Trenzinho caipira

Foi brincando com meu neto, antes da sonequinha que me garantiu vir aqui (to do a quick post), que pensei em quanta saudade o trem – meio de transporte – me causa.

O barulhinho de ´tchu-tchu, train` que Lucas emitia, enquanto brincava com sua pequena composição, me fez lembrar de mil referências emocionais e afetivas relacionadas ao trem.

Algumas são musicais, como o Trenzinho Caipira (F.Gullar-Villa-Lobos), o Trenzinho na voz do João…e, mais recentemente, The Train, canção do The Nits.

Outras lembranças são literárias e musicais, ao mesmo tempo:

Penso agora que minha memória afetiva registrou Milton, mas só acho EDU Lobo com a interpretação para o Trenzinho.

A evasão é sonho antigo, viajando de trem.

Post-post: a memória me traiu, pois o arranjo para o poema é mesmo de Edu Lobo. O outro trem que andava rondando a memória era o Trem Azul, este sim do Milton Nascimento.

Livros novos: novos Bernanos

Alegria ao receber da Amazon.Fr 2 novos livros:
1 – Hans Urs von BALTHASAR “Le Chrétien Bernanos“, ed. Parole et Silence, 2008;  e

2 – “Brésil, terre d´amitié” (G.B.), ed. La Table Ronde, 2009. Seleção de textos, anotações e prefácio de Sébatien Lapaque.
Em breve, poderei comentá-los.

Por ora, compartilho a alegria de livro novo em minha mesa de leitura.Capas Novos Livros Bernanos

Dúvida e fé (3)

Uma citação do Papa Bento xvi, neste contexto

Extraída do Cap.1-I, do livro Introdução ao Cristianismo(*)

“A essa altura talvez convenha voltar a nossa atenção para uma história judaica registrada por Martin Buber, porque nela manifesta-se com toda evidência o dilema da condição humana que acabamos de descrever:
um dos iluministas, um homem culto, tinha ouvido falar de Berditshever. Então o procurou para discutir com ele, como era seu costume, para refutar os argumentos atrasados que ele usava para provar a verdade de sua fé. Quando entrou na sala do Zadique, viu-o andar de um lado para o outro, com um livro na mão, refletindo com todo fervor. Nem reparou no recém-chegado. Depois de algum tempo parou, olhou distraidamente para ele e disse: ´Mas talvez seja verdade`. Em vão o erudito juntou toda a sua auto-estima; as pernas começaram a tremer-lhe, porque a visão do Zadique era terrível, assim como foi terrível a sua sentença singela. O Rabi Levi Itsaque voltou então toda a sua atenção para ele e disse serenamente: ´Meu filho, os grandes da Torá, com os quais você discutiu, gastaram as suas palavras em vão, porque quando você foi embora, riu-se deles. Eles não foram capazes de colocar Deus e o seu Reino na mesa diante de você, nem eu posso fazer isso. Mas pense, meu filho, talvez seja verdade`. O iluminista juntou todas as suas forças interiores para dar uma resposta à altura, mas o terrível ´talvez` que lhe ressou nos ouvidos quebrou toda a sua resistência” (1).

“Penso que esse episódio, apesar de sua linguagem estranha, descreve com precisão a situação do ser humano diante da questão de Deus. Ninguém é capaz de colocar Deus e seu Reino na mesa diante do outro, nem o próprio fiel é capaz disso. Mas, por mais que o incrédulo se sinta com a razão, resta-lhe o assombro desse `talvez seja verdade mesmo assim´. O ´talvez´é a grande tentação da qual ele não consegue fugir e na qual também ele precisa experimentar a irrecusabilidade da fé dentro da própria recusa. Em outras palavras: tanto o fiel como o incrédulo participam, cada um à sua maneira, da dúvida e da fé, desde que não se escondam de sii mesmos e da verdade de seu ser. Nenhum consegue fugir totalmente da dúvida, nem da fé; para um, a fé marca presença contra a dúvida, para o outro, a fé está presente pela dúvida e na forma da dúvida. Faz parte da configuração fundamental do destino humano poder encontrar o caráter definitivo de sua existência tão somente na rivalidade interminável entre a dúvida e a fé, entre a tentação e a certeza. Talvez seja justamente a dúvida, que preserva ambos da reclusão exclusiva em seu próprio eu, o lugar em que a comunicação poderá realizar-se. É ela que impede ambos de se fecharem completamente em si próprios, é ela que quebra a casca de quem tem fé, abrindo-o para aquele que duvida, e abre a casca de quem duvida para aquele que tem fé; para um, a dúvida é a sua maneira de participar do destino do incrédulo, para o outro é a forma que a fé encontra para continuar sendo um desafio para ele.”

