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The Soul unto itself
Is an imperial friend -
Or the most agonizing Spy -
An Enemy – could send -

Secure against its own -
No treason it can fear
-
Itself – its Sovereign – of itself
The Soul should stand in Awe
-

A alma para si mesma
É imperial companhia -
Ou – como se de inimigo -
Ela é torturante espia.

Segura contra si mesma
Trair-se não é de supor -
Mas sendo de si rainha -
Ela se infunde terror.

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(*)Fonte: Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas“ (383). Tradução Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Ed/Usp, 1985, pág. 100/101.
Se o leitor nota uma certa ” traição” (na tradução) ao sentido do verso original nessas duas linhas:
Or the most agonizing Spy -
An Enemy – could send -

Traduzido por dona Aíla com certa liberdade poética ou, ainda, nas duas últimas linhas que se apresentam como recriação do poema original, apresso-me a trazer a explicação da página 202 (op.cit.) – ricos comentários sobre as traduções quase sempre magníficas de Aíla:
Adaptação aproximada, que não trai o sentido; não se pôde evitar que fosse diminuída a majestade da expressão no fechamento do poema, onde as duas últimas linhas como que solenemente se perfilam e se põem de pé.
“Uniformizou-se o setissílabo para o poema todo, embora, no original, os terceiros versos se alonguem.

É interessante notar que sou tomado pela mesma obsessão da tradutora, que confessa ter começado essa empreitada “a princípio, como um simples entretenimento do espírito“. Depois, no entanto, essas transformaram-se “numa quase obsessão: ilusão, talvez, de estar-se poetando num estilo que se escolheria para poetar.”
Eis o mistério e a provocação dessas transcrições que enriquecem minhas manhãs de sábado.