Para ouvir Emily Dickinson…
01 terça-feira mai 2012
Posted in Emily Dickinson, Poesia
01 terça-feira mai 2012
Posted in Emily Dickinson, Poesia
29 domingo abr 2012
Posted in Bruno Tolentino, Poesia
O mundo dos negócios impõe uma disciplina muito grande e toma quase todo o tempo de quem vive “as agruras do comércio”. Provavelmente, os grandes empresários já se viram livres dessa prisão e caíram noutra: já não ter prazer com o Universo das Palavras. Bom lembrar que este é hierarquicamente superior ao Mundo dos Negócios e a maioria de nós no Comércio não se lembra disso…
É por isso – e porque o feriadão permite – que retomo minhas leituras e publicações para manter vivo o meu vínculo com o Universo das Artes, onde as Palavras são para mim as privilegiadas, bem antes das imagens e similares (leia-se: cinema; o Teatro, este eu o coloco no Universo das Palavras).
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“Ai de mim!”, geme a alma, “que me muero
porque no muero!”* Ai corpo, ai meu atraso,
meu alguidar sombrio como um vaso
vazio, ai girassol no escuro, ai erro
da coisa separada por acaso,
desolação do barro no desterro
da ânfora partida! Ai desespero
de não acabar mais, como um ocaso
longo, cheio de sombras! Teus vazios,
diz a alma a esse corpo renitente,
“simbiose dos meus, são como os rios
frios, intermináveis, e as correntes
que nos acorrentaram concebi-as
eu mesma, ai! ai de mim, somos idênticos…”
+++++
Fonte: TOLENTINO, Bruno. “As horas de Katharina”, ed. Record, 2010, p.181.
(*)“que me muero porque no muero” Citação do poema “Aspiraciones de vida eterna”, conhecido como Glosa de Santa Teresa:
“Vivo sin vir en mi,
y tan alta vida espero,
que me muero porque no muero!”
(in Obras Completas, p.956, cit. nas notas de Juliana P. Perez e Jessé de Almeida Primo na edição citada).
24 sábado mar 2012
Posted in Bruno Tolentino, Catolicismo, Poesia
“BRUNO TOLENTINO é seguramente um dos maiores poetas da língua portuguesa, na era pós-João Cabral. Estranha, portanto, que tão poucos ainda o digam, estudem, amem. Talvez porque o tenham lido menos do que repudiado as suas declarações polêmicas; ou porque se sentiram intimidados pelos muitos protocolos teóricos, estéticos, ideológicos, ou teológicos até, que propôs ou pretendeu impor para a leitura de seus livros; talvez ainda porque lhes pareceu anacrônico uma poesia com métrica e rima; ou mesmo, quem sabe, porque lhes tenha soado pobre uma poesia que, ao rimar, ilusão não exclui coração nem paixão, como um Roberto Carlos dos ricos. No entanto, são todos motivos frívolos.”
- É assim que Alcir Pécora abre a apresentação do livro “As Horas de Katharina”, sob o título de “O Livro de Horas de B.Tolentino”. Alcir conta ao leitor que esta edição da Record traz a íntegra da obra mais conhecida de BT “com precisas correções e anotações, que esclarecem alguns pontos importantes de sua confecção”, além de vir acompanhada de uma peça teatral inédita, “A Andorinha, ou: A Cilada de Deus”, obra finalizada às vésperas da morte do poeta, em junho de 2007, aos 66 anos de idade.
“As Horas… são compostas por 166 poemas que têm, como assunto único, os sentimentos experimentados pela ‘persona’ poética, e também protagonista da peça, a condessa Elisabeth Katharina von Herzogenbuch, desde sua entrada no Convento das Carmelitas Descalças de Innsbruck, no Tirol, em 1880, aos 19 anos de idade, até a sua morte no mesmo convento, em 1927. Herzogenbuch, ao que parece, é apenas um topônimo de lugar nobre (sendo o buch relativo a faia, atualmente ‘buche’ em alemão), mas, para quem pensa em decupagens possíveis para o poema, pode ser interessante imaginar que o nome abriga também a palavra ‘buch’ (o termo alemão para ‘livro’). Há outros exercícios anagramáticos a observar nesse sobrenome ilustre, mas poupo deles o leitor” – alerta Alcir. Porque “o que importa é perceber que, no livro de Tolentino, o espaço de confinamento físico da cela conventual é também o tempo da aventura moral, mística, da personagem, o que abre imediatamente para o conjunto do livro um plano de descrição histórica e, outro, de interpretação espiritual, sem que qualquer deles possa ser dispensado de seu papel central na articulação dos sentidos básicos dos textos.”
Livro dividido em três partes (1a. – Os longos vazios com 87 poemas; 2a. – O castelo interior, com 22 poemas; e 3a.-No carmim da tarde – “um trocadilho, brincalhão e literal simultaneamente, como muitas vezes ocorre na poesia de Bruno” (AP) – contendo 57 poemas).