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(*)RATZINGER, J. “Introdução ao Cristianismo”, Ed.Loyola, 2005, trad. Alfred J. Keller, p.36.

(1)BUBER, Martin. “Werke III”, Munique e Heildeberg, 1963, p.348.

Presença e permanência de Georges Bernanos

Um amigo virtual e francófono, Juan Asensio, crítico literário que mantém o blog Stalker, na seqüência de uma troca de mensagens (há algum tempo atrás), sobre o consagrado autor francês Georges Bernanos, me provocou a encontrar filiações bernanosianas no Brasil. Uma resposta difícil, confesso! Girei sobre o assunto e respondi sem nada dizer de exato sobre a questão… vejam como ficou.

Do tempo que passou no Brasil (1938-1945), em meio a uma vida sempre nômade, Georges Bernanos angariou muitas amizades e influenciou uma série de escritores, mas não acho que tenha criado discípulos na ficção; na vida, ao contrário, semeou muitas amizades e registrou várias polêmicas – sem , talvez, ter deixado inimigos públicos.

Bernanos à la moto...
Bernanos à la moto...

Dos amigos que fez em seu exílio brasileiro, Bernanos recebeu a bela homenagem no livro “Bernanos no Brasil: Testemunhos Vividos”, editado pela editora Vozes, em 1968, artigos de verdadeiros admiradores de Bernanos, coligidos e apresentados por Hubert Sarrazin. O livro se refere aos sete anos da vivência brasileira do escritor francês e reúne textos de respeitáveis homens da cultura brasileira da época, nomes de “notoriedade pública” que, segundo Sarrazin “representam o escol, a cultura, o pensamento intelectual e moral do Brasil”: Jorge de Lima, Alceu Amoroso Lima, Henrique J Hargreaves, Jean-Bénier, Virgílio de Mello Franco, Augusto Frederico Schmidt, Álvaro Lins, Geraldo França de Lima, Hélio Pelegrino, Paul Gordan entre outros.

Mas mesmo entre esses, desconheço um romancista brasileiro que tenha sucedido Bernanos nos mesmos temas (com igual talento). Tem o leitor a liberdade de fazer correlação dos temas bernanosianos com outros romances brasileiros como Geraldo França de Lima, Carlos Heitor Cony, Autran Dourado ou Antonio Callado – menos pelo anticlericalismo (de natureza diversa da exercida pelos exemplos citados), tampouco por sua ortodoxia, mas sim pela retomada de temas recorrente: a vida religiosa, a persistência do pecado no ser humano, o sacerdócio, a expiação da culpa, o ambiente místico da Igreja e os dilemas dos homens (e mulheres) que vivem dentro e em torno dela. Mas a crítica e os estudos sobre Bernanos entre nós, tampouco, ajudam muito nessa pesquisa.

Recentemente, um estudo francês trouxe a melhor contribuição para aclarar a profundidade das filiações de Bernanos em nosso ambiente cultural. Sébastien Lapaque traça em “Sous Le Soleil de L´Exil” (2003) a importância que aquele “time de escol” teve para manter a memória de Bernanos no Brasil. É claro que nenhum deles sustentaria a permanência de Bernanos entre os leitores não tivesse ele o talento que teve (e tem, pois que eterno, sem nunca ter entrado numa Academia de Letras). Seu admirador Geraldo França de Lima entrou (ABL) e, convenhamos, por mais que seu talento tenha sido reconhecido por, ninguém mais, nem menos, que Guimarães Rosa (elogio em público ao seu talento), não escovaria os sapatos do mestre Bernanos. Em outro momento me ocuparei de resenhar Lapaque escondendo o desejo de traduzi-lo para o português, pois que é o melhor depoimento jornalístico e de reconstrução da memória que Bernanos poderia receber chez nous, como homenagem jornalística, ao mesmo tempo acurada e afetiva.

