Emily Dickinson, 12/100

I died for beauty – but was scarce
Adjusted in the Tomb,
When one who died for Truth was lain
In an adjoining room –

He questioned softly “Why I failed”?
“For beauty,” I replied –
“And I for truth, – Themself are One;
We Brethren are,” he said –

And so, as Kinsmen, met a Night –
We talked between the rooms –
Until the Moss had reached our lips –
And covered up our names.
(449)

Morri pela Beleza, mas na tumba
Mal tinha me acomodado
Quando outro, que morreu pela Verdade,
Puseram na tumba ao lado.

Baixinho perguntou por que eu morrera.
Repliquei, “Pela Beleza” –
“E eu, pela Verdade” – ambas a mesma –
E, nós, irmãos com certeza.

Como parentes que pernoitam juntos,
De um quarto ao outro conversamos –
Até que o musgo alcançou nossos lábios
E encobriu os nossos nomes.

Tradução de Dona Aíla de Oliveira Gomes.+++Fonte:  Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas”, Trad. Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Ed/Usp, 1985, pág. 76/77.
Mes chers, descobri uma novidade que devo ao meu amigo virtual Flamarion: Emily Dickinson, como muito outros grandes da literatura norte-americana (e mundial) tem boa parte (senão toda) cadastrada no Projeto Gutenberg.

Deste link, cheguei a outro tão precioso quanto ampliando a experiência da leitura para a da audição dos poemas, lidos por nativos do inglês que nos dão nuances das técnicas poéticas de Emily. Vale a pena visitar o LibriVox e conhecer este e outros poemas da série já publicada e d’outras.

Eric Voegelin em português

Mes chers amis,
Fiquei muito feliz com esse comentário aqui.
A boa notícia que o tradutor de Eric Voegelin nos traz é que ainda no primeiro semestre de 2009, teremos Anamnesis do mestre Voegelin em Português.

Elpidio Mário Dantas Fonseca já nos havia brindado com a tradução de “Hitler e os Alemães“, em 2008, também publicada pela É Realizações, coleção Filosofia Atual.

Gosto da idéia de manter o mesmo tom prata azulado das capas da coleção norte-americana das obras de Eric Voegelin. E principalmente saúdo a chegada de mais esse volume em português pela atualidade do filósofo austríaco e pela singularidade de sua obra.

Capa da edicão brasileira de Hitler e os Alemães
Capa da edicão brasileira de Hitler e os Alemães

anamnesis_voegelin
ERIC VOEGELIN (1901-1985) foi um dos filósofos mais influentes e originais de nosso tempo. Nascido em Colônia, Alemanha, estudou na Universidade de Viena, onde se tornou professor de Ciência Política da Faculdade de Direito. Refugiado do nazismo, Voegelin se estabelece nos EUA com sua esposa, onde se tornam cidadãos americanos em 1944. Eric VOEGELIN passou grande parte de sua carreira de docente nos EUA na Universidade Estadual da Louisiana, em Munique – onde foi Diretor do Instituto de C.Política da Univ. de Munique – e no Instituto Hoover da Universidade de Stanford (EUA).
Para saber mais, siga este link. E este.

Mais Eric Voegelin, em português, neste link.

Emily Dickinson, 11/100

The Bee is not afraid of me.
I know the Butterfly.
The pretty people in the Woods
Receive me cordially –
The Brooks laugh louder when I come –
The Breezes madder play;
Wherefore mine eye thy silver mists,
Wherefore, Oh Summer’s Day?
(111)
Tradução de Dona Aíla de Oliveira Gomes:
A abelha comigo não se intimida.
A borboleta é minha amiga,
Os seres mais bonitos da floresta
Recebem-me com muita festa.

Os rios riem alegres quando eu passo
Brinca mais doida a viração
Porque então, olhos meus, toda essa névoa?
Porque, oh dia de verão?
+++

Fonte: `Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas”´, Trad. Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Ed/Usp, 1985, pág. 42/43.

Bento XVI comunicando pelo YouTube

O fato de o Papa lançar um canal de comunicação no YouTube me alegra muito.
O papa de minha Conversão é João Paulo II, mas o Papa de minha vivência na Igreja hoje é BENTO 16.
E eu uno minha voz a de todos os Católicos pra dizer:
– Deus Proteja o Papa!