Pois bem, transcrevo dois poemas da 2a.Parte
… que dizem respeito a leituras especialíssimas que fiz nas últimas décadas: “Moradas” (de Castelo Interior e Moradas) de Sta. Teresa d’Ávila e “Noite Escura”, de São João da Cruz. Alcir Pécora ressalta que Bruno consegue nesses poemas “uma interpretação tão precisa como pessoal das obras decisivas dos dois autores e diretores espirituais decisivos para a reforma da Ordem do Carmelo no séc. XVI”.
21 quarta-feira mar 2012
Posted in Charles Baudelaire, Francofonia, Poesia
Reblogged from Adalberto de Queiroz:
La Beauté (C. Baudelaire)
Je suis belle, ô mortels ! comme un rêve de pierre, Et mon sein, où chacun s’est meurtri tour à tour, Est fait pour inspirer au poète un amour Eternel et muet ainsi que la matière.
Je trône dans l’azur comme un sphinx incompris ; J’unis un coeur de neige à la blancheur des cygnes ; Je hais le mouvement qui déplace les lignes, Et jamais je ne pleure et jamais je ne ris.
25 sábado fev 2012
Posted in Poesia, Sylvia Plath
MANHÃ de sábado de trabalho com a natureza ao nosso lado – vantagem do home office. E, no entanto, a música e a poesia chegam para nos dar um ânimo diferente.
Ouvimos (minha mulher e eu) músicas de Nana Mouskouri e, trabalhando em mesas próximas na biblioteca, chego a Sylvia Plath. Sábado geralmente é dia de Emily (Ms. Dickinson). Hoje, no entanto, trago o poema de Mrs. Plath. Vem do livro “Fifty Years of American Poetry” (1).
Minha mulher, mirando o descanso que virá ainda (com a revelação dos prêmios do Oscar 2012), me relembra o filme “Sylvia” com G. Paltrow (2).
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O poema é “The Last Words”. E diz assim:
Last Words
by Sylvia Plath
I do not want a plain box, I want a sarcophagus
With tigery stripes, and a face on it
Round as the moon, to stare up.
I want to be looking at them when they come
Picking among the dumb minerals, the roots.
I see them already–the pale, star-distance faces.
Now they are nothing, they are not even babies.
I imagine them without fathers or mothers, like the first gods.
They will wonder if I was important.
I should sugar and preserve my days like fruit!
My mirror is clouding over —
A few more breaths, and it will reflect nothing at all.
The flowers and the faces whiten to a sheet.
I do not trust the spirit. It escapes like steam
In dreams, through mouth-hole or eye-hole. I can’t stop it.
One day it won’t come back. Things aren’t like that.
They stay, their little particular lusters
Warmed by much handling. They almost purr.
When the soles of my feet grow cold,
The blue eye of my turquoise will comfort me.
Let me have my copper cooking pots, let my rouge pots
Bloom about me like night flowers, with a good smell.
They will roll me up in bandages, they will store my heart
Under my feet in a neat parcel.
I shall hardly know myself. It will be dark,
And the shine of these small things sweeter than the face of Ishtar.
++++
Fonte: “Academy of American Poets”, Fifty Years of American Poetry. Introdução Robert Penn Warren. Laurel Col. Dell Publis. ed. N.York, 1995. Há várias e boas traduções em português. A meus seis leitores, a tarefa de me indicar a sua preferida. Bom sábado de poesia. Uma Dica de traduções de Felipe (Multiply).
Post-Post (1) – há muitas críticas sobre o poema e sobre a obra de Sylvia. Uma Resenha de Last Words (1). Há muitas sofisticadas, como a do livro cuja foto postei acima, que é mais do que crítica. É história sobre a sofredora Ms.Plath, que se matou aos trinta anos. Vários ensaios sobre S. Plath, by Anita Helle que coloquei na minha lista de Google Books como “Vou Ler”. Ah, sim, ia me esquecendo: o filme… Sylvia, seg. a crítica (minha mulher!) meio “deprê…”, by the way, como foi toda a vida de Mrs. Plath (1932-1963).
Post-post (2) , em 25.02, às 19h59min– Consulto os astros e fico sabendo que “as melhores traduções de Mrs. Plath no nosso idioma vêem da portuguesa Maria Fernanda Borges, da Beatriz Horta e Ana Luiza Faria”. Também a dona Lya Luft, que já foi tradutora antes de “escrever platitudes em Veja”, como diz uma adorable friend of mine (M.), traduziu bem o The Bell Jar. Beatriz Horta, idem. “E, surpreendentemente, Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves fizeram um belo trabalho em XX Poemas”, arremata M. para me recomendar que eu vá caçar o volume dos XX Poemas. Hei de fazê-lo em breve.