É elogiável que tenhamos nesses dois livros a tentativa de esboçar o perfil do gigante Bernanos, a quem, recentemente vimos ressurgir na mídia francesa, em meio à família dos “escritores místicos”, tipologia que tanta influência política exerceu em sua época (Bloy, Péguy, Bernanos), como parte da genealogia literária francesa dos escritores que, por derradeiro, viram florescer sua personalidade e capacidade de influência política, sem culpa de ter feito leitores e cabeças na alta direção de seu país (França) e no estrangeiro (como Bernanos no Brasil).Originais GB 5

O crítico e historiador da literatura, Otto Maria Carpeaux, apesar de sua conhecida má-vontade com os escritores católicos franceses – embora fosse ele próprio católico (e ainda mais: um judeu convertido!) – dedica algumas linhas em sua História da Literatura Ocidental para classificar Bernanos como “um cruzado da Fé e da Honra contra a hipocrisia, contra a corrupção de valores”. O depoimento de Carpeaux vem carregado, provavelmente, das dificuldades que sobre ele, crítico, devem ter desabado em meio à polêmica mantida com Bernanos, registrada por Olavo de Carvalho no prefácio de Ensaios Reunidos, vol.1 (citando Andreas Pfersmann, Carpeaux vs. Bernanos, 1993).

Assim, a avaliação puramente literária que Carpeaux fez de Bernanos não é nada animadora, pois, para ele, Bernanos não passa de “um talentoso panfletário” – o que, convenhamos, é uma injustiaça! Carpeaux classifica “Sous le soleil de Satan” como um “romance gótico composto de exaltação mística e sensacionalismo grosseiro”.

O panfleto seria, segundo Carpeaux, o melhor gênero da expressão bernanosiana – de cuja cepa teria ele, Bernanos, gerado o melhor exemplo do gênero em língua francesa, depois de Rousseau – amostra maior dessa vertente na obra de Bernanos, segundo o crítico, seria “Les Grands Cimetières sous la Lune” (1936), panfleto dirigido contra os católicos da direita francesa.

No entanto, a resposta de Bernanos, que em seu exílio brasileiro não produzira , até aquela época, nenhum romance é negação do parecer de Carpeaux:
Não sou nem polemista nem panfletário. Menos ainda um doutrinário. Deus sabe o desgosto que tenho por já não escrever romances. É um grande sacrifício para mim. Mas quero devolver às pessoas seus reflexos de boa vontade, de sinceridade…“.

Mas a voz lúcida de Bernanos não se calou e, do mais fundo Brasil, falava a seus compatriotas, tentando esclarecê-los sobre o que considerava a “derrota das consciências” e a tripla corrupção – nazista, fascista e marxista na França, donde se evadiu porque o ambiente era irrespirável para a consciência do escritor. Durante o exílio brasileiro, é, majoritariamente, vivendo no interior de Minas que ele escreve “Nous Autres Français”, “Scandale de la Vérité” e uma série de artigos, publicados em jornais brasileiros ou em jornais clandestinos da França ocupada; ou divulgados pela rádio em Londres. Os artigos escritos no exílio brasileiro foram reunidos nos livros intitulados “Le Chemin de la Croix-des-Âmes”, “Le Lendemain, C´est vous!”, “La Vocation Spirituelle de la France”, “La France Contre les Robots” e o bombástico “Lettre aux Anglais”.

Isso nos coloca diante da filiação em política. Teria sido por essa vertente que teríamos filiados? Tampouco, penso eu. Politicamente, onde se situa Bernanos? Vejamos a resposta do professor e filósofo Olavo de Carvalho:

– “Homem de direita por temperamento, conservador e monarquista apegado aos valores da vida rural francesa, não hesitou em voltar-se contra seus correligionários para condenar, primeiro, sua omissão ante os excessos do franquismo e, depois, sua cumplicidade com o invasor alemão. E quando a esquerda começou então a cortejá-lo, respondeu que o esquerdismo era a manifestação suprema da imbecilidade universal. Nunca se curvou a ninguém exceto à sua consciência cristã, e mesmo o General de Gaulle, que ele proclamava admirar, confessava: “Esse eu nunca consegui amarrar na minha carroça… “.

