Notas à leitura de Eric Voegelin

Lendo Voegelin, Anamnesis

O desafio é enorme. Entender em inglês as questões pertinentes a “Theory of Consciousness” não é fácil.

O Cap. 1 “Remembrance of  Things Past” pra quem leu as Reflexões… é familiar. E então, o oásis: o cap. 3 “Anamnetic Experiments” que de longe nos lembra C. Jung, com Voegelin dando de goleada na emoção e na consciência da “relembrança“. A alegria de transcrever faz parte de minha experiência de Notas de leitura.

Eis, pois, a transcrição respeitando todas as “assumptions” (presunções) do autor quais sejam:

  1. that consciousness is not constituted as a stream within the I;
    (a consciência não é constituída como uma corrente dentro do Eu);
  2. that in its intentional function consciousness, in infinite experience, transcends into the world, and that this type of transcendence is only one among several and must not be made the central them of a theory of consciousness;
    (que em sua função intencional, a consciência, na experiência finita, transcende para o mundo, e que este tipo de transcendência é apenas um entre muitos e não deve ser feito o tema central de uma teoria da consciência);
  3. that the experiences of the transcendence of consciousness into the body, the external world, the community, history, and the ground of being are givens in the biography of consciousness and thus antecede the systematic reflection on consciousness;
    (que as experiências de transcendência da consciência no corpo, no mundo externo, na comunidade, na história e no fundamento do ser são dados na biografia da consciência e, então, antecedem a reflexão sistemática acerca da consciência);
  4. that the systematic reflection operates with these experiences, that thus …
    (que a refelxão sistemática opera com essas experiências, que então…)
  5. the reflection is a further event in the biography of consciousness that may lead to clarification about its problems and, when reflection is turned in the direction of meditation, to the ascertainment of existence; but that it never is a radical beginning of philosophizing or can lead to such a beginning.
    (a reflexão é um evento posterior na biografia da consciência que pode levar à clarificação de seus problemas e, quando a reflexão se volta para a direção da meditação, à afirmação da existência; mas que isso nunca é um começo radical do filosofar ou pode levar a tal começo.)
    (Trad. de Elpio M Dantas Fonseca)

Transcrevo, assim, duas situações que mais me agradam para compreender as experiências de Anamnese do grande filósofo do séc. XX, Mr. Voegelin:

Uma do grupo classificado como “experiences remembered without being completely clear about the meaning” (8):

8. The Petersberg

The Petersbeg (St. Peter’s Mountain) was a serious problem. From our house one could see it well. There it was, not too far away, a high ridge with rounded shoulders; on top, in the middle, a little house, a toy house like the several toy houses I possessed.

One day I learned that a passing-through friend of my parents lived up there. I could not believe it. The toy house was a real house, a hotel in which one could eat and sleep! BY insistent questioning I made sure that the house was as big as ours, that it contained real rooms, that the door was as large as a real door and that one could enter in through it.

Something new broke in on me. I learned that the house up there was small when I was below; that it was big when I wen there and stood in front of it; that our house, which was big was also small when I stood above on the mountain and looked down on it.

The experience was disturbing and has remained so until today. At that time I coul no cope with it. Ther remained the discovery that space is a weird matter and that the world which I knew looked differently if one stood at a different place in it.

Later this first shaking of my world center was followed by other experiences that concerned the relations of spatial position to psychic an spiritual perspectives. These experiences, however, occurred after the years in th Rhineland; they did not begin until after my own revolutionary change of location to Austria. At any rate, space was never something neutral, a quantitative extension; it always remained for me a problem of soul.

(p.42).

E a outra, do grupo classificado como “esquecido e só recentemente ‘reappeared’” (9)

9. The Freighters

In Koeningswinter we lived in a house on the waterfront. It stood on a little bluff, which had a stonewall; in front of the wall was the river-lane. When the Rhine carried high water, it flooded the path and the water rose on the wall. At that time, in order to leave the house, we hat do pass through a neighbor’s garden behind our own. Unfortunately, this exciting change occurred only a few days once a year.

