Onde meu Sony Ericsson me levou
09 sábado mai 2009
Posted in Cotidiano, Música, Miscelânia, Viagens
09 sábado mai 2009
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29 quarta-feira abr 2009
Posted in Crônica, Miscelânia, Viagens
Aos que me perguntam sobre a foto do banner de meu blog aqui no WordPress, a resposta é positiva: sim, a foto é minha. Adiciono agora reflexões antigas sobre o meu primeiro encontro com o Canyon (chance de fazer a foto do banner deste blog). Essas continuam válidas:
Lições de Abismo
Diante do monumento que é o Grand Canyon, a primeira atitude que tive foi respirar fundo e rezar. Rezei silencioso um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, em meio ao burburinho dos turistas, ecoando para sempre na distância.
E o título do livro de Júlio Verne, que serviu de inspiração à história de Gustavo Corção, agora me ampara como a legenda da grandiosidade do Cannyon. Vejo homens e mulheres que descem às profundidades e que são na encosta pouco mais do que formigas no cenário.
Lembro-me do professor Lindenbrock e seu sobrinho Axel no rigoroso treinamento contra as vertigens: “antes de descer às profundezas, ele ensinava a galgar as alturas”, subindo uma estreita escada de uma antiga torre de igreja, em cima de um abrupto penhasco. A esses salutares exercícios o professor dava o nome de lições de abismo.
- E a nós, turistas embevecidos, quem dará as lições de abismo?
Eis que soam em meu coração, as palavras de Ecos Eternos, trocando a paisagem do oeste da Irlanda de O´Donohue pela paisagem única deste pedaço do Arizona:
“Quando encontramos um lugar na Natureza em que a mente o coração encontram sossego, então descobrimos um santuário para a nossa alma.
“Não se verá nada dos vinte séculos. Há somente a escultura sutil que a chuva e o vento entalharam na pedra. Quando a luz surge, a pedra fica branca e lembramos que essa é pedra viva do fundo de um oceano antigo. (…)
“Nosso anseio purifica-se e ganhamos força para voltar reanimados à vida e refinar nossas maneiras de nos integrarmos ao mundo. A Natureza nos chama para a tranquilidade e o ritmo.”
++++
Post-post: concordo com Paulo Hecker Filho (não na mesma intensidade) que Lições de Abismo não é um grande romance, nem está à altura de “A Descoberta do Outro“, no conjunto da obra de Gustavo Corção.
25 quinta-feira set 2008
Posted in Viagens
O problema de estar viajando só pelas montanhas de Minas:
- não poder olhar as montanhas.
O problema de estar viajando só nas imensidões do céu deste setembro brasileiro:
- não ter um ombro pra se encostar…
eis, em resumo, meus dilemas de caixeiro-viajante.
+++++
*O crédito das fotos pode ser visto na assinatura destas.
14 sexta-feira mar 2008
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The Coming of Wisdow with Time
Though leaves are many, the root is one;
Through all the lying days of my youth
I swayed my leaves and flowers in the sun;
Now I may wither into the truth.
+++++
Com o Tempo a Sabedoria
Embora muitas sejam as folhas, a raiz é só uma;
Ao longo dos enganadores dias da mocidade,
Oscilaram ao sol minhas folhas, minhas flores;
Agora posso murchar no coração da verdade.
—-
Fonte: W.B.Yeats, Uma Antologia, Ed. Assirio & Alvim, 1996, Trad. José Agostinho Batista
09 quarta-feira jan 2008
Posted in Francofonia, Literatura policial, Viagens

No final do ano 2007, passei dez dias na praia.
Aproveitamos a formatura de minha filha caçula (Cecília) na USP/São Carlos e seguimos viagem (toda a família), em caravana de quatro carros, para o litoral norte de S. Paulo.
Por se tratar de uma viagem de férias que há muito não fazíamos e por sermos tantos – éramos 14 pessoas em nossa trupe – pensei que teria muito pouco tempo para a leitura e essa decididamente deveria ser uma leitura leve.
Talvez por isso tenha escolhido Simenon (na versão em livros de bolso, super-práticos e portáteis) para tal ambiente. Levava uns seis volumes na bagagem e éramos, à saída, três fãs do Comissário Maigret. Certamente, alguém mais poderia ser conquistado pelo comissário francês, e então, provavelmente faltariam volumes para os dez dias reservados à temporada em Maresias. Nada grave, se não faltassem sol, repelentes, espumantes e cerveja…
Muito humano, Maigret, passeou conosco, fez parte de nossas conversas e de meus sonhos, e foi companhia indefectível, quando não estava eu babando meu neto Lucas ou abrindo um espumante à beira da piscina da simpática pousadinha. À beira da serra, curtimos momentos muito especiais, naquela que foi nossa casa por dez dias muito agradáveis, apesar da chuva que por dois dias insistiu em nos mandar de volta ao cerrado goyano…
O de que mais gosto no comissário Maigret é sua face humana.
Comungando com o personagem alguns vícios e poucas de suas virtudes, não quero aqui aprofundar a análise, nem me fantasiar de crítico literário e sim ser o que sou: admirador do comissário e de seu criador. Gosto quando Simenon explora essa face humaníssima do policial (Maigret) em várias situações e é minha intenção aqui transcrever alguns trechos, esperando que com isso incentive você, leitor, a conhecer o mais popular escritor da literatura policial francófona:
“O estranho é que tais sentimentos tinham raízes em sonhos da infância e adolescência. Embora a morte do pai houvesse interrompido seus estudos de medicina no segundo ano, ele nunca tivera, na verdade,a intenção de ser médico, de cuidar de doentes.
“A profissão que sempre desejara exercer não existia de fato. Jovem ainda, na aldeia, percebeu que muita gente não ocupava o próprio lugar, assumia um caminho que não era o seu, unicamente por ignorância.
“E imaginava um homem muito inteligente, sobretudo muito compreensivo, médico e sacerdote, por exemplo, alguém que compreendesse, à primeira vista, o destino dos outros.
(…)
“Esse homem seria consultado como se consulta um médico. E seria, de certo modo, um orientador de destinos. Não só por ser inteligente. Talvez não fosse necessária uma inteligência excepcional, e sim a capacidade de viver a vida de todos os homens, de colocar-se no lugar deles.”
“Maigret nunca falara sobre isso com ninguém; não ousava pensar muito no assunto, pois acabaria zombando de si mesmo. Por não ter completado o curso de medicina, acabara entrando na polícia por acaso. Teria sido mesmo por acaso? Os policiais não são às vezes orientadores de destinos?”
(Fonte: “A Primeira Investigação de Maigret”, L&PM Editores, págs. 95/6).