Em outro trecho, Carvalho sublinha que Bernanos não teme nem hesita em criticar essa mesma direita (francesa) em cujas fileiras Bernanos fora contado: “sem abjurá-la ideologicamente, ele a acusava de omissão ante os massacres franquistas em Palma de Majorca” (Les Grands Cimetières…).
Bernanos

Tendo voltado à França, em julho de 1945, por convocação do general de Gaulle, Bernanos que estivera ao lado do General desde o armistício, recusa sucessivos convites para cargos de ministro, embaixador e mesmo para a Academia Francesa. Fiel ao seu espírito nômade, Bernanos não fica muito tempo em Paris, passando, sucessivamente, por Sisteron, Bandol, Chapelle-Vendômoise. É de seu filho, Jean-Loup Bernanos a resposta mais acurada à pergunta acima:

– “Visceralmente livre e incapaz de submeter sua consciência ao mínimo compromisso, Bernanos é o exemplo cabal de um homem que nunca se sentiu confortável com as classificações políticas habituais. Profundamente católico, era, ao mesmo tempo e a seu modo, anticlerical e anticonservador – que o prova sua reação à repressão franquista em Palma de Majorca; aparentemente próximo da esquerda por esse ato, ao retornar à França, considera insuportável o ambiente de ascenção dos partidos de esquerda e estes julgam seus artigos profundamente reacionários. E finaliza: “na verdade, Bernanos tinha a nostalgia do tempo em que as noções de direita e esquerda não existiam”. Nostagia de “l’ancienne France, si unie et si diverse à la fois où chaque Français pouvait trouver sa place, l’occuper avec honneur…” (em Notice biographique, dans Georges Bernanos, ‘Romans’, Omnibus/Plon, 1994).

O crítico Otto Maria Carpeaux, em sua História da Literatura Ocidental formulou outra importante questão (tal como a de Asensio): pode Bernanos ter sucessores?

– Resposta positiva ele encontrava apenas em Luc Estang, que para Carpeaux é “literariamente mais audacioso que seu mestre”, para reafirmar, no entanto, que “a ortodoxia de Bernanos só colhe honra e glória com o que a crítica literária tenha afirmado contra ele”. O que parece inteira verdade inclusive em relação ao que disse e deixou de dizer o mestre Carpeaux.

Álvaro Lins, por sua vez, afirma que não é nos padrões canônicos do romance, de seus modelos acadêmicos que podemos enquadrar a obra de Bernanos, porque este seria “da raça dos escritores que usam os gêneros literários como personalíssimos instrumentos. Panfleto, romance, eloqüência? O seu gênero é o do seu temperamento dramaticamente poderoso de genuíno grande-homem; e o do seu estilo singularmente estrutural de autêntico grande escritor.”

Diante desse conflito em que o próprio crítico se coloca, Álvaro Lins extrai a solução do temperamento como explicação: “do romance católico de Bernanos não se dirá apenas que é o romance de almas, mas um romance de almas em oposição”.

Examinando a natureza dessa oposição, Álvaro Lins acrescenta:
– “O romance de Bernanos é o das oposições: entre almas, entre sentimentos, entre instituições; e seu ponto de partida cifra-se numa idéia que está expressa em “Monsieur Ouine”: a de que não há fogo no inferno, mas frio. O fogo, que é a vida, está do lado divino. E é pelo fogo que o católico se configura em face do mundo, num movimento que deve ser mais de oposição do que de integração”.

Mas, afinal, quem é Bernanos para os leitores atuais?
Infelizmente, parece que a melhor resposta é que Bernanos continua um desconhecido da nova geração de leitores, embora dois ou três de seus livros (Diário de um Pároco de Aldeia, sobretudo) continuem sendo vendidos, lidos e comentados, mesmo que esta geração midiática não o conheça mais profundamente.
Bernanos e ses Romans

Ainda cabe citar o filósofo Olavo de Carvalho, que classifica Bernanos como “romancista de gênio e temível polemista que se dizia conservador, mas cuja identidade se tornava difícil de catalogar depois de páginas coléricas contra os judeus e contra os nazistas, contra aristocratas e burgueses, contra comunistas, contra Franco, contra socialdemocratas e contra o Governo de Vichy”. E finaliza, em tom irônico, dizendo que “Bernanos não poupava ninguém, exceto Santa Terezinha do Menino Jesus e o General de Gaulle”.

Em conclusão, Bernanos não há de ter filhos literários, mas de crença. E sua literatura, sem servir ao modelo de catequização é, além, e acima de tudo, modelo da expressão da Fé e da Esperança, porque para ele “nossa felicidade interior não nos pertence mais do que a obra que ela motiva”. Ninguém melhor que Bernanos poderia ilustrar essa legenda. (AQ) ©

Emily Dickinson, 28/100*

The Pedigree of Honey  –
Does not concern the Bee  –
A Clover, any time, to him,
Is Aristocracy –
O ´pedigree´ do mel
Não interessa à abelha.
Um trevo para ela –
Em qualquer hora do dia –
É Aristocracia.

