum P.Coelho, sorry Raulzito!).
É um sujeito a se conhecer, mesmo por aquele brasileirinho (a caminho da 5a. economia do mundo e amargando um 126º lugar no ranking do melhor ambiente de negócios no mundo), que acha que a MPB é o centro do universo – e se irrita quando vai aos States e só ouve sua música no elevador.
Souchon é capaz de rir da própria desgraça: a França perdendo espaço para os commerçants etc. Não quis ilustrar cada frase com uma canção, nem quis fazer deste post  (de 4a.-feira futebolística) uma coisa acabada sobre o cantor admirador do Abby Pierre.

Um homem capaz de fazer da Melancolia seu tema recorrente – assim definida pelo Petit Robert:
Mélancolie – n.f. 1. État de tristesse accompagné de rêverie.
Voilà, notre ami Souchon défini par la langue Française.
(trad. Melancolia –  subst. feminino em francês. Estado de alma que se caracteriza pela tristeza acompanhada de devaneios).

E em música e letra por Souchon, esta canção emocionante sobre a perda de um amor e, ainda assim, mantendo a ironia, como quem ri de sua própria desgraça.

Sous mon pull-over, pas tranquille,
Ça fait boumboum, c’est pas docile.
Elle est partie faire du voilier
Avec ce grand crétin frisé.

(Refrain)
J’ai perdu tout c’que j’aimais… (3x)
J’ai perdu tout c’que j’aimais. (2x)

Je traîne en souliers bicolores,
Paille et phosphore dans l’eau du port.
C’est une mélancolie banale,
Vodka orange et Gardénal.

(Refrain)

Tu vas pas rester là si tard,
Assis, à regarder la grande mare.
Laisse les camélias, le revolver,
C’est pas un décor bord de mer.

(Refrain)
E, finalmente, é por conta dessa canção que quase intitulei este post musical de “Vodka orange et Gardénal” – que, convenhamos, não é receita de um cristão para um estado d´alma melancólico(a).
A tout à l´heure. Beto.

+++++
Fontes: (1) CANNAVO, Richard. Alain Souchon. Ed. Club des Stars, 1987. p.5. – em tradução livre: “Eterno adolescente, Souchon está sempre alerta, sempre pronto se surpreender e se emocionar diante da beleza do mundo e diante do surpreendente que com frequência se apresenta ao homem. É adolescente por sua melancolia, por sua ironia e seu humor – sua forma própria de não levar tudo muito a sério.” (Para entender isso, se não conhece bem a música de Souchon, recomendo visitar seu site oficial. Clique sobre esse tópico e este outro que são boas amostras do senso de l’humeur Souchoniano).

Vargas Llosa analisa ‘Os miseráveis’, de Victor Hugo

Vargas Llosa analisa ‘Os miseráveis’, de Victor Hugo – Prosa & Verso: O Globo.
Impecável texto do poeta Ivo Barroso sobre este “presente inusitado, por ser muito mais que uma biografia e englobar a vida e a obra de Hugo, chega-nos agora este ensaio que Mario Vargas Llosa desenvolveu a partir de um curso de Literatura Europeia Comparada, ministrado na Universidade de Oxford em 2004, e ao qual deu o título lamartiniano de “A tentação do impossível” (a obra chegará às livrarias dia 6 de fevereiro).”
Com o aniversário chegando, 05.02, taí um item para minha Wish List. (AQ)

Edmond Jabès (2)

“…Je me lève avec la page que l’on tourne, je me couche avec la page que l’on couche. 
Jabès JAN12
Pouvoir répondre: ‘Je suis de la race des mots avec lesquels on bâtit les demeures’, sachant pertinemment que cette réponse est encore une question, que cette demeure est menacée sans cesse.
” J’évoquerai le livre et provoquerai les questions.
” Si Dieu est, c’est parce qu’Il est dans le livre; si les sages, les saints et le prophètes existent, si les savants et les poètes, si l’homme et l’insecte existent, c’est parce qu’on trouve leurs noms dans le livre. Le monde existe parce que le livre existe; car exister, c’est croître avec son nom.
” Le livre est l’oeuvre du livre. Il est le soleil qui enfante la mer, il est la mer qui révèle la terre, il est la terre qui sculpte l’homme; autrement soleil, mer, terre et homme seraient foyer de lumière sans objet, eau mouvante sans départs ni retours, luxuriance des sables sans présence, attente de chair et d’esprit sans voisinage, n’ayant pas de correspondant, n’ayant ni doubles ni contraires.
” L’éternité égrène l’instant avec le verbe.
” Le livre multiplie le livre.(…)”

+++++
Fonte: Jabès JAN12 (2) JABÈS, Edmond. “Le Livre des Questions (1)”. Paris, Gallimard, 1964, p.36-37. Saber mais: Jabès.

E para os francófonos, deixo Jabès na Universalis.