Marcel Pagnol (I)

La gloire de mon père
O escritor francês Marcel Pagnol, nascido em 28 de fevereiro de 1895 (Aubagne, Provence) foi o titular da cadeira 25 da Academia Francesa, tendo escrito mais de 30 roteiros de filmes e peças – com muito sucesso no que os franceses chamaram de « théâtre filmé », depois vieram alguns romances e quatro tomos de memórias.

Há alguns anos atrás, graças ao meu interesse pela cultura francesa e a francofonia, li três de seus livros como um exercício agradável de aprofundamento na língua francesa, tendo muito apreço pelos enredos sempre agradáveis deste escritor provençal.
Pagnol
Lembro-me que foi na primavera de 94 que bebemos as águas da fonte Pagnol: Jean de Florette e Manon de Sources, complementando a leitura com os filmes de Claude Berri, dos quais a memória retém principalmente, os atores Yves Montand (César Soubeyran), Daniel Auteil (Ugolin), Gérard Depardieu (Jean de Florette) e Emmanuele Béart (Manon).

Talvez porque agora seja a hora de preparar história para os netos, voltei de uma viagem a São Paulo com mais um importante munição: La Gloire de mon père, um pequeno livro de bolso, das edições de Fallois, que é diversão garantida e que deve povoar os sonhos do meu pequeno Lucas Queiroz Foust, assim que for possível contar-lhe histórias (ele, como sabem meus seis leitores, está completando 10 meses apenas…).

E digo “bebemos da fonte” porque a leitura era feita por mim, seguido de minha mulher (também francófona) que, por sua vez traduzia ao português, em capítulos noturnos, como história para dormir contadas às nossas duas filhas. A Glória de meu Pai, livro que também se transformou em filme pela câmera de Yves Robert, é a história de um garoto de Marseille e suas primeiras férias com a família nas colinas de la Treille, onde assiste (ou acompanha) a primeira caçada com seu pai e seu tio Jules.

Pagnol escreveu esse livro como o primeiro da série de “Souvenirs d´Enfance” (4 volumes), em meados dos anos 50, quando se afastava do cinema e do teatro – ele que começara sua carreira de escritor para o que já foi designado o « théâtre filmé ».
La Gloire, publicado em 1957, foi sempre saudado como a chegada marcante de um grande prosador (e não apenas o roteirista ou homem de peças teatrais do início da carreira de Pagnol). Os personagens de destaque aqui são os membros da família do pequeno Marcel: o pai, Joseph, professor primário; Augustine, a mãe tímida e amorosa; o tio Jules, a tia Rose e o irmãozinho Paul, que se popularizaram na França, tanto quanto os personagens de filmes e peças teatrais de Pagnol (Marius, Fanny e César).

A cena que consagra o pai como caçador estreante e de muita sorte entrou nas escolas como o ditado predileto da escola primária. E só os francófonos sabem como ditado (incluindo suas nuances de caça e caçado) é um elemento importante da pedagogia francesa… Assim, imagino que a caça à perdiz real (bartavelle) deve fazer parte importante dos “souvenirs d´enfance” de muitos alunos francófonos que hoje tem sua “cinquantaine d´années”.

Pesquisando sobre o tema no Google, achei um site dedicado ao autor (e a este livro em particular) e o adiciono a essas notas como um desses saborosos souvenirs de leitura – detalhando o livro, com foco nas paisagens provençais e na caça à perdiz real (la bartavelle)
Esse trecho especial que os amantes da arte de Pagnol gostariam de seguir com um pequeno vídeo da AOL, aqui:
“…Et dan mes petits poings sanglants d´ou pendaient quatre ailes dorées, je haussais vers le ciel la gloire de mon père en face deu soleil couchant” (pág. 198).

(“E com meus dedinhos ensanguentados, donde pendiam quatro asas douradas, eu ergui como um troféu, a glória de meu pai, sob o testemunho do cair do sol“).

E me pergunto, ao fim desta agradável leitura: quantos filhos puderam trazer para a literatura um tão belo exemplo de amor aos pais como este Pagnol?

– Talvez por isso, dele tenha dito François Mauriac que fora alguém que não se colocava num pedestal e sim sabia que a Academia era apenas uma passagem – como a pequena gruta da infância (na caçada à perdiz real) em sua Provence natal, donde sai para colher os louros da primeira caçada de seu amado pai, repetindo a frase que lhe fora ensinada pelo pai-professor:

– “Il n´est pas besoin d´espérer pour enterprendre ni de réussir pour perséverer

Post-Post: Por sugestão de minha amiga Claire, pesquisei e vi que há alguns livros do Pagnol em português, principalmente Dvd´s dos filmes, no site do Submarino. Livros, eu os achei na Livraria Cultura onde há pelo menos três exemplares da obra de Pagnol.

Alain Souchon. Ou: o ‘maior abandonado da Chanson Française’

Alain SouchonO maior abandonado da música francesa – que já foi designado como o novo Cocteau, o parceiro inseparável de Laurent Voulzy, tem sido trilha sonora de muitas das minhas poucas horas de lazer neste 2008.

Aqui ele aparece em canção hommage a atriz Ava Gardner.
Vale a pena também vê-lo no dueto com Françoise Hardy.
Bom é saber que há muito de Souchon na grande rede. Como nossas emissoras não programam música francesa, hei de ajudar meus três leitores a (re)descobrir esse muitos talentos.

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