Diálogo entre cristãos e islamitas (I)

Fletcher_A Cruz

Sob a proteção de Santo Elígio, posto o texto abaixo, recomendando a leitura do livrinho de Richard Fletcher. Motivado pelo desejo de entender os ‘primos’ ismaelitas, cheguei até Fletcher. Já estou lendo em inglês o segundo livro deste historiador britânico, sobre a Conversão da Europa. Se um diálogo entre essas duas religiões (e culturas) – o Cristianismo e o Islã – sem falar nos nosso irmãos Judeus (o 3o. e mais antigo monoteísmo) for possível, isto necessariamente passa por entendermos as histórias (e estórias) de nossas conquistas e de nossos fracassos. Um Santo Tomás relendo Averróis e Avicena é lição que não pode deixar de ecoar em nosso ouvidos católicos. Ah, e porque Santo Elígio (Elói)?

– “Em 1484, exatamente quando a guerra por Granada tomava impulso, ferreiros cristãos e muçulmanos de Segóvia se reuniram para fundar uma confraria ou associação denominada Santo Elígio, em homenagem ao santo padroeiro dos que trabalham com metal, dedicada à Virgem Maria e a todos os santos da corte do céu”. (p.187, ref. abaixo).

Boa leitura!
Goodreads Link.

Em nome da Paz

Papa Bento 16 fala em nome da Paz.

http://www.zenit.org/article-31289?l=portuguese

Nosso Pastor é um exemplo de equilíbrio num mundo em desordem. Viva o Papa. Deus proteja Bento xvi.

No Líbano, o Papa mostrou o equilíbrio do bom Católico: convivência em Paz com todas as religiões. Maronitas e Católicos juntos podemos dizer: amamos a Paz. Primos mulçumanos, venham para a Paz.

O pensador Bento xvi fala sobre o tema deste post, isto é, o fundamentalismo é uma falsificação da Religião. Como católico, creio que o Papa Bento elaborou bem. Deus Proteja o Papa. Confiram no link:  http://www.zenit.org/article-31297?l=portuguese

http://migre.me/aIEAJ

Meditação libertadora ou la douce pitié de Dieu

A AMIGA ‘virtual’ MEG me fez pensar com seu post A consciência da finitude – Sein zum Tode. E se me deixo pautar pela amiga é porque seus textos em geral são magistrais do jeito mais simples que o majestoso se mostra a quem sabe ver.
Como profissional venho me dedicando ao mundo da tecnologia nos últimos vinte anos, e assim, naturalmente, eu me toquei com a morte de Steve Jobs, naturalmente deixei-me inundar pela “meditação da morte” que, segundo A.C. Villaça, “nos liberta de nós mesmos, perecíveis…”

E a confissão de minha amiga me leva a pensar (e mesmo a reler o texto completo do famoso discurso de Jobs a universitários numa formatura em Stanford). E continuo pensando no fecho confessional do post da MEG:

“Para os meus amigos, devo confessar que somente há pouco tempo chegou em mim, para-mim, com uma razoável dose de desencanto –  e em absoluto não deveria ser assim – a consciência da finitude. Penso que em todas as vezes em que falei sobre isso (as Ekstases, para meus alunos, or whoever),  jamais falei pensando nisso objetivamente.  Hoje, penso sem falar. “Sein zum Tode”. 

Lembrei-me de uma nota biográfica de Georges Bernanos, em sua meditação libertadora, transcrita pelo filho Jean-Loup: “Lui qui avait tant médité sur la mort; avec crainte: ‘Si vous saviez comme j’en ai peur de la camarde…’, avec doucer et espérance: ‘Ô mort si fraîche! ô seul matin!’ , c’est en murmurant “À nous deux maintenant” qu’il mourut le 5 juillet 1948 à l’hôpital américain de Neuilly”, conclui Jean Loup. E assim se cumpria a profecia que um depoimento antigo do pai registrara que “nous mourion vides, que nous mourions comme de nouveau-nés (…) avant de se réveiller, le seuil franchi, dans da douce pitié de Dieu, comme dans un aube fraîche et profonde…”

E foi assim, que quase ao acaso, abri meu volumezinho de “Os Saltimbancos da Porciúncula”, donde retirei o texto que vos deixo para iluminar a  meditação sobre essa consciência da finitude:

Requiem por Mim (A.C.Villaça*)
“Soube, hoje, da morte de Miguel Torga, em Coimbra, aos 87 anos. Nunca vi Torga. Fui a Coimbra e pude ver a placa singela, Adolfo Rocha. Ele era otorrinolaringologista. Não bati. Não lhe falei. Tinha fama de ser esquivo, reservado.
“Nunca o vi. Mas a confraria literária tem esse privilégio de uma união profunda, uma comunhão, que nos emociona e está para além do espaço e tempo. Sentimo-nos, sim, unidos. Unidos na literatura, no amor da literatura.
“Ele escreveu Requiem por mim. Agora, tenho vontade de escrever o meu Requiem por mim, em memória dele. A meditação da morte nos dilata. Ela nos liberta de nós mesmo, perecíveis.
“A morte não me assusta, não me espanta. Creio que convivo bem com a morte. A morte é fraternal. A morte é nossa amiga íntima. Ela convive conosco. Vai indo conosco no mais profundo de nós como uma companheira cotidiana, amável.
“Vi minha mãe morta. Vi meu pai morto. Não os vi morrer. Mas, diante deles mortos, não senti nada. Fiquei numa grande paz. era evidente que eles já não estavam mais ali. Já não eram eles. Tinham partido, sem dúvida. Ali, estavam simplesmente uns restos, os despojos precaríssimos. Estavam longe dali. Já se haviam libertado. Senti uma paz infinita. Uma doçura. A morte é doce. A morte é pacificadora.
Nossa Senhora da Ternura. Gosto tanto desta invocação. A ternura de Deus. Tudo se resolve em termos de ternura. E em termos de perdão. A compaixão é o segredo que recria tudo, que renova tudo. Que torna tudo novo, inaugural.
“A primeira morte da minha vida foi a da minha avó, que era Antônia e fora amiga de Machado de Assis, desde menina. Morava em Friburgo e tinha apenas 56 anos. Morreu de repente, tão sozinha na serra. E meu pai chorou perdidamente, ao desligar o telefone.
“Não fui a Friburgo. Eram cinco horas de trem. Mas não senti emoção nenhuma com a morte distante daquela avó gorducha, que gostava de comer bem e tinha sempre a mesa cheia de convidados. Senti que ela viajara. Deixei-a em paz. Não me impressionou que ela tivesse partido. Achei aquilo tão natural, tão esperável. Não sinto saudades dos mortos.
“A irmãzinha morte. Franciscanamente. Di Cavalcanti louvara a Deus por ter criado o azul e as mulheres plácidas. E por ter criado o perdão. Louvo a Deus por haver fundado a morte, essa grande invenção misteriora. Aceito a morte.
“Ela está dentro de nós. Caminha conosco. Vai indo pelas ruas do mundo, tão humilde, tão invisível, tão escondida. Ela se constrói lentamente, dentro de nós. Dialoga silenciosamente conosco. E, súbito, aparece, numa curva do caminho, como um canto de aleluia.
“Convivo bem com a morte. Contemplo-a, quietamente. Espero-a com uma paz tão serena, a nossa mortezinha particular, a nossa pequena morte, humílima, salvação, libertação, abertura. Morte implica logo a ideia de vida, exige a presença fortíssima, soberana, da vida. Creio na vida.
“A morte não existe. Eis a grande descoberta que fazemos, ao longo da vida. A morte não existe. O que existe é a vida. A vida é boa, lá disse – ao morrer – o nosso Machado de Assis.”

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Fontes: BERNANOS, George. “Romans”. Edit. Omnibus/PLON, 1994, apud Jean-Loup Bernanos, em “Notice Biographique”, pág. 1433. (*)VILLAÇA, Antonio Carlos. “Os Saltimbancos da Porciúncula”, Rio de Janeiro, Ed. Record, 1996, pág. 56-58.




A glória de Deus (I)

The glory of God is the human person fully alive”
A citação em inglês lida alhures num livro de John O´Donohue é a legenda desta manhã de sábado plena de sol, em que a centelha divina se expõe de forma silenciosa, somente com a retórica do vento sob a superfície do lago (como a Sabedoria sempre se expressou).
O sonho lembrado entre o cuscuz e café-com-leite da manhã, os pássaros, as nuvens, notas de Chopin que parecem ressaltar o cheiro da grama recentemente cortada no lote vizinho, o verde intenso desta manhã de abril, em que a natureza parece nos contar segredos.
Tudo faz-me lembrar o texto de John O´Donohue, lido em contexto diverso:
”We are so privileged to still have time. We have but one life, and it is a shame to limit it by fear and false barriers.”
Assim, a calma economia de demonstrações da presença divina me faz enxergar a beleza, a unidade e a criatividade possíveis (devido ao autor de Anam Cara) de ser recuperadas mesmo no meio do turbilhão das dúvidas, das sombras e do claro-escuro da vida que parece nebulosa em tantos momentos. Sentir-se e Ser na essência, abrindo os olhos para o ritmo interior e a riqueza da vida em família, atento às coisas mais simples, às pequenas alegrias, eis a fórmula recuperada.
Esta manhã de sol testemunha a glória de Deus.
E Santo Irineu salta da estante para lembrar a legenda de O´Donohue:
”Deus se torna visível por meio de muitas economias, para que o homem privado totalmente de Deus não deixe de existir. A Glória de Deus é o homem que vive (inteiramente) e a vida do homem consiste na visão de Deus. Se a manifestação de Deus por meio da criação dá a vida a todos os seres que vivem na terra, com maior razão a manifestação do Pai pelo Verbo dá a vida aos que vêem a Deus.”
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Fonte: O´Donohue, John. “Anam Cara: A Book of Celtic Wisdom”, Harper-Perennial, 1997, p.124; Santo Irineu de Lyon. “Contra as Heresias”, Ed.Paulus, 2a.ed., 1995, liv.IV-20, p.433.