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René Girard – Desejo, Violência e Literatura I | Dicta & Contradicta
12 sábado mai 2012
Posted in Antropologia, Catolicismo
12 sábado mai 2012
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24 sábado mar 2012
Posted in Bruno Tolentino, Catolicismo, Poesia
“BRUNO TOLENTINO é seguramente um dos maiores poetas da língua portuguesa, na era pós-João Cabral. Estranha, portanto, que tão poucos ainda o digam, estudem, amem. Talvez porque o tenham lido menos do que repudiado as suas declarações polêmicas; ou porque se sentiram intimidados pelos muitos protocolos teóricos, estéticos, ideológicos, ou teológicos até, que propôs ou pretendeu impor para a leitura de seus livros; talvez ainda porque lhes pareceu anacrônico uma poesia com métrica e rima; ou mesmo, quem sabe, porque lhes tenha soado pobre uma poesia que, ao rimar, ilusão não exclui coração nem paixão, como um Roberto Carlos dos ricos. No entanto, são todos motivos frívolos.”
- É assim que Alcir Pécora abre a apresentação do livro “As Horas de Katharina”, sob o título de “O Livro de Horas de B.Tolentino”. Alcir conta ao leitor que esta edição da Record traz a íntegra da obra mais conhecida de BT “com precisas correções e anotações, que esclarecem alguns pontos importantes de sua confecção”, além de vir acompanhada de uma peça teatral inédita, “A Andorinha, ou: A Cilada de Deus”, obra finalizada às vésperas da morte do poeta, em junho de 2007, aos 66 anos de idade.
“As Horas… são compostas por 166 poemas que têm, como assunto único, os sentimentos experimentados pela ‘persona’ poética, e também protagonista da peça, a condessa Elisabeth Katharina von Herzogenbuch, desde sua entrada no Convento das Carmelitas Descalças de Innsbruck, no Tirol, em 1880, aos 19 anos de idade, até a sua morte no mesmo convento, em 1927. Herzogenbuch, ao que parece, é apenas um topônimo de lugar nobre (sendo o buch relativo a faia, atualmente ‘buche’ em alemão), mas, para quem pensa em decupagens possíveis para o poema, pode ser interessante imaginar que o nome abriga também a palavra ‘buch’ (o termo alemão para ‘livro’). Há outros exercícios anagramáticos a observar nesse sobrenome ilustre, mas poupo deles o leitor” – alerta Alcir. Porque “o que importa é perceber que, no livro de Tolentino, o espaço de confinamento físico da cela conventual é também o tempo da aventura moral, mística, da personagem, o que abre imediatamente para o conjunto do livro um plano de descrição histórica e, outro, de interpretação espiritual, sem que qualquer deles possa ser dispensado de seu papel central na articulação dos sentidos básicos dos textos.”
Livro dividido em três partes (1a. – Os longos vazios com 87 poemas; 2a. – O castelo interior, com 22 poemas; e 3a.-No carmim da tarde – “um trocadilho, brincalhão e literal simultaneamente, como muitas vezes ocorre na poesia de Bruno” (AP) – contendo 57 poemas).
Pois bem, transcrevo dois poemas da 2a.Parte
… que dizem respeito a leituras especialíssimas que fiz nas últimas décadas: “Moradas” (de Castelo Interior e Moradas) de Sta. Teresa d’Ávila e “Noite Escura”, de São João da Cruz. Alcir Pécora ressalta que Bruno consegue nesses poemas “uma interpretação tão precisa como pessoal das obras decisivas dos dois autores e diretores espirituais decisivos para a reforma da Ordem do Carmelo no séc. XVI”.
11 domingo mar 2012
Posted in Bento XVI, Catolicismo
LENDO BENTO XVI sobre “Jesus de Nazaré”, descobrimos isso:
(…) Não há nenhuma oposição entre S.Mateus, que fala dos pobres segundo o espírito, e S. Lucas, segundo o qual o Senhor se dirige simplesmente aos ´pobres`.
Foi dito que S.Mateus teria espiritualizado o conceito de pobreza que segundo S.Lucas seria originariamente entendido de um modo material e real, e assim tê-lo-ia despojado da sua radicalidade.Quem lê o Evangelho de S. Lucas sabe perfeitamente que precisamente este evangelista nos apresenta os ´pobres em espírito`, que eram por assim dizer os grupos sociológicos nos quais o caminho terreno de Jesus e da sua mensagem poderia tomar o seu início. E é inversamente claro que S. Mateus permanece totalmente na tradição da piedade dos Salmos e, assim, na visão do verdadeiro Israel, que nela encontrou sua expressão.
“A pobreza de que aqui se trata não é um fenômeno simplesmente material. A simples pobreza material não redime, ainda que certamente os preteridos deste mundo possam contar, de um modo muito especial, com a bondade de Deus. Mas o coração daqueles que nada possuem pode estar endurecido, envenenado, ser mau interiormente cheio de cobiça pela posse das coisas, esquecendo-se de Deus e cobiçando as propriedades externas.
“Por outro lado, a pobreza de que lá se fala também não é uma simples atitude espiritual. É evidente que a atitude radical que nos foi e nos é apresentada por tantos verdadeiros cristãos, desde o pai do monaquismo Stø. Antão até S. Francisco de Assis; e até os exemplarmente pobres do nosso século não é obrigatória para todos.
Mas a Igreja precisa sempre, para estar em comunhão com os pobres de Jesus, dos grandes renunciadores; ela precisa das comunidades que os seguem, que vivem na pobreza e na simplicidade e que assim nos mostram a verdade das bem-aventuranças, para sacudir a todos para que estejam despertos, para compreenderem a propriedade apenas como serviço, para contraporem à cultura do ter uma cultura da liberdade interior e assim criarem os pressupostos para a justiça social.
