J. O´Donohue: releitura (poema em prosa)

Num vaso de barro, uma profusão de anseios”*
Eis-me sentado no mais baixo do pântano.
Eis-me aqui no meio-fio da vida, parado, e estacado, e triste

Eia, caos, eia tráfego, eia bytes que cavalgam para o nada.Eia!
E parece que não há consolo em lugar nenhum.
Entanto, a minha alma rota ainda quer ver a luz.

Um barulho tão grande lá fora
Uma vontade tão frágil cá dentro
Eis o mundo que se esboroa.

Eis-me sentado no mais baixo do pântano.
Assistindo aos homens sombrios que se extraviam…

Ah! que não há nenhum que faça o bem.
A cada dia um pedestal se rompe e vejo cair mais um herói
Ah, David, os insensatos estão soltos e, parece, sairam à forra…

Entanto, a minha alma rota ainda quer ver a luz.
Mas há a planta que agradece
A semente que espoca em vida.

Oh doce voz interior que me chama de tão longe,
Faz que a distração com tudo isso
O que é transitório, e lama, e tédio cesse.

Já não estou sentado, eu cedo:
– Eu me ponho de joelhos,
E diante do sol quedado
Construo essa catedral invisível
Até o céu sua torre estendida…

Sim, eu quero essa escada de Jacó
Eu quero essa noite de João da Cruz.

Eu quero Paz e essa imensidão silenciosa
Eu quero a árvore e a fonte, sim eu quero a paz
Eu quero a prece e o sorriso do Pai,
Eu quero repousar em seu colo.
E as angústias olvidar…
+++++
*Frase de J.O´Donohue, in “Ecos Eternos”.

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