From our front yard we looked down on the river where the steamboats were passing. There were three kinds: most numerous were the tugboats with barges(1) behind them; then the were the passenger boats of the Koeln-Duesseldorf Line coming by every one or two hours; and finally the Netherland Line passenger ships, twice or thrice a day.

The freighters were the source of a physical discovery, and the nature of this discovery taught me for the first time caution in the delicate questions of interpretation. They emitted thick partly with uneasiness – for when clouds appeared then rain would follow, and I would have to say in the house.

One day, in the circle of the family, I summed up the result of my observations: that tomorrow it woul rain because today the freighters had produced many clouds. My parents laughed, and I learned that clouds of smoke and rain-producing clouds are not the same thing. I was ashamed about my ignorance and because I had made a fool of myself.

I still love to see interesting relationships – but just when I see them in the most satisfactory and beautiful way, the smoke of the freighters rises and clouds my pleasure.

Bônus(es).

19. The Cannons of Kronburg

The cannons of Kronburg speak in the story of Holger Danske. Again, nothing has remained of the story but the cannons. When the ships pass by, the cannons say ‘boom’.

That is somewhere far away, in the north, where the world has gone farthest, with nothing beyond. Ships will pass there, and nobody asks whence they are coming and where they are going. Where they pass, without a sound, there is nothing; no human beings, only the cannons; and they say ‘boom’ with solemn sadness, as the end of the world.
(p. 50)

20. First Emigration

In 1910 my father accepted a position in Vienna. I was then nine years old. A move of this kind must have been in preparation for some time. I do not recall, however, that there was any kind of disturbance before the departure.

I still remember clearly the day when I went to school for the last time. The teacher, Mr. Corbach, whom I revered, said goodbye to me. He said something about my going into foreign parts but that it might not be so bad, since German was also spoken there. I was a little afraid, but I also was excited by the adventure and proud that something so important was happening to me.

What had happened only dawned on (2) me several weeks later, when I first went to school in Vienna.
(p.51).
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Fonte: E. Voegelin, “Anamnesis” Univ. of Notre Dame Press, London, 1978, p. 36-51

(1) barca, barco, lancha
(2) dawn on: começar a entender
(3) ascertainment: s. averiguação, determinação

Viagens de negócios

O problema de estar viajando só pelas montanhas de Minas:
– não poder olhar as montanhas.
O problema de estar viajando só nas imensidões do céu deste setembro brasileiro:
– não ter um ombro pra se encostar…
eis, em resumo, meus dilemas de caixeiro-viajante.
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*O crédito das fotos pode ser visto na assinatura destas.

Enchanté, monsieur!

Enchanté d´avoir fait votre connaissance*

A expressão seria a mais polida para saldar o cantor francês em seu show Farewell Tour em Goiânia.
E aos amigos que me perguntam se gostei do show respondo com um sim, sem muito entusiasmo:
Foi muito bom ouvir as sonoridades francesas na voz impecável de Aznavour em minha própria cidade. É (ou deveria ser) uma honra para qualquer cidade receber Charles Aznavour, o mais celebrado autor-compositor-intérprete francês da atualidade e um dos aclamados artistas do século XX (segundo pesquisa CNN-Time na internet, em 1999). Só a produção do espetáculo em Goiânia parecia não saber disso.

Bom saber de cor e poder acompanhar quase todas as músicas do espetáculo, bom estar na companhia de amigos francófonos (ou não) e ainda de quebra comemorarmos o aniversário de meu amigo (e compadre) Francisco Sena, sendo os primeiros a celebrá-lo na virada do dia 16 para 17.09.
Do show só não conhecia duas músicas – uma que, a despeito de não ser um entusiasta da ecologia, Aznavour escreveu com finalidades didáticas para a juventude (La terre meurt) e a outra uma canção em espanhol, que nunca havia ouvido (visto) no repertório de Aznavour.

