O ano visto de seu mais alto posto: a despedida

Eis-nos aqui: diante das exéquias de um ano, eis-nos diante do posto avançado da fronteira entre 2007 e o ano que se aproxima. E qual a fotografia de 2007?

Eis-nos diante de um monge pacifista sendo açoitado por um soldado, eis-nos diante de um menino arrastado por bandidos no Rio, eis-nos diante de um fotógrafo enfrentando um fuzil com uma câmera, eis-nos diante um caixão carregado por uma multidão paquistanesa, às vésperas do ano novo…
Eis-nos diante de frequentes eventos que os irmãos árabes vivem com tamanha intensidade, sem se dar conta de quão importante é o que escrevem com sangue e pólvora – em nossas datas mais célebres.
Eis-nos diante dos ateus que mostram a sua cara escatológica… Eis-nos aqui diante do anti-Cristos que se esforçam por tentar nossa juventude com o veneno de suas farpas amargas.
Eis-nos diante da manipulação descarada do popu-lu-lismo, eis-nos diante de lama maior do que aquela diante da qual o velho populista de outros Brasis não sobreviveu.

Eis-nos diante de nossos mais comezinhos vícios, de nossas vidas em segredo, de milhares de motos e carros batidos nas estradas, e eis-nos, por contra-parte, diante de nossos vinhos baratos mas abertos com vagar e alegria, diante dos amigos, eis-nos diante da saudade de nossos parentes distantes, de nossas memórias mas afetivas, de nossos livros nunca abertos ao longo do ano que se encerra, dos poetas que disseram adeus no ano que se finda, eis-nos diante de nossos planos que não sairam do papel, de nosso presidente achando normal toda a lama que o cerca, de nossas emissoras de tvs achando que é normal tanta baixaria e manipulação (e se esforçando por engendrar outras piores), de nossos políticos com um olho nas pesquisas de opinião e outro, nos recursos do orçamento, de nossos gerentes de bancos de olho no que podem nos cobrar no ano entrante, de nossos vizinhos novos animados com o que sabemos será rotina no ano entrante…

Mas há que se salvam muitas boas coisas no ano que se vai – benza Deus! – o trabalho sério que receba a justa paga, os projetos que decolaram para o bem de toda uma família que acredita e permanece unida, a formatura de uma filha, o sorriso do nosso neto, Lucas:
lucas-e-arvore-de-natal.jpg Lucas sorrindoFormatura da CeciLucas no andadorFam�lia (re)Unida
E há outros muitos outros fatos que, no espaço íntimo de nossas casas – no aconchego do que chamamos Lar, em presença de familiares e amigos -, nos animam a acreditar em tudo, apesar dos desgostos com a fotografia exterior do ano 2007.Lucas e vovô Beto

Eis como podemos retocar a fotografia do ano que se encerra vista do seu mais alto posto de fronteira: daqui enxergo a resistência da Fé, vejo como é vital a força da oração, de como é importante rezar e humildemente dou a todos que me pedem uma oração o fio tênue da crença de que é possível, embora eu próprio, quando anoitece, seja refém da dúvida… E diante do meu rosário me acerco da busca por mais Esperança.

Enxergo desde este posto a mais funda crença no Amor. Vê-se deste posto privilegiado a mais funda crença naquelas pequeninas verdades escritas no Credo. Enxergo o impossível no Menino-Deus que sua Luz espalha pelo mundo, mudando a história, enxergo a Virgem-Mãe e em seu olhar materno, onde encontro o ânimo diante da desesesperança. Vejo, isto sim, que é possível crer em um ano melhor, faço as contas com um amigo: será um ano 10, basta a aritmética dos otimistas: somar os algarismos do novo ano… 2+0+0+8=10…

Desejo a você um Feliz Ano Novo!
Saúde, Paz & Bem, Prosperidade…

Ah, se eu fosse capaz de tanta Esperança…

Bento XVI: oração como escola essencial de esperança

Segundo sua segunda encíclica, «Spe salvi»
Por Marta Lago

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 30 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- «Primeiro e essencial lugar de aprendizagem da esperança é a oração», adverte Bento XVI em sua segunda encíclica, «Spe salvi», que assinou e publicou hoje.

Sua reflexão sobre a «esperança cristã» se dirige às inquietudes do coração humano, oferecendo as razões da certeza que muda a vida do crente em Deus.

A «esperança» maior, a que supera todas as dificuldades, a que redime o homem, vem do encontro real com Deus, que manifestou a totalidade de seu amor em Cristo Jesus, recorda o Papa.

É necessário «reaprender» esta verdadeira esperança – exorta – para poder oferecê-la ao mundo. E para isso a encíclica recorre a alguns testemunhos de esperança e a seu encontro pessoal com Deus.

Bento XVI, no começo de sua encíclica, dá o exemplo da escrava sudanesa canonizada por João Paulo II, Josefina Bakhita. Ela passou por terríveis sofrimentos, vendida desde muito jovem, até que chegou a conhecer o Deus vivo, o Deus de Jesus Cristo.

Ouviu dizer que existia um «Senhor de todos os senhores», «a bondade em pessoa»; soube que «este Senhor também a conhecia», «mais ainda, que a amava», que «tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela ‘à direita de Deus Pai’ – escreve o Papa. Agora ela tinha ‘esperança’.»

«Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava ‘redimida’, já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque estavam sem Deus.»

A partir de então, sentiu o dever de estender «a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo (…); tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas», aponta o Santo Padre, rejeitando da esperança qualquer pretensão de individualismo.
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