Ano da França no Brasil (2009)

Mes chers amis,
Como não pauto este blog pelo noticiário, em geral estou `atrasado´ das manchetes e entre os últimos a saber das últimas.

E assim, para compensar, talvez, pois, assim mesmo, se eu fosse tão animado como o colunista do Estadão, Daniel Piza e soltasse um Vive la France! os amigos não-francófonos diriam que era um exagero. Deixo pois que outros mais guiados pela rotina diária o façam. Eu, de minha parte, faço coro ao sr. Piza.

Há uma enorme programação que pode ser vista nas iniciativas de governo e das entidades francófilas. Há até mesmo um projeto Bernanos – em Barbacena (MG), sobre o qual venho a saber, através de uma amiga recente, que não saiu do papel ainda…

É certo que eu gostaria de fazer muito para que Bernanos fosse lembrado, incensado e que mais pessoas conhecessem seu talento. Mas parece que há pouco tempo para inserir o grande mal-humorado da literatura francesa nessa festa. Se ainda houver tempo, é bom que o façamos… VIVA BERNANOS no ANO da França no Brasil… isso sim é uma espontânea expressão de um apreciador da expressão máxima da literatura católica francesa e que AMOU o Brasil e por muitos foi (e é) amado: Georges Bernanos.

Prometo voltar ao assunto durante o feriado do Carnaval, porque já preparo um post especial sobre “Bernanos no Brasil“.

Por ora, fiquem com esse link da amiga virtual Mirian sobre o Museu Bernanos em Barbacena.

Amitiés,
Beto.

Emily Dickinson, 10/100

Beauty – be not caused – it is –
Chase it, and it ceases –
Chase it not , and it abides –

Overtakes the Creases

In the meadow – when the Wind
Runs his fingers thro´it –
Deity will see to il
That you never do it –
(516)

Tradução de Dona Aíla de Oliveira Gomes:
A beleza não se faz – ela é.
Você a caça, ela cessa;
Se desiste, ela persiste.

Tente imitar as estrias

No capinzal, quando o vento
Corre-lhe os dedos por dentro –
Algum deus vai estar atento
Para frustrar o seu intento.
+++

Fonte: `Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas”´, Trad. Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Ed/Usp, 1985, pág. 78/79.

Eric Voegelin, by Michael Federici

No meu anseio de aprofundar o conhecimento do pensamento de Eric Voegelin, adquiri novos livros nessa minha jornada no Arizona (dez, 08/jan, 09). Devo como sempre mais à Amazon do que a Barnes & Noble. A primeira acha o que não tem em estoque e te entrega, com rapidez e exatidão. A segunda, por seu turno, mirrou sua prateleira de bons filósofos e adotou a prateleira de filosofia miúda, i.e., Filosofia = Ateísmo.  Sorry about that, guys. Na B&N você encontrará o mesmo e bom café da Starbucks, mas a filosofia…(what a shame) com f minúsculo.

Pois bem, foi na Amazon que encontrei esta magnífica introdução ao pensamento de Eric Voegelin. A atendente ilustrada mas apática  da Barnes sequer sabia pronunciar e jamais tivera notícia do nome de Voegelin!

O livro de Michael Federici é da excelente coleção da ISI Books (Wilmington, Delaware), ed. 2002, intitulada “Library of Modern Thinkers” e tem entre outros escritores os ilustres nomes de Ludwig Von Mises, Robert Nisbet, Wilhelm Röpke, Jouvenel e Richard Weaver.

Como ainda não tenho uma resenha do livro, uso a idéia de transcrição de trechos como uma isca para que você, ao contrário da nada simpática atendente da B&N de Surprise (Az), se interesse por Voegelin.