(*) [A saudação do título deste post é a formalidade que a Aliance Française ensina a seus alunos. Naturalmente, no dia-a-dia essa é uma fórmula um tantinho arcaica para o diálogo de um turista em seus passeios pelas ruas de França…Mas prefiro errar pela escolha do uso da língua culta padrão, prefiro o formal ao uso abusivo (e artificial para um estrageiro) do ´argot` (a gíria nem sempre adaptada aos ambientes mais requintados). Seria esta a fórmula a utilizar se eu tivesse a chance de me aproximar de Monsieur Aznavour, em sua visita a minha cidade.]

A segunda expressão cabível nesse diálogo imaginário com o cantor seria:
Pardonez, Monsieur. C´etait dommage...

Isso dito à propósito das condições do local do espetáculo. Um pedido de desculpas cabível porque acho que o cantor tão famoso não teve (da parte dos produtores do espetáculo) a acolhida que merece!

Aos 84 anos e em sua turnê de despedida (a terceira, by the way, porque Aznavour se despede há algum tempo dos palcos internacionais e sempre retoma: vide links para RFI ao final deste post); o mínimo que podíamos prover para ele seria um bom camarim, boa acústica e telões para que o respeitoso público pudesse se sentir mais perto do palco do espetáculo (e, assim, se sentisse mais respeitado pela produção); merecia ele uma iluminação mais profissional, que (no mínimo) focasse o cantor e não inventasse em termos de fundo de palco (de resto inexistente porque composto de dois cortinados em preto e um plano de fundo branco) e outros detalhes que tornassem a cena mais próxima do clima do show.

A produção teria que se dar conta de que o Goiânia Arena não se presta a show intimistas, principalmente, em dias de jogos do campeonato brasileiro no vizinho estádio Serra Dourada…

Cabia ao produtor entender que o Goiânia Arena não é o Carnegie Hall, mas que a cidade poderia prover espaço mais acolhedor a público e cantor. Não tive como deixar de me lembrar do show que tive a honra (e chance) de assistir em Phoenix (EUA), na despedida de B.B.King dos palcos, no evento de seus 80 anos, em dezembro de 2005. Que diferença de ambiente e condições técnicas para um espetáculo! E Aznavour do alto de seus após 60 anos de carreira, 740 canções compostas (350 em francês, 150 em inglês, 8 discos em espanhol e 7 em alemão) e uma vida dedicada à música merecia mais…

Apesar desses erros da produção registrados pelos diários locais, Aznavour marcou seu fiel público (francófono ou não) de Goiânia – românticos de todos os matizes, mas principalmente 40+ e românticos – com um show inesquecível.

Ele começou com uma canção que dá a tônica de seus 84 anos: Le temps… (é a mesma com que abriu o show Aznavour Live no Carnegie Hall, em 2002) e prosseguiu em uma hora e meia de show com sucessos bem conhecidos… A voz foi se aquecendo ao longo do espetáculo e se firmando como a voz de um cantor aos 40 anos! (Não houve bis! apesar dos demorados aplausos finais…domage!)
1. Le temps
2. Paris au mois d’aout
3. La terre meurt
4. Il faut savoir
5. Mes amis, mes amours, mes emmerdes
6. Mourrir d´aimer
7. Et Pourtant
8. Sa Jeunesse
9. Désormais
10. She
11. La Mamma
12. Canção não identificada (interpretada em espanhol)
13. Que c´est triste Venise
14. Rien oublié
15. Ave Maria (com participação de sua filha Katia)
16. Les Plaisirs Démodés
17. Mon emouvante amour
18. Music cigane
19. Hier Encore
20. La Bohème
21. Emmène-moi
22. ?

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Saiba mais sobre Aznavour nas duas biografias da Rádio França Internacional (RFI): Biografia em Francês e em Inglês.