“O Sermão da Montanha como tal não é nenhum programa social, isto é verdade. No entanto, somente onde estiver viva no pensar e no agir a grande orientação que ele nos dá, somente aí onde a força da renúncia e da responsabilidade para com o próximo e para com tudo vier da Fé, somente aí pode crescer a justiça social. E a Igreja como um todo deve manter-se consciente de que deve permanecer reconhecível como a comunidade dos ´pobres de Deus` Como o Antigo Testamento se abriu a partir dos pobres de Deus para a renovação da nova aliança, assim também toda a renovação da Igreja deve partir daqueles nos quais vive a mesma decisiva humildade e a mesma bondade disponível para o serviço.” (…)
++++
Fonte: RATZINGER, Joseph (Bento XVI, Papa). “Jesus de Nazaré”, 1a. parte, trad. J.J Ferreira de Farias. S. Paulo, edit. Planeta do Brasil, 2007, pág. 81/82.
03 sábado mar 2012
Quando quero me despedir ou saudar um(a) amigo(a) à moda antiga, aqui na websphere, abro o volume de Correspondências de Bernanos (1) e copio alguma coisa do fecho de alguma de suas maravilhosas cartas a amigos, editores, críticos etc.
Hoje, pensando sobre a realidade política e literária do Brasil, abro o tomo do “velho urso” numa página ao acaso e me deparo com isso:
“Madame,
Je suis un ours, le plus ours des ours, mais bien désolé de sa ourserie, et qui trouve que la vie des ours est bien longue pour l’agrément qui’ls en ont.
Votre trop généreuse et trop gracieuse sympathie est ainsi cruelle sans le savoir. Je ne la mérite pas. Je ne puis plus seulement ouvri l’un de vos livres sans rougir de vous avoir laissée ignorer qu’ils sont depuis longtemps mes ennemis familiers (…)
E isso:
“Mon bien cher ami,
Dieu vous rende au centuple ce que vous m’avez donné – la certitude qui pour un petit instant m’a fait tel que votre douce amitié me souhaite et me voit ! En pleine tristesse, en plein abandon, en plein dégoût, votre magnifique témoignage m’a littéralement éclaté dans le coeur… J’aurais pu vous écrire plus tôt : j’avais presque peur d’user ma joie… Et quelle joie, mon ami ! Car je n’écris que pour vous, et nos frères de race. Je n’espérais donc remercie chèrement, naïvement, de toute mon âme.
Il est à vous, ce livre. Je manquais tellement de courage et de confiance ! Un seul mot de vous m’eût fait tout lâcher. C’est une autre grande joie de vous le laisser, de vous le confier. Je vous enverrai le second exemplaire, incessamment. Je vous écrirai de nouveau.
Bien tendrement vôtre,
G. Bernanos.
Esse tipo de franqueza e fraternal afeto só o vejo (entre escritores brasileiros) nas cartas de Alceu Amoroso Lima a Jackson de Figueiredo.
E o leitor há de me perguntar: por que ler (e reler) essas cartas tão antigas ?
- Eis que a correspondência nos revela segredos (e mistérios) da alegria (dos anseios e da melancolia) da vida dos escritores que amamos. É como olharmos pela janela iluminada que só nos revelara apenas a sombra do homem curvado sobre a escrivaninha com a pena suspensa, à espera da próxima frase. Quando falam com os amigos mais próximos (e leais – nota 2), é como se abrissem seu coração como o fazem conosco, seus leitores dezenas de anos depois.
As cartas que transcrevo são de 1925/26, portanto, com idade de quase 90 anos… et pourtant continuam “à éclater dans le coeur…”
Eia, pois, que essa é a legenda de Bernanos, de quem assistimos, com alegria, um Revival Bernanos no Brasil 2011/12, graças aos lançamentos da editora É Realizações e aos grupos (em sua maioria compostos por jovens) que o rediscutem, como um dos católicos escritores mais interessantes do séc. XX.
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Bom fim-de-semana a todos.
Bien amicalement à vous,
Beto.
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Fonte: (1) “BERNANOS, Georges. “Correspondance”. Tome I:1904-1934. Ed. Plon, 1971. Pág. 272 et 191. A primeira transcrição é de uma carta à escritora Anna De Noailles, publicada no “Table Ronde”, abril de 1954. A segunda, ao amigo Robert Vallery-Radot, em 21.05.1925 (Ascension).
(2) “Dans une lettre à Jorge de Lima peu de temps avant son départ du Brésil, le 8 janvier 1945, il écrit: ‘ Je vous prie donc de détruire les lettres inconvenantes ou injustes, sauf si par hasard elles contiennent un jugement intéressant et révélateur de ma pensée, de mon naturel, de mon être enfin, bien affermi et raffermi. Quant à celles qui contiennent des blagues, de simples amusements, des choses insensées (mes lettres en sont pleines), vous feriez miux de les déchirer…’ Comment ses correspondants n’auraient-ils pas rspecté l’esprit de ce voeu de Bernanos, quitte à être moins sévères que lui pour les ‘simples amusements’ qui, eux aussi, sont révélateurs d’une manière d’être et de sentir la vie ? (op.cit, pág. 11).
21 terça-feira fev 2012
Posted in Catolicismo
Padre Antonio Vieira para Bravo! é um Lúcido Alucinado … podemos discordar, mas é bom saber que os Sermões ainda são inspiradores. Benza Deus!
E as ilustrações da matéria e do site são ótimas.