Library of Modern Thinkers, ISI Books, 2002
Library of Modern Thinkers, ISI Books, 2002

Caracterizando a Crise da “Western Civilization” como um “processo que vem de um século e meio atrás” e que talvez persista por mais um século, Voegelin levanta o que chama de “Western disorder“,  elaborando a genealogia que exige “thinkers, ideas and historical experiences that often have been given scant or improper attention by scholars be put in their proper context“. Um exemplo desse tipo de gente é Augusto Comte (1798-1857). Voegelin o caracteriza como “is the first great figure of the Western crisis” and referes to him as “a spiritual dictator of mankind“. E lista outras figuras ao longo do séc. XVIII como d´Alembert, Voltaire, Diderot, Bentham e Turgot. Esses autores, juntos, são responsabilizados por “have mutilated the idea of man beyond recognition“.
Essa mutilação é descrita por Voegelin (de acordo com Federici) como “reduction of man and his life to the level of utilitarian existence” – ´an attitude that is ubiquitous in contemporary Western culture.  This mutilation included the loss of the Christian understanding of mankind`.
Segundo Voegelin, citado por MF:

“There arises the necessity of substituting for transcendental reality an intrawordly evocation which is supposed to fulfill the functions of transcendental reality for the immature type of man. As a consequence, not only the idea of man but also the idea of mankind has changed its meaning. The Christian idea of mankind is the idea of a community whose substance consists of the Spirit in which the members participate; the homonoia of the members, their likemindedness through the Spirit that has become flesh in all and each of them, welds them into a universal community of mankind. (cit. de “Enlightening to Revolution – FER”, Duke Univ. Press, 1975, pág. 95-96).

Individuos como Turgot, Voltaire, Diderot e Bentham transpõem essa ideia clássica e cristã do homem para um modelo que deprecia a natureza espiritual do homem, afirma Federici. E assim, transpõem a comunidade de indivíduos (a fraternidade cristã) em uma massa total e anônima, presa apenas por um ideal. Essa “masse totale” é o que se chama de construção ideal de Turgot. A visão utilitária em que seres humanos são contados como o valor que dão à construção do ´progresso`.  O positivismo contribui assim para a corrupção espiritual, numa clara crise que é, no final, de caráter existencial.

Se existe uma restauração possível – e ao autor não parece uma tarefa tão rápida – essa seria recobrar a consciência dessa “masse totale” , o que não é difícil apenas nas sociedades totalitárias mas também em países de tradição cristã como os EUA, diz Federici, interpretando Voegelin.  Nos EUA, Voegelin nota que esforços de restauração da Ordem terão que enfrentar “the soul-killing pressure of the progressive creed” (FER, 102), assinala Federici. Mas Voegelin é firme em sua posição e dá-nos uma lição digna deste dia de São Brás (em que escrevo este post):

No one is obliged to take part in the spiritual crisis of a society; on the contrary, everyone is obliged to avoid this folly and live his life in order
(Science, Politics and Gnosticism, Chicago, Regnery Gateway, 1968, p.22-23, apud Federici).

Paz e Bem!

+++++

Fonte: Federici, Michael P. “Eric Voegelin: the restoration of order“/ 1st. ed. – Wilmington, Del.: ISI Books, 2002.

(1) scant – adj. escasso, raro; limitado, reduzido; estreito; deficiente.

Post-post:

Voegelin, Eric, 1901-1985

Hitler e os alemães / Eric Voegelin; introdução e edição de texto
Detlev Clemens e  Brendan Purcell; tradução Elpídio Mário Dantas Fonseca.

– São Paulo: É Realizações, 2007. –

(Col. Filosofia Atual)

Título original: Hitler and the Germans

ISBN 978-85-88062-49-8

CDD-943.086092

Índice do catálogo sistemático: 1.Alemanha : Chefes de estado : Período do 3º Reich :

Biografia 943.086091

++++

Voegelin, Eric, 1901-1985

Reflexões autobiográficas / Eric Voegelin; introdução e edição de texto Ellis Sandoz ; tradução Maria Inês de Carvalho ; Notas Martim Vasques
da Cunha. – São Paulo: É Realizações, 2007. –

(Col. Filosofia Atual)

Título original: Hitler and the Germans

ISBN 978-85-88062-50-4

CDD-193

Índice do catálogo sistemático: 1.Filósofos Alemães : Biografia e obra 193

Biografia 943.086091