Esperando Aznavour…

O “embaixador da Chanson Française“, o “missionário da chanson réaliste de charme“, “o peso-pena da chanson” ou “le poète universel des amants”

Farewell Tour, 2008
Farewell Tour, 2008

– não importa que apelido lhe dêem, o fato é que esperamos em Goiânia, na próxima 3a.feira, o maior cantor francês da atualidade, para o show “Farewell Tour“, o franco-armênio Charles Aznavour; nascido Varenagh Aznavourian, cantor-compositor-intérprete francês, nascido em Paris em 22 de maio de 1924 e dono de uma carreira de fazer inveja aos que o esnobaram no início.

Aznavour antes de gravar o nome na história da música francesa teve que compreender sua origem armênia, conviver com uma família de artistas e com sua origem de imigrante em Paris, com suas dificuldades e alegrias, com a alternativa linguística (armênio x francês) e com seu próprio destino:

J´ai ouvert les yeux sur un meublé triste
Rue Monsieur-le-Prince au Quartier Latin
Dans un milieu de chanteurs et d´artistes
Qu´avaient un passé pas de lendemain
Des gens merveilleux un peu fantaisistes
Qui parlaient le russe et puis l´arménien

(*)Os versos de Autobiographie (1980) falam do nascimento no bairro intelectual do “Quartier Latin” no meio de uma família de cantores e artistas, que o letrista dizia ter passado mas sem vislubrar futuro, “gente maravilhosa e um pouco cheio de imaginação e fantasia”, os pais armênios que no restaurante do avô (e depois do pai) recebiam toda a comunidade imigrante falando russo e o idioma de sua origem.

Aznavour teve que enfrentar uma aceitação tardia de sua pretensão de se tornar artista – ele que começou a representar no teatro e a cantar muito cedo – mas que era considerado um tipo sem talentos para fazer o que faz há uma vida inteira… Hoje, aos 84 anos, ver Aznavour no palco é oportunidade rara para um francófono, que vive dans le Brésil profond, neste Goiás que já foi um lugar longe demais dos centros culturais do país. E se hoje Aznavour tem direito aos títulos com que abri este artigo ele os conquistou com sua disciplina de compositor e intérprete que está acima da média inclusive nos valores pessoais. Uma frase dita a Yves Salgues mostra o desejo que o jovem compositor tinha de sair da troupe de Piaf para a condição de intérprete de suas próprias canções:

– “Confier son oeuvre à un autree, aussi compétent soit-il, c´est abandoner à l´Assistance Publique un enfant dont on est le père
(**)”Confiar sua obra a outro intérprete, por mais competente que ele seja é como abandonar no orfanato um filho do qual você é o pai”.
E foi por não querer apenas confiar seus filhos e filhas queridas (suas canções) à voz de competentes intérpretes (Edith Piaf, Juliette Gréco, Gilbert Bécaud, Patachou, Maurice Chevalier, Sylvie Vartan ou Johnny Hallyday, entre outros), que Aznavour se lançou como intérprete.

Coube ao Marrocos dar-lhe a primeira acolhida de sucesso, indiferente ao físico de “peso-pena”, e assim em 1953 o compositor ganha segurança no palco estrangeiro – era o aprendiz de “embaixador da Chanson Française” se exercitando para aparecer no topo do cartaz do templo da Chanson Française – no mítico L´Olympia de Paris, em 1955.