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(*) Fonte: Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas” (656). Tradução Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Ed/Usp, 1985, pág. 142/143

Henry James (i)

Diversão e prazer na leitura. A melhor síntese pra quem está na pág. 90, é essa:

A taça dourada
A taça dourada

O romancista Thomas Hardy, contemporâneo de James, dizia que ele tinha uma maneira particular de ´dizer nada em frases infinitas´. A prosa de James é, por contraditório que isso seja, um prazer exasperante.

(Jerônimo Teixeira)
Para os apaixonados pelo escritor “americano por acaso” (como diz a apaixonada leitora Carla Silva), recomendo que leia mais sobre HJ no ex-blog da Claire, de onde extraí essas amostras:

I – Sempre afirmei que Henry James era estadunidense por acidente, por assim dizer; que seu estilo, sua elegância, eram muito visíveis, marcantes, e portanto mais ingleses do que americanos (estes, entre as suas muitas qualidades, não contam a elegância). Esquecia-me, ou não pesei como deveria, o amor de Henry James aos escritores franceses como Balzac.

II – Nove Razões para amar Henry James.

Simenon (2)

Maigret
Maigret

Bem à vontade com o fim-de-semana prolongado.
Isso porque tenho várias e boas razões para relaxar e ficar bem sossegado.
A mais importante é que nossa casa está de novo um ninho cheio, com a presença das filhas e do nosso neto.

Recebemos amigos, fomos recebidos por outros e, entre os momentos tomando conta do Lucas e do jardim, um tempinho para ler Maigret, personagem de G. Simenon. Pena que o compadre Chico, que tanto aprecia o Maigret, está se recuperando de uma dengue.

Hoje, em condições normais, sem a presença de tanta gente querida e importante, seria dia de um post daqueles tijolaços.

Mas, pelas circunstâncias, só uma observação sobre o escritor francófono, nascido na Bélgica (Liège), em 13 de fevereiro de 1903 e falecido em Lausanne, Suíça,  em 4 de setembro de 1989).

Tendo lido todos os volumes da coleção de livros de bolso da L&PM Pocket, fico feliz que estejam relançando livros até hoje inéditos em português fora da edição anterior (e agora não numerados).

Embora alguns desses livros prometidos já estejam aguardando na estante para ser lidos (em Francês), é bom saber que posso tê-los na língua de Camões. Simenon é garantia de leitura leve e sempre agradável.

Leia Mais sobre Simenon.

Emily Dickinson, 27/100*

The name of it is “Autumn”
The hue of it is Blood
An Artery – upon the Hill
A Vein
– along the Road

Great Globules
– in the Alleys
And Oh, the Shower of Stain
When Winds
– upset the Basin
And spill the Scarlet Rain

It sprinkles Bonnet– far below

It gathers ruddy Pools
Then
– eddies like a Rose – away
Upon Vermilion Wheels

O nome dele é “Outono”
Cor de sangue sua paleta
Atira artéria no Outeiro,
Uma veia na vereda,

Na alameda, rubros glóbulos
Mas ah! que ducha de tinta
Se os ventos derrubam o balde
E entornam a chuva escarlate!

Seus respingos mancham boinas

Lá embaixo, e avermelham poças
´Té que em remoinhos de rosas

Ele some em rubras rodas.

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(*) Fonte: Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas” (656). Tradução Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Ed/Usp, 1985, pág. 94/95.

Emily Dickinson, 26/100*

The Missing All – prevented Me
From missing minor Things.
If nothing larger than a World´s
Departure from a Hinge –

Or Sun´s extinction, be observed –
´Twas not so large than I
Could lift my Forehead from my work
For Curiosity.

Passar sem Tudo – livrou-me
De sentir falta de coisas menores.
Se nada maior que um Mundo
Saindo dos gonzos,
Ou do que a extinção do Sol
For novidade –
Então nada e tão grande que me faça
Erguer a cabeça de meu trabalho –
Por curiosidade.

Fonte: Dickinson, Emily. “Uma Centena de poemas“. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. Ed. T.A.Queiroz/USP, S.Paulo, 1985, p.124-125.