De 1956 a 1972, Aznavour escreve com muita disciplina e poesia o repertório de uma vida musical: “Sa Jeunesse”, “La Mamma”, “Je m´voyais déjà”, “The Old Fashion Way” (Les Plaisirs démodés, no original), “Hier Encore”, “Les Comédiens”, “Que C´est Triste Venise”, “For me, formidable”, “Emmenez-mois” e “Paris au mois d´août” são clássicos do período e que esperamos ouvir no palco do Goiânia Arena…

Cantando o amor e as desilusões, Aznavour se fez intérprete romântico do que os críticos e historiadores da música chamam (seja lá o que isso signifique!) de “chanson realiste de charme”… E dele disse Jean Cocteau a frase lapidar:

– “Comment s´y prend-il ce Aznavour pur rendre l´amour malheureux sympatique aux hommes? Avant lui, le désespoir était impopulaire. Après lui, il ne l´est plus…”

E se Cocteau comete certo exagero esquecendo-se da tradição poética francesa que já havia inscrito o “amor infeliz” em todos os compêndios literários, o certo é que a saga popular da canção ganhava o realismo e o charme de um intérprete magro e de voz nada convencional para os padrões anteriores (um crítico – mal profeta, segudno Yves Salgues, chegou a uma equivocada profecia que só em um século o público francês estaria preparado para ouvir a voz de Aznavour!) . Se durante a guerra o jovem Aznavour vendia jornais, no pós-guerra confiava seu talento a vender a ilusão do amor e das desilusões, tão bem como a escultura da frase na língua de Molière. Dele disse em resumo, Maurice Chevalier:
– “Il a osé chanter l´amour comme on le ressent, comme on le fait, comme on le souffre…“E sua paixão pela língua francesa se resume bem nessa frase:
– “Ao contrário de todo filho de imigrante que sabe que é francês pela naturalização, eu sabia que era francês pela língua… Ao descobrir essa língua, encontrei um país. O francês me revelou a França. Ainda hoje, seguramente, amo mais a língua francesa do que qualquer lugar na França. E partindo desse amor, e movido pelo instinto criativo que é violento, encontrei minha resposta na música…

Aznavour em vinil chez les Queiroz
Aznavour em vinil chez les Queiroz

É esse emotivo pequeno-grande intérprete que esperamos em Goiânia, como francófonos que somos – minha mulher e eu e tantos amigos – para ter a alegria de ouvir tais canções na voz de seu criador, canções amadas que fazem parte de nosso dia-a-dia há muitos anos (e esperamos que conosco fiquem outros tantos).
Seja bem-vindo, Monsieur Aznavour! Goiânia te recebe com alegria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

La Beauté, Baudelaire

La Beauté (C. Baudelaire)

Je suis belle, ô mortels ! comme un rêve de pierre,
Et mon sein, où chacun s’est meurtri tour à tour,
Est fait pour inspirer au poète un amour
Eternel et muet ainsi que la matière.

Je trône dans l’azur comme un sphinx incompris ;
J’unis un coeur de neige à la blancheur des cygnes ;
Je hais le mouvement qui déplace les lignes,
Et jamais je ne pleure et jamais je ne ris.

Les poètes, devant mes grandes attitudes,
Que j’ai l’air d’emprunter aux plus fiers monuments,
Consumeront leurs jours en d’austères études ;

Car j’ai, pour fasciner ces dociles amants,
De purs miroirs qui font toutes choses plus belles :
Mes yeux, mes larges yeux aux clartés éternelles !

A Beleza (Baudelaire)*Trad.:Jamil Almansur Haddad.

Eu sou bela, ó mortais! Como um sonho de pedra,
E meu seio, em que sempre o homem absorve a dor,
Feito é para inspirar aos poetas este amor
Mudo e eterno que na matéria medra.

Eu impero no azul, esfinge singular;
Sou coração de neve e branco cisne lento;
Porque desloca a linha, odeio o movimento,
E nem sei o que é rir, nem sei o que é chorar.

Sempre o poeta, porém a esta grande atitude
Que eu pareço copiar de uma estátua distante,
Força é que, dia a dia, austero o ser, me estude.

Tenho para encantar este dócil amante,
Pondo a beleza em tudo, os mais puros cristais:
Meu olhar, largo olhar de clarões eternais.
—–
*Trad.:Jamil Almansur Haddad, em “As Flores do Mal“, C. Baudelaire, Clássicos Garnier, Difel, S.Paulo, 1958, pág. 117.